Ivan Paganotti e Rodrigo Ratier
A hipótese otimista promete impulsionar o país rumo a outro patamar de desenvolvimento. Se cumprido integralmente, o novo Plano Nacional de Educação (PNE) pode, em dez anos, universalizar a Educação Básica para crianças e jovens de 4 a 17 anos e alfabetizar todas as crianças até os 8 anos de idade (mais 17 milhões de jovens e adultos). A alternativa pessimista... Bem, essa é velha conhecida. Se o plano não sair do papel, vai se somar aos inúmeros projetos que enfeitam prateleiras com sonhos nunca concretizados.
Não é a primeira vez que o governo federal tenta formular um guia para as políticas públicas em Educação. A primeira bússola sugerida foi a versão anterior do PNE, que vigorou de 2001 a 2010. Produzida no fim do segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, apresentava 295 metas e um diagnóstico complexo do setor. Não deu certo por várias razões. A quantidade de objetivos contou contra, diluindo as demandas e tirando o foco do essencial. Segundo, muitas da metas não eram mensuráveis, o que dificultou seu acompanhamento. Também faltaram regras com punições para quem não cumprisse as determinações. Finalmente - e, talvez, o mais importante: um dos artigos do plano foi vetado pela presidência. Era a proposta de aumentar a parcela do Produto Interno Bruto (PIB) investida em Educação de 4 para 7%. Sem dizer de onde viria o dinheiro, o PNE de 2001 virou letra morta antes de nascer.
A nova edição parece ter ganho com os erros do passado. Centrado nas demandas da Conferência Nacional de Educação (Conae) do ano passado, o Ministério da Educação (MEC) preparou um plano que começa agora a ser debatido pelo Congresso, aguardando a aprovação dos parlamentares. Sucinto, o documento tem 20 metas, a grande maioria quantificável por estatísticas. Além das citadas no início deste texto, outras seis dizem respeito à Educação Infantil e ao Ensino Fundamental: universalizar o atendimento aos estudantes com deficiência, oferecer ensino em tempo integral em 50% da rede pública, atingir média 6 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) nas séries iniciais e 5,5 nas finais, oferecer 25% das matrículas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) integradas à Educação profissional nas séries finais, atender 50% das crianças de até 3 anos e erradicar o analfabetismo - as duas últimas, reedições do PNE de 2001, o que dá uma medida do fracasso da antiga versão.
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Marlene Adorni mazzotti - Postado em 27/06/2011 23:20:46
Esse PNE, tal qual o anterior, tem tantas metas que já dá pra saber que novamente não será executado. É só "pra ingles ver". No Ensino Fundamental já haveria um grande progresso com uma unica meta: fim da promoção automática com a devolução ao professor de sua autoridade profissional para exigir disciplina e respeito em sala de aula.
Nanci Ap. Lourenço Bueno Martins - Postado em 25/06/2011 18:47:14
Caro colega, compreendo o seu manifesto, e realmente como o nosso país é, não irá funcionar se a meta for atingida. Por outro lado o que na verdade essa meta propõe é que a comunidade acompanhe os gestores das escolas que seus filhos frequentam e não que seja diretor somente os indicados pela política local. A ideia é "tirar" de campo aqueles diretores que só estão lá para ocupar espaço e preencher papéis não acrescentando nada a comunidade que está inserido, e isso meu colega, temos de monte na nosso realidade escolar. Bom mas como já disse concordo com você, e sabendo como tudo funciona em nosso país, teremos na verdade uma mafia "gerindo" nossas escolas, mais direta do que as de hoje em dia. Abraços.
Clodomiro Abílio Pereira - Postado em 11/06/2011 11:28:48
RETROCESSO INADMISSÍVEL PARA EDUCAÇÃO O Brasil tem uma democracia de fachada que impede a participação dos cidadãos.Se olharmos a meta número 19 que trata da educação de ( 2010-2020 ) lá está implicito a abertura para o "loteamento político" da educação que põe os cargos de Diretor de Escola para serem escolhidos pelo:Prefeitos,governadores e implicitamente as escolas do D.F.Tal medida além de desrespeitar a Constituição Federal que manda em seu artigo 37 fazer concurso público para preencher cargo público é uma abertura para verdadeira "farra na Educação" .Vamos tomar um exemplo de democracia que funciona até hoje e é um modelo vivo de participação . A Prefeitura de São Paulo onde os gestores Educacionais (Diretores de escola,coordenadores pedagógicos e Supervisor Escolar ) para terem acesso a esses cargos,além de titulação de praxe,tempo mínimo de Magistério, precisam passar pelo crivo do concurso público.Essa meta 19 é "nefasta para Educação". Para quem conhece o país do jeito que realmente é: teremos agora nos 26 Estados,e no Distrito Federal e nos mais de 5560 Municípios brasileiros uma farra total ATRAVÉS do loteamento político na Educação:é àquele que tem curso de pedagogia que é amigo do vereador que apóia o Prefeito, Governador Distrital.Os executivos dos Estados do Distreito Federal e dos Municípios estão rindo à toa; ganharam um reforço grande para agraciarem seu conhecidos com nomeações e mais nomeações.Eu fico pensando naquela jovem que se dedicou aos estudos desde cedo com afinco e ingressou na área de Educação-Se não se tornar "amiga do homem" não mais vai ter chance de chegar a um desses cargos.Lastimo muito o caminho que está tomando a Educação com essa meta....É UM GRANDE RETROCESSO PARA O PAÍS.