Editado por Beatriz Vichessi
Pessoas com mais de 15 anos - mesmo na condição de alunos - não são crianças crescidas. Da mesma forma que, no trabalho, um senhor de 50 anos não ouve do chefe "Vamos fazer um relatório bem bonitinho", ele não deve vivenciar situações como essa na escola.
O trato infantilizado é um dos motivos da evasão nas turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) e nasce com a ideia equivocada de que se deve dar ao estudante, jovem ou adulto, o que ele não teve quando criança. Por causa disso, é preciso também mudar a abordagem e, muitas vezes, o conteúdo. Trabalhar com material didático infantil sem levar em conta as expectativas de aprendizagem e os conhecimentos prévios é um equívoco com a mesma raiz.
A EJA tem de ser encarada como um atendimento específico, que pede um currículo próprio. Só assim o grupo vai aprender e tomar consciência do que está fazendo. Se o educador quiser abordar a origem do ser humano, deve tratar o tema de forma adulta, com respeito à diversidade religiosa - sem se desviar das propostas curriculares - e aprofundar a discussão científica, mais do que faria numa turma de crianças.
E, embora a necessidade de respeito à vivência prévia valha para todos os alunos, seja lá qual for a idade deles, no caso de jovens e adultos essa é mais uma premissa fundamental. Cantigas e parlendas - usadas na alfabetização dos pequenos - podem ser substituídas por poesias, mais apropriadas para os leitores mais velhos.
Consultoria Sandra Medrano, coordenadora pedagógica do Centro de Educação e Documentação para Ação Comunitária, em São Paulo, SP.
maria izabel alves dos reis - Postado em 30/10/2009 15:07:38
Eu trabalho na alfabetizaçao de adultos a uns 10 anos e vejo muitos colegas de trabalho alfabetizando estes educandos de forma infantil,nao concordo com esta maneira de trabalhar pois eles nao sao alunos da educaçao infantil merecem respeito e sabem o que estao buscando naquela sala de aula que muitas vezes sao improvisadas em saloes paroquiais ou comunitarios.Trabalho com eles listas de supermercados para leitura,escrita e matematica,curiosidades do bairro e ate do Brasil e principalmente sobre a cultura dos mesmos.
Valeria F Pereira - Postado em 26/06/2009 21:29:30
Trabalhei durante algum tempo em uma escola de ensino noturno,e nesse período pude constatar que alguns professores realmente infantilizavam os adultos,até mesmo os livros ditáticos eram os mesmos que eram utilizados com as cçs,ou seja,os textos trabalhados em sala de aula ñ faziam parte do universo daquele aluno;trabalhador e portador de uma experiência considerável.Na verdade,muitos desses alunos retornam aos bancos escolares com vivências desagradáveis com histórias de desvalorização do seu conhecimento e isso tudo vai aos poucos minando a confiança que o adulto tenta estabelecer com o professor.E é exatamente por isso que o material pedagógico precisa ter um conteúdo apropriado,as aulas precisam ser ministradas de uma maneira que corresponda as expectativas do sujeito respeitando e valorizando as experiências que os alunos trazem para o contexto escolar.Tenho uma amiga que está matriculada em uma turma de EJA e de acordo com seus comentários a professora da turma está realizando uma trabalho diferenciado, levando em consideração a bagagem dos estudantes,propondo discussões em sala de aula por meio de apresentações de filmes e utilizando outros recursos que colaboram para a construção do conhecimento formal,enfim fazendo uso de uma abordagem dinâmica e permitindo que os alunos participem e interagindo com seus pares.Ainda existem alguns profissionais que mantêm uma postura mais rígida que resistem as mudanças mas tb existem aqueles profissionais que estão aos poucos renovando a sua metodologia de ensino e isso se chama mudança de paradigma.
iane de jesus carneiro - Postado em 24/06/2009 11:59:07
O colega Adriano foi muito claro em seu posicionamento, mas acho que em muitas ecolas os alunos de EJA são tratados sim como crianças. Basta dar uma olhada nos planejamentos de alguns professores. Concordo ainda com o colega Adriano, quando o emsmo fala da colega Fabiana. É preciso saber a diferença entre LETRAMENTO E ALFABETIZAÇÃO. Ouso a dizer que a colega está muito bem alfabetizada e ainda pouco letrada. Desculpa, mas seu comentário me pareceu muita grosseria com a Silma. Independente da estrutura gramatical do seu cometário creio que o seu contéudo foi bem entendido. E de propósito fiz questão de transgredir algumas das normas tão defendidas por Fabiana. Com isso, não quero dizer que sou a favor do professor que não estudo e conheça a sua língua. Sugiro que a colega leia Preconceito Linguístico de Marcos Bagno e Porque não ensinar gramática nas escolas de Sírio Possenti. Abraços, Iane