Revista do mês
Nova Escola
Assine Nova Escola
publicidade

Melhorar e ampliar a infraestrutura das escolas

Acabou a escassez de carteiras, lápis e livros. Mas é preciso ampliar a quantidade de instalações

Camila Monroe e Rodrigo Ratier

|< < Página de
=== PARTE 1 ====
=== PARTE 2 ====

É preciso melhorar a qualidade dos recursos disponíveis

Foto: Fabrício Barreto
Prato cheio no recreio Atualmente,
apenas 3,5% dos estudantes da
Educacão Básica não têm algum tipo
de alimentação gratuita na escola.
O índice brasileiro é um dos
melhores na América Latina

Quando o assunto é transporte escolar, o principal nó está no campo, onde a rede escolar não possui a capilaridade dos grandes centros urbanos (o que exige viagens maiores) e as opções de deslocamento são poucas. Todos os dias, cerca de 4,8 milhões de alunos recorrem a ônibus, vans e barcos para estudar. Para 70% das Secretarias da Educação, o transporte escolar representa o maior gasto da pasta. O que não significa que o serviço seja bom: levantamento realizado pela Universidade de Brasília (UnB) em 2.277 municípios revelou que 27% dos veículos não eram apropriados aos acidentados terrenos das áreas rurais.

Em 2007, o Ministério da Educação (MEC) começou a atacar o problema como o programa Caminhos da Escola, uma linha de financiamento para renovação da frota que chegou a 1.300 municípios até 2009. No mesmo ano, reajustou de 88 para 120 reais os valores mínimos por aluno repassados a estados e municípios pelo Programa Nacional do Transporte Escolar (Pnate), que custeia a manutenção da frota, a compra de combustível e a terceirização do serviço.

Também vale lembrar que mesmo a zona rural concentrando boa parte dos problemas de infraestrutura, não é preciso embrenhar-se interior adentro para encontrar diferenças gritantes. "Sobretudo nas periferias das grandes cidades, do lado de uma escola em que o professor usa lousa interativa, há outra feita de lata, só com salas e nada mais", diz Maria Maura Barbosa, coordenadora da Comunidade Educativa Cedac, em São Paulo, que assessora projetos em todo o país. A desigualdade foi agravada pela política de distribuição de recursos que vigorou por boa parte das últimas décadas. Como regra, as escolas que recebiam mais verbas eram aquelas que apresentavam bom desempenho, o que amplificava ainda mais as diferenças. Hoje, ocorre o inverso: instituições que se saem pior no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) são as que recebem um reforço maior nos investimentos. A esperança é a diminuição das discrepâncias e o fim das chamadas ilhas de excelência.

Outra necessidade é melhorar a qualidade dos recursos disponíveis (o lápis está lá, mas a ponta quebra o tempo todo, os brinquedos do parquinho são perigosos, a merenda não é nutritiva e assim por diante). Para que o barato não saia caro, é preciso explicitar critérios que garantam níveis adequados aos itens pedidos nas licitações. Por fim, é essencial capacitar professores e gestores para utilizar, junto com os alunos, tudo o que a escola possui. A infraestrutura escolar, afinal, deve estar a serviço do aprendizado.

Três perguntas para Roberta Panico

Foto: Marcos Lima

Coordenadora da Comunidade Educativa Cedac, em São Paulo, e especialista em gestão escolar.

Qual o principal desafio para estruturar nossas escolas?
Falta uma distribuição igualitária. Enquanto uma não tem luz, a outra recebe recursos de última geração. Há ainda casos de escolas rurais que recebem computadores mesmo sem ter energia. Em situações como essas, os equipamentos são devolvidos.

E nos casos em que a infraestrutura já é adequada?
Há ainda um problema sério para fazer com que formação e material cheguem juntos. Isso compromete a qualidade da Educação. O governo está investindo bastante em avanços tecnológicos, mas se esquece de capacitar quem recebe os materiais. Dessa maneira, muita coisa acaba encostada por falta de uso adequado.

Qual o recurso que mais influirá na escola do futuro?
Imagino que seja a tecnologia. Atualmente, esse é o maior fator de mudança nas instituições e representa uma ótima chance de potencializar o aprendizado nas aulas, assegurando o acesso a informações com agilidade, e a gestão escolar, favorecendo a organização dos registros e a comunicação direta com os órgãos oficiais.

Continue lendo a reportagem

|< < Página de

Gostou desta reportagem? Assine NOVA ESCOLA
e receba muito mais em sua casa todos os meses!

Comentários

 

Publicado em NOVA ESCOLAEdição 239, Janeiro/Fevereiro 2011, com o título Avançar além do básico
 Garanta já a sua revista! Assinaturas, edições impressas e digitais
Nova Escolar
  Patrocínio     Edições SM

Fundação Victor Civita © 2013 - Todos os direitos reservados.