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Nossos futuros professores

Resultados da pesquisa confirmam mudança de perfil entre os que escolhem a docência. Maior parte dos candidatos vem de famílias de baixa renda e pouca escolarização, estudou em escola pública, trabalha para pagar a graduação e faz parte de um grupo com fraco repertório cultural

Fernanda Salla e Rodrigo Ratier

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=== PARTE 1 ====

Diversos estudos recentes indicam que está se consolidando um novo perfil de candidato à docência: mais empobrecido, estudante de escola pública e com pequena bagagem cultural. As informações da pesquisa Atratividade da Carreira Docente no Brasil confirmam esse panorama. Na sondagem da FVC/FCC, apenas 31 dos 1.501 estudantes pesquisados desejam ser professor. Alguns achados saltam aos olhos. Dos 31 alunos que querem ser professor, 27 (87% do total) são de escola pública. E a grande maioria, 24 (77%), é mulher.

Em relação à escolarização, a tendência é que, quanto maior o nível de instrução dos pais, menor a intenção de ser professor. Entre os que se declaram candidatos à docência, cerca de metade tem pai que chegou a cursar além do Ensino Fundamental. Entre os que não pretendem ser professor, esse percentual sobe para 68%. Os pais com Ensino Superior também são mais numerosos entre os que não querem atuar em sala de aula: 31%, contra 16% dos que escolheram a docência como profissão.

As estatísticas oficiais apontam na mesma direção. De acordo com dados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) de Pedagogia, cerca de 80% cursaram o Ensino Médio em escola pública (68% só estudaram nesse tipo de instituição) e 92% são mulheres. Em termos socioeconômicos, 39% vêm de famílias com até três salários mínimos de renda mensal (a maioria, 50%, situa-se na faixa entre três e dez salários) e três em cada quatro trabalham (saiba mais no quadro da página seguinte).

=== PARTE 2 ====
=== PARTE 3 ====

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Sara Barbosa Bertaglia - Postado em 15/03/2010 17:31:48

Apesar de as estatísticas apontarem o novo perfil dos docentes, acho que a maneira como a matéria foi publicada foi um tanto agressiva. É como se fosse um "pecado" um aluno de escola pública, filho de pais com pouca escolaridade e que trabalha para pagar os estudos, optar pela carreira de professor. Há, sim, questões preocupantes que precisam ser discutidas e trabalhadas como o fato de grande parte ter obtido notas baixas no ensino médio e ter pouco conhecimento da língua inglesa, porém, ser mulher (como 92% dos entrevistados na pesquisa) ou ter renda familiar inferior a três salários mínimos e trabalhar, não é uma justificativa válida para desqualificar os docentes. Meu pai estudou até a 4ª série e minha mãe completou a 8ª por meio do supletivo. Sempre estudei em escola pública (com exceção do antigo pré, que fiz em uma particular) e atualmente sou formada em Secretariado Executivo Bilíngue, curso este que paguei com meu trabalho. Porém, pelo fato de não me identificar com a profissão (que admiro muito e atualmente paga meu salário), resolvi ingressar em 2009 no curso de pedagogia (que faço no período noturno e também pago sozinha) por ser uma vocação. Não me arrependo. Minhas notas têm sido excelentes e tenho plena convicção de meu potencial como educadora. Por isso, gostaria de sugerir, gentilmente, à equipe da revista que tomasse um pouco mais de cuidado com a forma que publicam esse tipo de reportagem, pois podem, não intencionalmente, ferir muitos bons profissionais e estudantes de pedagogia e licenciatura que tiveram perfil semelhante, além de transmitir a ideia de que ser professor cabe apenas aos que são de elite e estudam em universidades públicas (ou particulares desde que se dediquem somente a isso), sem terem de trabalhar. Isso pode desmotivar a muitos! Obrigada por este espaço de interação.

Sergio Lopes da Silva - Postado em 10/03/2010 03:30:05

Fiquei chateado com a triste estatística. Não posso negar a grande probabilidade de ser exato o resultado da pesquisa por que minha família foi de baixa renda, sempre estudei em escola pública e pago curso de graduação. No entanto, já prestei vestibular em faculdade pública estadual e passei, descobri que não era aquilo que eu queria, agi com o coração e resolvi estudar história, curso que termino agora no primeiro semestre de 2010. Infelizmente (ou felizmente) trabalho numa estatal, onde entrei por concurso público (fato curioso pra quem faz parte de 2%) e tenho uma função de chefia; dificilmente conseguirei uma remuneração como a minha como professor. Ser oríundo de família de baixa renda, estudar em escola pública e pagar pela graduação não tira o mérito de ninguém, muito pelo contrário. Acredito que a revista poderia trazer reportagens que incentivassem mais os profissionais da área.

silvana tomba baldim - Postado em 04/03/2010 10:42:10

Há um ano me formei em Letras e logo fui chamada para dar aula numa escola particular. Estava trabalhando com o ensino médio e no 3° ano não havia nem um aluno que iria prestar vestibular para licenciatura. Esta pesquisa é corretíssima e acredito também que este deve ser um dos motivos desta decadência no ensino....



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Publicado em , Fevereiro 2010,

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