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O Brasil não pode mais perder bons professores

Mudanças estruturais são fundamentais para manter os docentes na rede pública e atrair os jovens para o Magistério

Com apuração de Paula Peres. Editado por Elisa Meirelles

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Mudanças estruturais são fundamentais para manter os docentes na rede pública e atrair os jovens para o magistério. Benett

Nos últimos meses, dois temas tomaram as manchetes dos jornais. De um lado, surgiram registros cada vez mais frequentes de exoneração de professores na rede pública em diversos estados e municípios. De outro, o número de jovens interessados em ingressar em carreiras ligadas à Educação não acompanhou o aumento em outras áreas de nível superior. Em comum, essas reportagens têm o problema que retratam: a desvalorização do Magistério.

O assunto não é novo, mas vale retomá-lo e colocar luz sobre aspectos que precisam ser discutidos e modificados. O estudo Teacher Status Index, realizado este ano pela Fundação Varkey Gems em 21 países, ajuda a entender onde está o problema. Os pesquisadores avaliaram o status do professor e encontraram respostas contraditórias no Brasil. Enquanto o país é o que mais confia nele como profissional capacitado a dar uma boa Educação aos alunos, menos de 20% dos entrevistados encorajariam os filhos a seguir a carreira docente. Na China, o índice é de 50%.

As respostas mostram que o discurso da valorização da Educação, infelizmente, está dissociado da profissão de professor. Fala-se muito na importância do docente, sem que se discuta, em igual proporção, aspectos ligados a formação, carreira e condições de trabalho. Sem esse olhar atento, a escola vai pouco a pouco perdendo suas equipes.

A pesquisa Desistência e Resistência no Trabalho Docente, de Andréa do Rocio Caldas, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), com professores da rede municipal de Curitiba, mostra que os fatores para o abandono da profissão são velhos conhecidos de todos: baixos salários, problemas físicos e psicológicos, infraestrutura escolar precária, violência no ambiente de trabalho, pressão e cobrança por resultados, sentimento de desvalorização da profissão pela sociedade e falta de apoio das famílias dos alunos.

Essas questões se refletem em números. De acordo com a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais, até agosto deste ano houve 1.283 pedidos de exoneração na rede pública - uma média de cinco por dia. Como parte dos professores acumula funções, não há como afirmar precisamente quantos docentes deixaram as salas de aula, mas trata-se de um porcentual considerável. Casos semelhantes se repetem em outros estados e municípios. No Rio de Janeiro, segundo o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação, 542 professores haviam pedido exoneração até setembro. A quantidade difere da conta apresentada pela Secretaria de Estado de Educação, que fala em uma média de 350 ao ano. Número semelhante é apontado pela Secretaria de Estado do Paraná. Em Mato Grosso, em 2012, foram 107.

Os dados apontam para outro fator crucial: a formação docente. Estudo das fundações Victor Civita (FVC) e Carlos Chagas (FCC) mostram que muitas faculdades de Pedagogia não dão ao universitário o embasamento teórico para lidar com as diferentes etapas da aprendizagem. Já os cursos de Licenciatura estão preocupados em trabalhar o conteúdo das disciplinas e esquecem as didáticas.

Faz-se necessário, portanto, rever os currículos. Cabe à universidade formar professores que dominem os conhecimentos sobre o objeto de ensino, a forma com que o aluno se aproxima dele e as condições didáticas e intervenções necessárias ao seu avanço. A regra vale, também, para a formação continuada. Rede e coordenação pedagógica têm de ser vistas como parceiras do docente no ofício de ensinar, não como atores que cobram resultados, sem ajudar a alcançá-los.

=== PARTE 2 ====

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Publicado em NOVA ESCOLA Edição 267, Novembro 2013.
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