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O trabalho com Ciências Humanas e Naturais na EJA

Todas as disciplinas merecem atenção do professor e são fundamentais para formalizar o conhecimento dos alunos. Confira algumas sugestões para trabalhar conteúdos de Ciências, História e Geografia com as turmas de jovens e adultos

Camila Camilo

 

Alunos da EJA. Imagem: Tatiana Reis

Embora muitos procurem a Educação de Jovens e Adultos para aprender a ler, a alfabetização não é o único objetivo deste nível de ensino. A motivação para voltar a estudar pode estar relacionada ao desejo de conseguir um emprego e à vontade de escrever melhor, aprender e tornar-se mais independente.

Quem dá aulas para os adultos deve preocupar-se com todo o currículo. Afinal, aprender a ler é mais que adquirir um código e as habilidades de leitura e escrita não são exclusivas de Língua Portuguesa. Rita Jover Faleiros, selecionadora da área de Língua Portuguesa do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10, propõe que um bom projeto em EJA inclua o letramento em todas as disciplinas. "Estratégias como ler para estudar e formular hipóteses são úteis em todos os conteúdos e ajudam o aluno que não tem um comportamento leitor a criar este hábito tão importante".

Para os mais velhos, a maneira de aprender Ciências, Geografia, Artes, Língua Estrangeira, e todas as demais disciplinas do currículo, é diferente. Eles já são experientes e seus conhecimentos prévios devem ser o ponto de partida para propor um exame mais sistemático da realidade. "Não vale abordar um conteúdo de História do Brasil ou de Matemática só porque a escola pede. O desafio é formalizar o que o aluno conhece e mostrar o pensamento científico ou a teoria que sustenta este saber", defende Orlando Jóia, coordenador da EJA no Colégio Santa Cruz, em São Paulo.

Na hora de planejar as aulas de qualquer disciplina, o contexto também precisa ser respeitado e deve pautar a abordagem dos conteúdos. A professora Herik Zednik trabalha com formação de docentes que dão aulas para turmas da EJA na rede pública do Ceará.Alguns ensinam turmas de trabalhadores rurais, enquanto outros trabalham com alunos que moram em zonas urbanas. "Nesses casos, o ensino de geometria, por exemplo, é o mesmo, mas os exemplos usados deverão partir do cotidiano destes estudantes", explica. Ela sugere que o professor procure legitimar os conhecimentos dos alunos e aproveite esses saberes para desenvolver projetos interdisciplinares.

Abordagens possíveis no ensino de Ciências Humanas e Naturais
Roberto Catelli Jr., professor de História e coordenador da EJA na ONG Ação Educativa, em São Paulo, propõe que em História e Geografia o educador promova debates considerando que boa parte dos alunos já tem um emprego. Assim, conteúdos como a Revolução Industrial ou as teorias sobre métodos de produção podem ser trabalhados em conjunto com as relações de trabalho atuais.

Em Ciências, as crendices do senso comum sobre o uso de remédios ou a respeito da cura de doenças podem ser bons pontos de partida para discussões em sala. Se estes assuntos forem frequentes, o professor pode mostrar como os remédios são fabricados, explicar por que a automedicação é perigosa ou comentar a validade dos saberes sociais sobre a cura de doenças.

Para Catelli, independentemente do conteúdo ensinado, na hora de planejar as aulas o professor deve ter em mente que "o fundamental é encaminhar o aluno para a conclusão da Educação Básica e pensar que estudar pode mudar a vida deste adulto".

Música para ensinar História

Para ensinar os fatos históricos do Brasil no último século a alunos que têm entre 17 e 70 anos, a professora Maria Regina Silva, da CEMEJA Professor André Franco Montoro em Jundiaí (SP), usa canções da década de 1920 até os dias atuais. Junto dos alunos, ela está construindo uma linha do tempo, que será concluída no final do semestre. Nas aulas de Língua Portuguesa, as letras das canções ajudam os estudantes a reconhecerem o que já sabem e aprenderem a escrever novas palavras. Paralelamente, na hora de estudar História, a docente comenta o contexto em que as músicas foram produzidas.

Desta forma, a turma já estudouTenentismo, República Velha e os governos dos presidentes Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, usando como gancho músicas de Noel Rosa, Tom Jobim e Vinicius de Moraes. A professora discute com os alunos se eles lembram o que acontecia no país naquele período e pede que contem suas experiências. A partir das discussões e da leitura de textos informativos, Maria Regina explica o conteúdo do currículo. "O principal é mostrar à turma que eles fazem parte da História e que ela não é algo que está só nos livros", explica.

Dicas para a formação dos professores
O professor responsável por turmas de adultos pode buscar formação continuada para se sentir mais seguro no planejamento das aulas. Uma dica é procurar os cursos deste segmento oferecidos pela Universidade Aberta do Brasil, vinculada à Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi), do Ministério da Educação.

Se você é professor e acaba de assumir uma turma de adultos, vale consultar, também, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação de Jovens e Adultos, do Ministério da Educação.

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Publicado em Agosto de 2012.
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