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Mais força para a Educação no campo

Legislação que prevê o respeito às características da população rural ainda não virou realidade

Iracy Paulina

Foto: Ricardo Funari
Vínculo com a terra Depois do avanço
nos anos 1990, políticas públicas ainda
precisam considerar as necessidades
de ensino das crianças e investir no
fortalecimento da ligação do professor
com a escola rural
NOVA ESCOLA 25 anos

Por muito tempo, pouco se olhou para as carências do ensino no campo, como a falta de infraestrutura e o currículo, que não levava em conta as necessidades específicas desses jovens e dessas crianças. Nos últimos 25 anos, pelo menos no terreno na legislação, isso mudou. Tanto que, no ano passado, o decreto 7.352 transformou o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) em política pública. Dessa forma, assegurou o comprometimento de governos futuros com a criação de cursos de Pedagogia e de especialização específicos para professores das escolas do campo.

Para garantir, pelo menos em lei, uma escola adequada, os moradores da área rural batalharam muito. O ensino, durante anos, apenas preparou os estudantes para trabalhar nas cidades. Os movimentos populares dos anos 1980, como o dos Trabalhadores Sem Terra (MST), pediram mudanças. "Uma das principais conquistas foi a inclusão do tema na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), em 1996", pontua Maria Antonia de Souza, professora de pós-graduação do curso de Educação da Universidade Tuiuti do Paraná. Outros documentos oficiais em que também há preocupação com os âmbitos pedagógico e político são expressão das lutas dos povos do campo, como as Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo e as diretrizes complementares. Em 2004, o MEC criou a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad), que tem entre suas atribuições a de gerenciar diversos programas voltados à melhoria das condições de ensino no meio rural. Um deles é o Escola Ativa, com metodologia voltada para salas multisseriadas - existem mais de 50 mil escolas no país que têm uma sala só, reunindo crianças de diversas idades. Outra iniciativa é o Programa de Apoio à Formação Superior em Licenciatura em Educação do Campo (Procampo), que tem como objetivo investir na formação em serviço de professores dos anos finais do Ensino Fundamental - principalmente os que têm o Ensino Médio e não frequentam uma universidade.

"A Educação no campo precisa valorizar ainda mais a realidade de quem vive e trabalha na terra, fortalecer o vínculo do professor com a escola e oferecer mais vagas tanto na segunda etapa do Ensino Fundamental como no Médio", afirma Mônica Castagna Molina, docente da Universidade de Brasília (UnB).

Uma pergunta para Mônica Castagna Molina

Foto: Cristina Gallo/Instituto Souza Cruz

Professora do programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade de Brasília (UnB).

Quais as medidas necessárias para aumentar a escolaridade dos jovens que moram no campo?
É necessário garantir o acesso à terra e aos recursos naturais para as famílias. A escolarização das crianças que moram em assentamentos é maior do que a dos filhos dos trabalhadores rurais obrigados a constantes migrações. E aumentar a oferta de vagas nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio na área rural.

Miranilde Oliveira Neves - Postado em 16/03/2011 22:05:31

Indubitavelmente este é um tema que merece uma discussão enfática entre nós educadores, entre os educandos do campo (independente do nível escolar) e entre a comunidade campesina e movimentos sociais que muito têm lutado por uma educação de qualidade e diferenciada. Fiquei feliz com a reportagem e bastante motivada a continuar trabalhando para aproximar cada vez mais nossos educandos de uma realidade que há poucos anos ainda era distante desses sujeitos. Há aproximadamente dois anos coordeno o PROCAMPO - Licenciatura em Educação do Campo no município de Tucuruí - PA e o que aprendi com os alunos não tem preço. O esforço, a dedicação, as discussões baseadas em situações reais de aprendizado e associadas às teorias aprendidas e debatidas em sala de aula deixam quelquer edicador comprometido com o trabalho radiante de felicidade. É uma verdadeira lição de vida!

Julia do Lago Godoi - Postado em 02/03/2011 18:30:59

Um dos momentos mais especiais para mim, foi ver a educação do campo abordada e valorizada nesta prestigiosa revista, levando à relfexão milhares de professores que trabalham nas escolas do campo e mesmo os que não trabalham, a pensarem sobre essa realidade, por vezes esquecida. A Pedagogia da Alternância, pouco conhecida também teve voz, trata-se de uma método ao olhar dos pesquisadores sobre o tema, como a melhor forma para se conceber uma Educação do Campo de qualidade. Para finalizar, gostaria de comentar sobre os avançoes que a Educação do Campo teve desde a LDB, tanto no que se refere à expansão da oferta, como na qualidade, pois, a questão cultural finalmente foi posta como elemento basilar para se consolidar uma educação de qualidade, de acordo com a realidade dos sujeitos que moram nessas comunidades e carecem de um olhar abrangente que reconheça suas especificidades. A Educação do Campo está no caminho certo!

Publicado em NOVA ESCOLAEdição 239, Janeiro/Fevereiro 2011, com o título Mais força ao campo

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