Cinthia Rodrigues e Rodrigo Ratier

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Avançamos. À primeira vista, a conclusão que se extrai dos mais recentes resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), relativos a 2009 e divulgados em julho último, é positiva. Em relação à medição anterior, de 2007, a qualidade do ensino evoluiu em todos os níveis de ensino. Numa escala que vai até 10, pulamos de 4,2 para 4,6 nos anos iniciais do Ensino Fundamental, de 3,8 para 4 nas séries finais e de 3,5 para 3,6 no Ensino Médio. Nas três etapas, a tendência é de alta, numa subida que ocorre desde 2005 e supera as metas estipuladas para o período. As razões para celebrar param por aí.
Os mesmos números deixam claro que a melhora é muito tímida. A constatação vale para os dois indicadores que compõem o Ideb. No primeiro deles, a taxa de fluxo escolar (que representa o número de alunos que passaram de ano e se matricularam na série seguinte), a melhoria em relação à última medição não passou de 3,5%. E no segundo, a Prova Brasil, a subida não ultrapassou os 7,4%. Isso, claro, no caso em que os índices melhoraram: em 1.146 cidades avaliadas (21% do total), os resultados do Ideb pioraram em relação a 2007.
Nesse ritmo, ainda estamos a anos-luz da nota 6, um padrão definido como aceitável para os membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o clube das 30 nações mais desenvolvidas do planeta. Pelo projeto do Ministério da Educação (MEC), que sabe que mudanças profundas são lentas, só chegaremos a esse nível no longínquo ano de 2021. É triste notar que, por enquanto, apenas 6,7% das escolas públicas de séries iniciais do Ensino Fundamental e 0,3% das de séries finais já têm qualidade de primeiro mundo.
O dado mais preocupante aparece quando voltamos um pouco mais ao passado para analisar quanto os alunos aprendiam no passado e quanto aprendem hoje. Comparando os resultados de dois exames nacionais - a Prova Brasil e seu antecessor, o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) -, o que se percebe é que cinco das seis médias de Matemática e Língua Portuguesa estão hoje em patamar inferior às de 1995 (como mostram os gráficos abaixo). É verdade que uma comparação exata não é possível porque a Prova Brasil é praticamente universal e envolve 40 mil escolas, enquanto o Saeb trabalha com uma amostra menor, de 10 mil escolas. Mas a escala de pontuação e o foco são semelhantes (leitura em Língua Portuguesa e resolução de problemas em Matemática), o que dá força a uma constatação incômoda: no que diz respeito ao aprendizado, ainda estamos piores do que 15 anos atrás.
Sorriso amarelo
Avaliações nacionais indicam que o aprendizado de Língua Portuguesa e Matemática ainda não retornou ao nível do início das medições, há 15 anos

Todos os especialistas concordam que a queda na virada do milênio se explica pelo aumento da oferta de ensino nos anos 1990. De fato, apenas em 1999 chegamos ao patamar de 97% das crianças de 7 a 14 anos na escola. Mas lá se vão 11 anos e os filhos de famílias pobres que foram na época incluídos não podem ser responsabilizados pelos baixos índices... É hora de virar a página. Uma boa providência é investigar o que nossos alunos sabem e, principalmente, o que não sabem e precisam saber.
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Nilcilene Aparecida dos santos - Postado em 21/08/2010 16:51:20
Realmente não podemos nos enganar pois vivemos no país das trapassas que não medem esforços em manter as aparências. Digo isso com esperiência própria ,as escolas não querem perder tempo em pôr em prática o ensino tão sonhado que é o de qualidade para a vida.Chegando próximo às avaliações externas as escolas caem na maratona de treinagem de seus alunos para um falso alcance de um percentual que as mantenham no pedestal porém o faz de conta contribui cada vez mais para uma educação de massa rumo ao aumento das patologias sociais .So tenho a lamentar´´ESTE É O MEU PAÍS´´.
evanize pereira dos santos - Postado em 17/08/2010 10:41:44
Realmente é muito triste, saber que ainda não conseguimos chegar lá...... sou coordenadora de uma escola municipal em Olinda, cidade que obteve menor indice de Pernambuco, sabemos que os motivos são muitos para os baixos indices do IDEB mais estamos lançando campanhas de criação de ações baseadas em esperiencias de outros estados que conseguiram uma média satisfatória para reverter esse quadro tão doloroso para nossa cidade e nossas crianças.
Joel Farias - Postado em 08/08/2010 23:38:45
REALMENTE NÃO DÁ PARA COMEMORAR! Os índices atingidos pelas nossas crianças são uma piada. Houve uma melhora? SIM! Claro! Conseguimos passar de um "Ruim Extremamente Obsceno" para um "Péssimo Indecente Horroroso". Vamos comemorar o que? Os testes nacionais são bons porque mostram a precariedade do nosso ensino e, bem ou mal, permitem algum tipo de comparação com os anos anteriores. Todavia tenho sérias restrições quanto ao conteúdo e forma como são aplicados. Haveria um critério sério em se manter o grau de dificuldade constante? Existem decisões políticas por trás da elaboração destes testes? Existe vontade política em melhorar nosso ensino ou apenas mostrar índices cada vez melhores? Não sei. É por isto que devemos olhar os testes do PISA, onde as provas são preparadas por uma organização internacional para comparação do ensino entre países. Vejamos o teste do PISA de 2006. Os cinco primeiros colocados: 1-Finlândia, 2-Japão, 3-Hong-Kong, 4-Canadá, 5-Coréia. Olhando a tabela adiante (muito adiante!) encontramos: 38-Portugal, 42-Chile, 43-Uruguai, 51-México, 53-Argentina, 54-Colômbia e, finalmente¿ 56-BRAZIL !!! Esta é a VERDADEIRA REALIDADE DO NOSSO ENSINO! Mas, alegrem-se educadores! No primeiro PISA (2003) que participamos, o Brasil ficou em ÚLTIMO LUGAR! SIM! Em 37 países participantes ficamos exatamente com um honroso 37º lugar!!! Agora nossa situação melhorou um poquinho: mais países participaram e ficamos em 56º !!! Mas, se serve de consolo, não fomos mais os últimos! Atrás do Brasil estão: 57-Azerbaijão, 58-Qatar e 59-Kyrgyzstan! (nem sei como se escreve o nome deste país em português! Sinceramente? Tenho vergonha do nosso ensino! Alguém aceita que o Chile, México, Argentina, Uruguai e até a Colômbia estejam na frente do Brasil? EU NÃO! Mas pelo menos nosso futebol é melhor que o deles, não é? Grande coisa!