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Incentivar os alunos com dinheiro funciona?

Ao premiar estudantes por assiduidade ou desempenho, abrimos as portas para instituir uma chantagem na aprendizagem

Rodrigo Ratier. Colaborou Camila Monroe

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=== PARTE 1 ====
Ilustração Mariana Coan sobre foto Bambu Productions/Getty Images
OUTRA NOTA
O melhor incentivo para fisgar o aluno é
uma aula bem dada

A proposta teve o efeito de uma bomba no universo da Educação. No último mês de agosto, o jornal Folha de S.Paulo revelou a intenção do governo do estado de oferecer um "vale-presente", no valor de 50 reais, aos alunos com notas baixas que participassem de aulas de recuperação em Matemática. Inicialmente, o projeto-piloto contemplaria 1,2 mil estudantes de 6º e 7º anos, que receberiam a quantia (que poderia ser gasta em livros, CDs e cadernos) se não faltassem às aulas. Segundo os idealizadores, havia o temor de muitas ausências e desistências durante o reforço.

Logo após o anúncio - que repercutiu negativamente -, o secretário da Educação Paulo Renato Souza adiou a ação, afirmando que ela precisava ser mais bem discutida com a sociedade. A iniciativa paulista está longe de ser a única no controverso terreno da remuneração de alunos. No Rio de Janeiro, a prefeitura lançou em 2007 um projeto que premiava com 760 reais crianças e jovens que fechassem um ciclo de ensino (séries iniciais ou finais do Fundamental ou Médio) com nota máxima. Já o governo fluminense recompensou com notebooks no ano passado 7.553 estudantes que se destacaram na avaliação de desempenho da rede. Em países como os Estados Unidos, a prática é tão difundida que mereceu atenção da Universidade Harvard, uma das mais prestigiosas do planeta. Entre 2007 e 2009, o economista Roland Fryer Jr. capitaneou o mais completo estudo já realizado sobre o tema, que distribuiu o total de 6,3 milhões de dólares a 38 mil alunos em 122 escolas (leia o quadro na página seguinte). O objetivo da sondagem era verificar se a isca monetária levaria a um melhor aprendizado.

=== PARTE 2 ====
=== PARTE 3 ====

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Marcia Araújo - Postado em 02/10/2010 22:15:35

O Brasil tem mania de copiar as experiências dessas politicas públicas frutradas de países "desenvolvidos". Monetarizar o apredizado é definitivamete, assumir o fracasso desse modelo de sociedade que apenas produz e reproduz mão-de obra pra o grande capital.É admitir que investir na valorização do profissional da educação, melhorar as condiçoes de trabalho, pode ser arriscado para o desenvolvimento qualitativo do estudante brasileiro. O melhor mesmo é incentivar o consumo e imbecilizar o aluno, assim governos não serão incomodados com reivindicações posteriores.

ALINE FERREIRA DA SILVA SANTOS - Postado em 01/10/2010 17:13:53

A educação é processo que visa a formação do aluno para " vida", é um conjunto que se constitui com o aluno, escola e comunidade, não é com este tipo de medida que resolveremos os problemas da educação ou de uma disciplinba específica. Este investimento deve ser para o todo escolar, com foco na qualificação humana e física escolar, e além disso a educação deve ser pensada desde as séries iniciais para que tenha eficiência.

Andreia Cristiane Fernandes dos Santos - Postado em 25/09/2010 21:57:12

Acredito que o segredo para o sucesso escolar deve começar a partir do resgate e da valorização do espaço escolar, dos investimentos em estrutura física, da formação continuada para todos da equipe escolar (Pois é certo que todos ali inseridos devem ser educadores) e o primordial, a integração da família com a escola. Com essas condições, onde o espaço físico será apropriado, os profissionais da educação,bem como, as famílias cientes de suas responsabilidades quanto ao processo de ensino aprendizagem, participando do mesmo, ficará fácil propiciar um ambiente acolhedor, significativo, prazeroso e ideal para o desenvolvimento cognitivo e social do aluno. A educação tem que ser vista como uma necessidade na construção de dias melhores e não como moeda de troca.



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Publicado em NOVA ESCOLAEdição 235, Setembro 2010, com o título Pelo saber ou pelo dinheiro?

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