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O Brasil não pode mais perder bons professores

Mudanças estruturais são fundamentais para manter os docentes na rede pública e atrair os jovens para o Magistério

Com apuração de Paula Peres. Editado por Elisa Meirelles

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Reflexos no ingresso na carreira

Os mesmos problemas que levam muitos educadores a mudar de área ajudam também a explicar o baixo interesse dos jovens pela profissão. Segundo o Censo da Educação Superior, o número de brasileiros que cursa o Ensino Superior vem crescendo, mas a quantidade de pessoas que ingressa em áreas ligadas à docência não aumenta na mesma proporção. De 2011 a 2012, as matrículas em cursos de graduação em geral cresceram 4,4% mas nos de Licenciatura o porcentual foi de 0,8%. Ao analisar quem conclui o nível superior, os números preocupam ainda mais. No mesmo período, o total de pessoas que terminou a Licenciatura caiu 6% no país, enquanto as outras áreas apresentaram crescimento (leia o gráfico abaixo).

Ao questionar estudantes que estavam terminando o Ensino Médio sobre o futuro, a FVC e a FCC constataram que apenas 2% indicavam graduações diretamente ligadas à escola como primeira opção no vestibular. Os jovens reconheciam a importância do professor, mas afirmavam que a profissão é desvalorizada pela sociedade e possui uma rotina desgastante e desmotivadora. Muitos haviam chegado a essas conclusões ao observar as dificuldades que seus próprios docentes enfrentavam no dia a dia.

Além da resistência inicial, há ainda quem ingresse na Pedagogia ou faça Licenciatura sem ter a carreira de professor como foco. O estudo Atratividade do Magistério para a Educação Básica, realizado pela pesquisadora Luciana França Leme com estudantes da Universidade de São Paulo (USP), mostra que 52% dos alunos de Licenciatura em Física e 48% dos de Matemática não querem lecionar ou têm dúvidas quanto a seguir a carreira. Na Pedagogia, o índice fica em 30%. Entre os fatores que os levam a questionar a profissão está o receio de não entrar em uma escola conceituada, em que tenham autonomia para criar projetos e fazer um trabalho pelo qual sejam reconhecidos.

Voltamos, portanto, ao argumento inicial. Sem perspectivas convidativas de formação, carreira e condições de trabalho, é muito difícil reverter esse quadro. Um avanço importante está expresso no Plano Nacional de Educação (PNE), em votação no Senado Federal. O texto coloca, nas metas 15 e 16, a importância da formação inicial e continuada. Na meta 17, defende-se a equiparação salarial dos professores com outras carreiras de nível superior e, na 20, a necessidade de ampliar os investimentos na área para garantir que essas ações sejam colocadas em prática. Acompanhar e cobrar a aprovação de cada uma dessas metas é, portanto, fundamental.

Ensino Superior
Número de concluintes da licenciatura não cresce na mesma proporção que os das demais áreas

Número de concluintes da licenciatura não cresce na mesma proporção que os das demais áreas
Fonte Censo da Educação Superior

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Publicado em NOVA ESCOLA Edição 267, Novembro 2013.
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