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Turno e contraturno na escola

Aos professores do contraturno, cabe integrar e diversificar as atividades matutinas e vespertinas, garantindo (se necessário) o foco no currículo

Ana Rita Martins

Fotos: Marcelo Almeida
NO TURNO De manhã, os alunos da CE João Bettega estudam em História as tradições do Paraná. Fotos: Marcelo Almeida

As crianças brasileiras não passam, em média, mais de quatro horas por dia nas unidades de Ensino Fundamental, segundo um levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgado em abril. É pouco. E a própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) pede a ampliação desse tempo. 

Para reverter o quadro, experiências para estender o período começam a aparecer no país. São projetos que integram atividades ao turno escolar para engordar a carga horária dos estudantes, que podem alcançar até oito horas. 

Em alguns casos, o professor opina na divisão da grade de disciplinas e oficinas. Mas, normalmente, essa decisão fica a cargo de cada Secretaria de Educação. "No geral, existe a supervalorização das tarefas mais livres, como as oficinas, brincadeiras e ações com a comunidade. Elas são importantes, mas não são tudo", explica Maria do Carmo Brant de Carvalho, coordenadora geral do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), em São Paulo. Já as aulas relacionadas ao currículo, essenciais para complementar os estudos, ficam em segundo plano, sem conexão com o turno e tidas como uma amolação. 

Quem atua no contraturno deve tomar alguns cuidados para evitar problemas como esse e ter bom desempenho. "O primeiro passo é procurar o coordenador pedagógico ou o docente do turno responsável pelo assunto que vai ser tratado nas aulas para discutir as abordagens possíveis", diz Ercília Angeli, professora do Departamento de Educação da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e estudiosa do tema.

Integração dos turnos, mas sem dependência  

Fotos: Marcelo Almeida
NO CONTRATURNO À tarde, a mesma turma aprende os passos do fandango, uma dança tradicional no estado

Mesmo quando o diálogo não for possível, cabe ao docente ter a preocupação de unir as etapas matutinas e vespertinas e, com base nos conteúdos curriculares, montar trabalhos produtivos. Uma ideia é usar abordagens diversificadas para tratar os assuntos necessários. 

A professora de História Wilma Fontana de Souza, do CE João Bettega, em Curitiba, colocou as sugestões em prática. Com a ajuda da coordenação, montou com as turmas de 7ª e 8ª séries um projeto sobre cultura regional, complementando o trabalho no turno. De manhã, os alunos aprenderam sobre as influências portuguesas. À tarde, vivenciaram com Wilma como ela se traduziu no modo de vida brasileiro, aprendendo a dançar o fandango - dança regional trazida pelos colonizadores, pouco conhecidas dos alunos e incorporada à cultura paranaense. 

O projeto foi aprovado pelo governo, que avalia atividades propostas pelos educadores para o contraturno e os classifica de acordo com três eixos: científico-cultural e expressivo-corporal, além de integração entre comunidade e escola. 

Essa integração deve contaminar todas as disciplinas. No CIEP Frei Veloso, no Rio de Janeiro, a professora de Educação Física Catarina Ferreira trabalha a percepção do corpo com alunos da 1ª e da 2ª série. Ela realiza, no turno, circuitos com pneus, arcos e bolas para exercitar a coordenação motora. No contraturno, aposta em atividades como as brincadeiras em que as crianças ouvem músicas que pedem determinados movimentos, complementando o trabalho. 

Como alternativa, tarefas mais livres são indicadas. No João Bettega, a professora de Língua Portuguesa Roseli Albini Petersen promove semanalmente a atividade Fórum de Discussões, em que alunos e pais debatem temas como violência. "O envolvimento da família melhora a aprendizagem", relata Maria de Salete Silva, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) no Brasil.

Quer saber mais?

CONTATOS
CE João Bettega, R. Visconde do Ferro Frio, s/nº, 81050-080, Curitiba, PR, tel. (41) 3246-9731
CIEP Frei Veloso, R. Franklin Távora, s/nº, 21710-030, Rio de Janeiro, RJ, tel. (21) 3338-8579
Ercília Angeli
Maria de Salete Silva
Maria do Carmo Brant de Carvalho

BIBLIOGRAFIA
Educação Brasileira em Tempo Integral, Ana Maria Villela Cavaliere, 240 págs., Ed. Vozes, tel. (24) 2233-9000, 41 reais

Monica de Albuquerque Valença Fontebasso - Postado em 05/05/2011 11:38:09

Pensar na criança, adolescente e no jovem, como um ser integral, que precisa ser trabalhado por completo, proporcionar alternativas de ações no campo social, cultural, esportivo e tecnológico. A escola não mais sozinha. A participação e construção coletiva dos moradores, os serviços públicos, projetos socioeducativos localizados num mesmo territorio articulados e agindo em conjunto proporcionará uma educação integral e ápenas na ampliação do tempo na escola.

Nome não registrado - Postado em 16/02/2011 18:37:11

Por gentileza , gostaria que me respondessem sobre a situação do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) como se relaciona com o Contraturno ou segundo turno da educação, se os dois programas poderão funcionar em simultaneamente ou se o PETI terá que ser erradicado e assim ficaria funcionando somente o Contraturno com o mesmo público do PETI?

Karin Elisabeth Földes - Postado em 17/09/2010 21:22:15

A idéia é ótima, já que muitas crianças ficam sozinhas sem a supervisão de um adulto no contraturno. Mas o importante é haver uma infra-estrutura para isso, não adianta "jogar" o período integral como fez o atual Governo de S. Paulo deixando as escolar virarem um verdadeiro inferno. Como qualquer coisa na vida, se bem planejado e estruturado, será ótimo.



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Publicado em NOVA ESCOLAEdição 223, Junho 2009,

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