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EJA em segundo plano

Modalidade requer mais cuidados e verbas para oferecer boas aulas a quem quer estudar

Verônica Fraidenraich

Foto: IZAN PETTERLE
Estrutura precária Currículo adaptado do
Ensino Fundamental, inadequado para o
público, e professores voluntários sem
qualificação são os maiores problemas da EJA
NOVA ESCOLA 25 anos

Como em diversas áreas descritas nesta edição especial, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) passou por muitas mudanças, com importantes conquistas na legislação nos últimos 25 anos. Porém é difícil fugir da conclusão de que essa modalidade de ensino está relegada ao segundo plano na agenda dos governantes e da própria sociedade. Basta ver as alarmantes estatísticas sobre analfabetismo: 14,1 milhões de brasileiros com mais de 15 anos (9,7% da população) que não sabem ler nem escrever e mais de 38 milhões de analfabetos funcionais, incapazes de entender um texto mais complexo que um bilhete simples.

Os especialistas são unânimes em afirmar que a única forma de melhorar os indicadores é respeitar as especificidades desse público - gente que não terminou, ou nem sequer iniciou, o ensino regular. Entre os problemas apontados, estão o currículo (muitas vezes uma adaptação dos conteúdos do Ensino Fundamental), a formação inadequada dos professores, a prática de convocar voluntários (muitos sem preparo) para alfabetizar jovens e adultos e a polêmica em torno da idade mínima para matricular-se na EJA (hoje é 15 anos, há quem lute para aumentar para 18 anos, numa tentativa de forçar os mais jovens a permanecer nas redes regulares de ensino).

De um lado, a EJA passou a receber mais recursos graças ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), ainda que os valores pagos sejam os menores do sistema. De outro, há uma variedade de programas surgidos nos últimos anos, como Brasil Alfabetizado, Programa Nacional de Inclusão de Jovens (Projovem) e Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), que concorrem com a EJA e revelam as dificuldades de apontar um caminho eficaz para o setor.

O resultado dessa falta de consenso são altos índices de evasão: 42,7% dos 8 milhões de brasileiros que frequentaram classes de EJA até 2006 não concluíram nenhum segmento do curso, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2007. E, tão preocupante quanto, a redução no total de matrículas nesse segmento: de 3,5 milhões de estudantes, em 2006, para 2,8 milhões, no ano passado, apenas no Ensino Fundamental. Mudar essa realidade é essencial para garantir que o Brasil ocupe um lugar de mais destaque no cenário internacional.

Gráfico: Fábio Luca
Fontes Edudata e Censo Escolar 2010

Uma pergunta para Maria Clara di Pierro

Foto: Arquivo pessoal

Professora da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Quais são os desafios da EJA?
Pensar em um modelo mais flexível de escola, conectado com a vida. Além disso, investir na formação docente, com mais disciplinas obrigatórias e optativas na graduação. Afinal, o papel desses professores não é preparar os estudantes para o futuro, como ocorre com as crianças, mas ter um olhar mais sensível a tudo que é relevante para esses jovens e adultos, da saúde à religiosidade.

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marcos pinheiro - Postado em 11/10/2011 17:58:57

O Bolsa Familia tem sido de grande ajuda para ajudar os pais para que possam manter seus filhos no colegio. Assim dar segurança ao estudante em busca de uma formaçao de qualidade. Espero que este modelo sirva para que muitos deles tem onde recorrer.

marcos pinheiro - Postado em 06/10/2011 17:36:02

Muitas vezes nos deparamos com um quadro de abandono nos grandes centros urbanos. Sao adolescentes, jovens e adultos que experimentam todo um tipo de drogas, mas sem uma perspectiva de um futuro melhor para suas vidas. Nao temos que ficar ouvindo mil promessas que nao serao cumpridas depois. A educaca;ao tem sido umas das for;as em que aparecem inumeras promessas que nao serao concretizadas. Fica assim este desabafo como nossa realidade nao qual estamos vendo.

marcos pinheiro - Postado em 06/10/2011 17:29:44

O abandono aos estudos tem justifi- cativas obvias na medida em que deparamos com questoes sociais, como violencias domesticas, que impedem do estudante dar continui- dade aos seus estudos. O EJA tem sido uma porta de resgate para esses estudantes, para que eles se sentem estimulados e, ao mesmo tempo, adquirem sensos e dominios de escrita e leitura. E tambem possam ter opinioes e criticas, como posturas para que nao sejam aliena- dos diante de uma possivel falta de perspectativa.



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Publicado em NOVA ESCOLAEdição 239, Janeiro/Fevereiro 2011, com o título Em segundo plano

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