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Como funcionam as escolas de transição na Índia

Naquele que já foi o país dos marajás, barracões viram salas de aula para crianças que precisam ser salvas do trabalho infantil

Alex Fisberg, de Chennai, Índia

SORRISO ABERTO A turma da professora Revathi Thula acredita em um futuro melhor. Foto: Alex Fisberg
SORRISO ABERTO A turma da professora Revathi Thula acredita em um futuro melhor

O barracão dentro de um canteiro de obras na cidade de Chennai, no sul da Índia, é abafado, tem paredes de metal e pouco lembra uma sala de aula. Mas abriga uma unidade das chamadas escolas de transição, instituições que acolhem jovens indianos - a maioria vítima do trabalho infantil - que nunca receberam Educação formal. A iniciativa do governo indiano, em parceria com várias organizações não governamentais, pretende universalizar a Educação Básica no país (estima-se entre 8 milhões e 27 milhões o número de crianças de até 14 anos fora da escola, dependendo da fonte consultada).

Antes do início das atividades, um burburinho da garotada falando diferentes línguas toma conta da classe. O único capaz de entender todas as conversas é Ragu (na foto, de camisa branca e mão no queixo), de apenas 10 anos. Nos últimos três, ele perambulou com os pais por seis estados indianos e agora pode se comunicar em cinco dos 26 idiomas oficiais do país. "De todos os lugares por onde passei, esta escola é onde me sinto mais seguro. Posso aprender e não preciso trabalhar." As crianças ficam nas escolas de seis a nove meses. Depois, são encaminhadas para turmas regulares, em que podem continuar os estudos e, quem sabe, até chegar à universidade.

A turma de Ragu tem 18 alunos, com idades entre 4 e 13 anos. Basicamente, eles estão ali para ser alfabetizados em telugu - o idioma do estado de Andhra Pradesh, de onde todos vieram. Com estratégias variadas, a professora Revathi Thula se vira como pode para ensinar a ler e escrever. Vale tudo: às vezes, ela pede que os estudantes mais adiantados leiam em voz alta para os demais e, em outras ocasiões, promove atividades de escrita no quadro. O desafio de Revathi é entender as necessidades específicas de cada um e dar acompanhamento individualizado a todos. "Eu me divido para ajudar a turma", diz a educadora.

É difícil mensurar o impacto das unidades de transição, pois não há dados estatísticos confiáveis. Mas o sorriso estampado no rosto de crianças como Ragu não deixa dúvidas: elas se enchem de esperança por um futuro melhor.

Escolas de transição

- Elas recebem crianças e jovens entre 4 e 30 anos
- Os estudantes ficam na unidade até nove meses

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Publicado em NOVA ESCOLAEdição 240, Março 2011, com o título Educação para todos, mas ao estilo indiano
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