Assine Nova Escola
Loading
NAS BANCAS
assine
capa capa
publicidade
anuncie!

O aprendizado do trabalho em grupo

O professor pode ensinar a turma a cooperar, escolher e decidir ao mesmo tempo em que dá conta dos conteúdos das disciplinas

Luis Carlos de Menezes

Foto: Marcos Rosa
"Para promover a autonomia, é preciso propor à classe atividades coletivas mais estruturadas do que as aulas expositivas."

Na família e na vida profissional e social, é preciso saber se expressar, consultar, questionar, fazer planos, tomar decisões, estabelecer compromissos e partilhar tarefas. Essas ações, envolvendo aspectos práticos, éticos e estéticos, podem ser relativamente simples, como é o caso de escolher o que preparar para uma refeição ou um trajeto. Outras vezes, são complexas, como estabelecer prioridades num orçamento e atribuir responsabilidades na realização de um projeto. Na escola, atividades em grupo qualificariam para desafios como esses, tão necessários na vida social. Mas isso frequentemente esbarra em obstáculos.

Quem acha que o papel do professor é só "passar" conhecimentos talvez veja a aprendizagem ativa e interativa como um devaneio teórico ou como ilusões de certas propostas pedagógicas. Isso, na prática, reduz o ensino à instrução individual em massa, quando as classes não são coletivos de trabalho cooperativo. Essa visão leva a uma prática em que só o professor tem a palavra e a interação dos estudantes é desprezada. Por isso, as turmas são simplesmente reunidas - não se pensa em construí-las. Atitudes dessa natureza, aliás, têm o respaldo de famílias que veem um convite à diversão quando se abre espaço à participação dos filhos.

Já quem reconhece a importância dessa participação ativa e interativa e se dispõe a promovê-la em situações reais enfrenta bem o desafio de colocá-la em prática mesmo em classes numerosas - como mostrou a reportagem Como Agrupo Meus Alunos?, capa da edição de março de NOVA ESCOLA. Para promover a autonomia, não bastam materiais didáticos e um professor protagonista. É preciso propor à classe atividades coletivas mais estruturadas do que as aulas expositivas, pois todos devem estar motivados e conscientes do sentido delas.

Para isso, cabe ao professor atuar com seus colegas e com a coordenação pedagógica, aliás, com a mesma dinâmica que pretende propor em sala de aula. Além de se perguntar "de que forma a atividade em grupo melhora o ensino da minha disciplina?", é necessário formular outra: "De que forma minha disciplina pode promover nos grupos a aprendizagem cooperativa?" Sim, é possível também ter a disciplina a serviço dessa formação coletiva e não apenas o inverso. Com isso, tem-se o foco na aprendizagem e no desenvolvimento da turma, não somente no ensino de conteúdos.

É claro que nem tudo deve ser feito de forma coletiva, pois são igualmente essenciais a exposição do professor e tarefas individuais de crianças e jovens, mas é preciso compor esses momentos articulando com coerência as ações pessoais e coletivas. Essa construção conceitual e afetiva depende do trabalho em grupo, em que se desenvolvem afinidade e confiança, identificam-se potencialidades e aprende-se com os demais. Com a diversificação do planejamento, são contempladas as diferentes necessidades e propensões dos alunos. Não só na rede pública, mas especialmente nela, os mais beneficiados por essa construção são os que vêm de contexto cultural limitado, sem outras oportunidades que não as da escola para a sua emancipação.

As boas escolas desenvolvem práticas apropriadas a cada faixa etária. Isso porque é bem diferente desenvolver conteúdos de instrução em atividades cooperativas se for uma classe de alfabetização com professora única ou se for uma sala de adolescentes com vários professores de disciplinas. Mas a prática faz sentido desde a Educação Infantil até a pós-graduação. Aliás, logo mais estarei com quase 40 mestrandos, que não esperam minha chegada para começar a aula. Já estarão discutindo as leituras da semana em seus grupos de referência. Atitudes semelhantes podem ser encontradas em diferentes cursos, famílias e empresas, mas sempre em coletivos que valorizem a autonomia e a cooperação.

Luis Carlos de Menezes

É físico e educador da Universidade de São Paulo (USP).

Nome não registrado - Postado em 22/08/2011 23:27:02

As idéias propostas pelo professor Luis Carlos De Menezes são ótimas e muito contribuem para o trabalho em sala de aula,pois as atividades em grupo proporcionam aos educandos um envolvimento com a vida social,por exemplo nas tomadasde decisões e na forma de se expressar no dia- a- dia. É importante a participação do aluno na construção do seu próprio conhecimento, e nesse tipo de aividade o aluno aprende a se relacionar e a respeitar as opiniões do outro,efetivando assim sua aprendizagem e a dos colegas.

Edson Carvalho Morais - Postado em 21/08/2011 20:48:37

Edson Carvalho Morais A ideia do prof. Luiz Carlos sobre o cooperativismo entre alunos pode ser ampliada para o aluno monitor, aquele que tem facilidade de aprender pode ser um multiplicador do conhecimento ao ajudar os seus colegas que tem dificuldade de aprendizagem.

claudete da cruz - Postado em 21/08/2011 12:41:28

Muito interessante as colocações do professor L. de Menezes em relação ao trabalho em grupo. Hoje, o que vemos de verdade, é um aglomerado de alunos que se aproveitam da ocasião para falarem de assuntos banais, fora do contexto a ser trabalhado. Por isso, se o professor não conscientizar os alunos da importância daquele conteúdo, relacionando-o ao mundo que os cerca e orientar passo a passo a execução deste tipo de pesquisa, só se sentirá frustrado e não vai atingir nem as metas de aprendizado dos alunos, nem a autonomia deles. Parabéns ao professor Menezes que com muita maestria expôs o problema e trouxe a cada educador a consciência para um efetivo e estruturado trabalho em equipe. Abraços, sua admiradora Claudete da Cruz



Leia todos
Publicado em NOVA ESCOLAEdição 222, Maio 2009,

PATROCÍNIO Patrocinadores Editora Scipione Editora Ática Edições SM Editora Positivo
Expediente Termos de uso Assinaturas para secretarias de Educação Anuncie Fale conosco Trabalhe conosco Dúvidas frequentes
Fundação Victor Civita - 25 anos
Fundação Victor Civita © 2012 - Todos os direitos reservados.