Camila Antunes

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Os investimentos em Educação cresceram significativamente nas últimas décadas. Entre 1998 e 2011, o valor mínimo por aluno no Ensino Fundamental aumentou duas vezes e meia - isso em números já corrigidos pela inflação do período. Apesar do avanço, a maioria dos especialistas considera que o montante está longe de ser o suficiente para garantir qualidade ao ensino. Dois dados amparam esse argumento. O primeiro: o atual investimento por estudante é apenas um quarto do que gastam os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), clube das nações mais desenvolvidas do mundo. O segundo: a ampliação dos recursos não se traduziu numa melhoria consistente para os salários dos professores, reduzindo o impacto da tão propagandeada "valorização" do Magistério.
Vale a pena recapitular o caminho do dinheiro na Educação brasileira nas últimas décadas. Até os anos 1960, o valor investido era suficiente para assegurar um bom padrão à rede pública. Mas estudar era para poucos: só 60% das crianças e jovens de 7 a 14 anos estavam na escola, de acordo com o Censo de 1970. Nas duas décadas seguintes, o ensino se universalizou, mas o orçamento não cresceu na mesma proporção que o número de matrículas. Para piorar, a qualidade do ensino havia sumido da lista de prioridades: governadores e prefeitos disputavam verbas para a Educação por meio de projetos de construção de novas escolas, ginásios de esportes e pavimentação de ruas nas áreas escolares. Enquanto isso, faltavam livros no primeiro dia de aula e merenda na hora da fome. "Quando havia muitos alunos fora da escola, predominava a lógica de que o problema da Educação seria resolvido com obras e aumento da oferta de vagas", explica o economista Jorge Abrahão de Castro, do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea). Não foi. Hoje, está claro que a democratização do ensino se deu à custa do sucateamento das escolas, da perda do poder aquisitivo dos educadores e da multiplicação dos turnos de aula.
O aperto monetário, felizmente, começou a ser desafrouxado em 1998, primeiro ano de vigência efetiva do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), criado em 1996. Abastecido por uma porcentagem de diversos impostos e direcionado a cada escola sem intermediação política, o Fundo determinava um valor mínimo a ser investido por aluno - quando estado e municípios não conseguiam alcançar o índice, a União complementava e garantia o necessário.

Foi uma pequena revolução: em estados como o Maranhão, o valor gasto por estudante dobrou de um ano para o outro. Além disso, o Fundef também atenuou desigualdades regionais. Na edição de junho de 1999, NOVA ESCOLA mostrou que, sem o Fundo, o investimento por cabeça na rica Paulínia, a 118 quilômetros de São Paulo, seria 36 vezes maior do que na carente Imperatriz, a 586 quilômetros de São Luís. Com a redistribuição de recursos, a diferença caía para apenas duas vezes.

Baseado na mesma lógica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva instituiu em 2007 o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), contemplando outras etapas de escolarização, como o Ensino Médio, a Educação Infantil e a de Jovens e Adultos. Para as cidades mais pobres, o crescimento real no gasto per capita em relação ao período pré-Fundo deve ultrapassar, neste ano, a barreira dos 250%.
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Catia Helena de Almeida Lima Massari - Postado em 20/03/2011 12:54:04
É claro que apesar das políticas públicas terem incrementado os investimentosos na educação, infelizmente, a promessa da valorização do magistério, ainda não se tornou realidade. Mas tenho cautela ao analisar as palavras de alguns especialistas, como Simom Schwartzman, que acreditam que ¿os professores precisam ganhar mais para que a profissão atraia gente qualificada¿. Devemos refletir até onde esta afirmação é válida. É certo que realmente muitos brasileiros associem a docência à baixa remuneração, faltando atratividade para a carreira em sala de aulas mas, o maior problema seria realmente o salário? Parece claro neste discurso que ¿o excesso das ¿vozes¿ dos professores¿ bate de frente com ¿a pobreza das práticas associativas docentes¿ (leiam NÓVOA, António. Os professores na virada do milênio: do excesso dos discursos à pobreza das práticas. Revista Educação e Pesquisa USP, São Paulo, v. 25, n.1, p. 1-178, jan./jun. 1999). Também acho que há, sim, necessidade do país gastar mais para garantir a qualidade ao ensino publico. Mas a questão é só ¿quanto¿? Tenho a certeza de que esta complexa situação também envolve ¿como¿ e ¿onde¿. Concordo com a autora que ¿em politicas publicas, é a quantidade de investimento e não o discurso que mostra o quanto uma área é prioridade¿ porém ainda existem mais fatores a ser enfrentados rumo à melhoria da qualidade de ensino. O associativismo docente deve ir além do sindicalismo que luta por melhores pagamentos, ele também deve repensar em novas rotinas profissionais que valorizem o magistério com a instauração de uma nova cultura profissional.