Gustavo Oliveira
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a Prova Brasil
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O Ministério da Educação (MEC) atribui a 4,2 milhões de alunos brasileiros do Ensino Básico (15% do total) um Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) que não reflete, de fato, a qualidade de sua aprendizagem. Eles estudam nas 88 mil escolas rurais do país (45% do total). As turmas de 4ª e 8ª séries desse universo não fazem a Prova Brasil, como ocorre com os colegas das áreas urbanas. O resultado da Prova é o principal componente qualitativo da fórmula de cálculo do Ideb. Por isso, localidades onde o ensino rural é predominante podem estar com o índice inflacionado por notas que consideram apenas a minoria urbana. Essa distorção as tira da lista de municípios prioritários do MEC e as priva dos investimentos e ações emergenciais que vêm sendo realizadas.
Para tentar reduzir a imprecisão, o MEC compõe o cálculo do Ideb com os resultados do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Porém, feito por amostragem, o Saeb permite recortes apenas por estado ou por rede de ensino, dentro do estado. Nunca por município, muito menos por escola.
No ensino rural, segundo dirigentes do MEC - e como indicam os próprios resultados do Saeb -, estão presentes inúmeras dificuldades que fazem cair o nível de aprendizagem dos alunos. As principais dizem respeito a formação de professores, a infra-estrutura, a transporte e a oferecimento de material didático adequado à realidade no campo.
Apesar de admitir o problema, de afirmar que ele precisa ser corrigido e que já há soluções em estudo, o MEC não tem data definida para incluir as escolas rurais na Prova Brasil.
Nesta reportagem, você vai conhecer quatro municípios (com 9.372 alunos matriculados no campo) para os quais é evidente a necessidade de investimentos. Em três deles, o cálculo do Ideb leva em conta a minoria dos alunos - os que estudam na área urbana. Já em Palmeiras (BA), como acontece em outros 156 municípios brasileiros, o Ideb sequer foi calculado. No caso do município baiano, o índice não existe porque não há escolas urbanas de Ensino Fundamental. Numa quinta história, a de Catas Altas (MG), a solução foi radical: as escolas do campo foram fechadas (leia abaixo). Mas eram apenas duas, onde estudavam 14 alunos, que hoje têm transporte à disposição para levá-los à cidade. Não é, certamente, a solução para a imensa zona rural brasileira.
SÓ URBANAS
Em Minas Gerais, o município de Catas Altas resolveu o problema de suas duas escolas rurais com uma decisão radical: fechou-as em 2006 e transferiu seus 14 estudantes para a cidade. "Tínhamos um problema grave porque os alunos que vinham do campo para continuar os estudos na cidade não conseguiam acompanhar o ritmo, pois enfrentavam uma realidade muito diferente da que estavam acostumados", conta a secretária de Educação Elaine Rodrigues de Paula.
Elaine, que foi professora da zona rural da cidade antes de assumir a secretaria, acredita que o principal desafio na Educação do campo é a formação. "Muitas escolas rurais são multisseriadas e os professores não estão preparados para enfrentar essa realidade. Cuidar sozinho de uma turma com alunos de diferentes séries exige uma didática diferenciada e uma atenção especial para cada estudante que quase nunca é possível dar. Além de muitos professores acabarem arcando com tarefas como limpeza da escola e preparação da merenda", diz. Dos 56 professores que atuam no município, menos da metade possui curso superior.
A secretária de Catas Altas acredita que o MEC mascara a realidade educacional quando não leva em conta as escolas rurais no Ideb. "Lá, nas escolas rurais, é que estão os problemas mais graves. Não incluir essas escolas é fechar os olhos e deixar tudo na mão dos municípios", avalia.
Sandra Galvani - Postado em 14/04/2009 18:12:33
Concordo com o gustavo ao colocar da importância das escolas rurais participarem da Prova Brasil. Sou diretora de uma escola rural há 13 anos e acredito que teríamos condições de realizar esta avaliação, que além de fazer do cálculo do IDEB poderíamos avaliar o processo de ensino aprendizem ocorrido em nossa Unidade Escolar. Creio que nossa escola tem um particular em relação a grande maioria das escolas rurais brasileiras : sofreu o processo de nucleação, desde 1995 o que é um diferencial. Os governantes precisam estar mais atentos a educação rural pois, é possível termos educação justa, digna e de qualidade para os alunos da zona rural. Basta acreditar e valorizar.