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Repetência: um erro que se repete a cada ano

Reter o aluno é uma solução fácil que o Brasil aplica como nenhum outro país. Quem fracassa, no entanto, é o nosso sistema de ensino

Ronaldo Nunes

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=== PARTE 1 ====
Montagem Mariana Coan sobre foto Gregg Segal/Stone/Getty Images
BURRO É O SISTEMA Obrigar uma criança a refazer um ano letivo não a ajuda a aprender.
Montagem Mariana Coan sobre foto Gregg Segal/Stone/Getty Images

Em todas as escolas do mundo, existem alunos melhores - e outros, piores. Professores, coordenadores pedagógicos e diretores têm a missão de garantir que todos avancem. Em muitos países, esse caminho inclui reforço, aulas de recuperação e treinamento para professores. No Brasil, há muitos e muitos anos a solução passa pela repetência. O Relatório de Monitoramento da Educação para Todos, lançado este ano pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), mostra que a taxa de reprovação no Ensino Fundamental é de 18,7%. O número é espantoso. Um de cada cinco precisa voltar à estaca zero no ano seguinte. Isso dá perto de 7 milhões de crianças e jovens. Não há nada parecido no planeta (média de 2,9% de reprovação).

É uma vergonha antiga. E é uma vergonha cara. Na década de 1980, perto de 36% dos estudantes repetiam de ano, em média. O número vem se reduzindo (era de 30% nos anos 1990) - mas a má notícia é que, na 8ª série, em vez de cair, voltou a subir (como mostra o gráfico abaixo). E o mesmo se observa no Ensino Médio: o número era de 6%, em 1998, e chegou a 12,7%, em 2007, mais que o dobro. O custo disso é de 10 bilhões de reais por ano. Sem falar nos prejuízos para todos esses alunos. E para as escolas... A verdade é que a reprovação traz prejuízos para todos os envolvidos: além dos gastos já mencionados, aumenta o número de estudantes por sala, os alunos menores são obrigados a conviver com colegas mais velhos e os repetentes perdem estímulo e autoestima.

Sérgio Costa Ribeiro, pesquisador do Laboratório Nacional de Computação Científica, ligado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), dissecou o que ele batizou como "pedagogia da repetência". Num estudo de 1991, ele escreveu que "essa prática está na própria origem da escola brasileira, com seu modelo de ensino de elite, em que o papel do professor era muito mais de preceptor da Educação orientada pela família do que um profissional autossuficiente do ponto de vista do processo de ensino e aprendizagem". E foi além. "As análises antropológicas até hoje realizadas mostram claramente que o sistema joga a culpa pelo fracasso escolar ora nos próprios alunos, ora nos pais, ora no sistema sociopolítico, raramente no despreparo dos professores, nas falhas de sua formação ou na organização escolar." Quase duas décadas depois, pouco (ou nada) mudou.

O campeão dos campeões
Em todo o planeta, não há nada igual aos índices de reprovação do Brasil. Para piorar, as taxas de algumas séries aumentaram nos últimos anos

Ilustração: Mariana Coan
Fonte: UNESCO
* Índice de reprovação na 8ª série no Brasil
Ilustração: Mariana Coan

Basicamente, há dois tipos de política pública no mundo sobre essa questão: ou pode reprovar ou não pode. Cada um deles tem nuances. Entre os que muitos países que permitem a reprovacão, Arábia Saudita, Portugal, Botsuana e Filipinas, não estabelecem nenhuma restrição à repetência nas escolas. O que muda é que em alguns casos essa decisão é tomada de forma centralizada (com base num exame nacional, por exemplo) ou descentralizada (escola por escola). Outros admitem "alguma repetência" no Ensino Fundamental. O caso mais conhecido é o de Hong Kong, em que os professores têm autonomia para reprovar "até 3% dos alunos por sala". Se têm 33 alunos na classe, eles podem reter um. Se acreditam que há mais estudantes que deveriam repetir de ano, os educadores precisam consultar uma comissão de colegas e delegados escolares, que avalia detalhadamente o trabalho do docente para ver se ele é parte do problema.

Já os que são contra a reprovação também se dividem em dois grandes blocos. O primeiro prevê a chamada progressão continuada em todas as séries do Ensino Fundamental. É o caso de Austrália, Coreia, Japão, Noruega, Suécia e outros países. E o segundo considera os anos iniciais como um ciclo de aprendizagem - e os anos finais mais próximos da estrutura "seriada" de ensino. No Chile, por exemplo, é possível reprovar a partir da 5ª série e, em Cingapura, a partir da 6ª.

=== PARTE 2 ====

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Graziela Oliveira Neto - Postado em 16/12/2010 21:57:24

Tenho uma duvida: Quem irá pensar ou pesquisar sobre o numero de professores que atualmente HOJE no BRASIL realiza o trabalho alem do seu de Psicologo, Assistente Social, Sociologo, enfermeiro e por muitas vezes PAI e MÃE..... Bom quando alguem tiver essa pesquisa eu volto a falar em reter ou não um aluno. Hà nao esqueçam que se o meu salario fosse parecido com uma dessas profissões citadas certamente a culpa nao seria do sistema ....mas fica ai essa pequena reflexão. Obrigada

joselma silva sampaio - Postado em 25/11/2010 10:00:22

Observando o gráfico de reprovação e o Brasil em 1º lugar no mundo, uma coisa só leva a crê, que tudo se copia e nada se transforma, na verdade o sistema educacional ainda é quem mais falha em relação a ideia de reprovação e é impressionante que repetem todos os anos a mesma coisa e pouco se muda, avaliam todos os critérios e não chegam a nenhuma solução. Talvez esteja bem próximo e não enxergam, gente tá faltando incentivo para o professor, a autoestima desse profissional está abalada não só na sua didática, mas também no bolso, o educador de verdade bem remunerado ele por si só avalia a sua prática, pois os números falam, a sociedade hoje avalia , o aluno também avalia, a escola avalia,não adianta o sistema gastar tanto com avaliações e os gráficos só tendem a subir,o governo cria as leis para beneficiar os professore e não obriga os governantes a cumprí-las, por exemplo aqui na minha cidade até hoje os professores esperam por enquadramento nos seus salários o PCC ainda continua só no papel e aí cadê a valorização por nós?Sem falar nas condições que as escolas estão, quase sem recurso para trabalhos pedagógicos, ainda falam em avaliação, tá faltando mesmo é uma fiscalização minuciosa geral na educação, daí então levantar as políticas educacionais e exigir mais do professor, que ainda continua sendo a classe mais desvalorizada que existe, eu particulamento amo a educação e ainda assim acredito no seu poder de transformação, pena que a maioria das pessoas que entram no poder para nos representar usam a educação para se promover politicamente com discursos hipócritos, ai fica difícil...melhor dizendo impossível..

Adriana Hauber Virmond - Postado em 05/11/2010 12:45:27

Boa tarde, Ronaldo Nunes. sou professora formada pela PUCRS, EM cIENCIAS E MATEMÁTICA. SOU CONTRA A REPET~ENCIA, POIS ABAIXA A AUTO-ESTMA DO EDUCANDO E, ALÉM DISSO, O DESESTIMULA MAIS NOS ESTUDOS. AQUI NO RS, a escola pública é uma decadência. os professores são mal remunerados. bom, o que eu tenho a dizer é que os educadores devem elaborar meios, principalmente, em materiais didáticos, jogos, para que o educando compreenda melhor o conteúdo. as educadoras do RS devem sair do tamanco de salto alto e ir até a casa do educando para conversar com a família, pois o educando não é só um objeto, como nós fomos na escola. é um ser que tem suas capacidades e necessidades. por pensar assim, e ser contra uma reprovação, não posso ser professora Estadual. Graças a Deus. só leciono aulas particulares, apresentando materiais didáticos e exercícios. falo com os pais de meus alunos. como tenho problemas de saúde, acabei de sair de cirurgia cardíaca, ainda estou parada. atencosamente, adriana hauber virmond



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Publicado em NOVA ESCOLAEdição 233, Junho/Julho 2010, com o título Um erro que se repete a cada ano
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