Usuário Dos-Vox, clique aqui

Reportagem on-line

Política educacional

Existe preconceito na sala de aula, aponta pesquisa

  • Aumenta o tamanho da letra
  • Diminui o tamanho da letra
  • Expande ou comprime o texto

Ele é silencioso e, em público, poucos são capazes de admiti-lo.Mas o racismofreqüenta os bancos escolares, segundo 60% dos professores e 62% dos alunos entrevistados numa consulta étnico-racional, realizada em Salvador, Belo Horizonte e São Paulo. Entre as mães, a percepção é completamente diferente. "Entre elas,100% diz nunca ter presenciado ou vivido uma situação de racismo na escola", comenta a pesquisadora da área de letramento e relações racionais na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

Essa aparente contradição trazida pelas estatísticas se explica. "Existe uma ponte que se quebra, a queixa não chega em casa", comenta Ana Lúcia. Por quê? Quem responde é a pesquisadora Marta Alencar, do Programa de Educação e Profissionalização para a Igualdade Racial e de Gênero da Universidade Federal da Bahia e coordenadora da consulta em Salvador. Ela aponta a hegemonia dodiscurso da igualdade nas escolas, que prega sermos todos iguais. "Esse discurso da iguadade, que é uma igualdade branca, também aponta o diferente como inferior. Precisamos mudar isso", diz categoricamente. A implementação da lei 10.639/2003, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de história e cultura africana e afro-brasileira em toda a educação básica do país, é um dos passos nessa direção.

Consulta em três capitais - Esses e outros números são fruto de uma consulta étnico-racial cujos resultados foram apresentados hoje (7), em São Paulo. Além das estatísticas, a pesquisa traz aindaalguns achados que podem contribuir na discussão da implementação da lei e no avanços das questões raciais na escola. "Ás vezes, você uma briga entre os alunos e diz que é apenas uma discussão e, na verdade, é um problema de racismo na escola", comenta Ana Lúcia. "E os próprios professores e funcionários silenciam essa questão, porque efetivamente ela não é fácil de trabalhar." No entanto, essa mesma escola que muitas vezes reproduz o tal discurso da igualdade, encobrindo osconflitos é o ator da sociedade mais importante na mudança desse cenário.

Realizada pela Ação Educativa, o CEERT (Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades) e o Ceafro (Educação e Profissionalização para a Igualdade Racial e de Gênero) em São Paulo, Salvador e Belo Horizonte, a pesquisa foi divulgada hoje (7) com o lançamento do livro "Igualdade das Relações Étnico-Raciais na Escola: possibilidades e desafios para a implementação da lei 10.639/2003".Assinam a redação desse título Ana Lúcia Silva Souza eCamilla Crso.

Participaram da pesquisa alunos de educação infantil e educação básica de quarta e oitava séries, professores, coordenadores pedagógicos, diretores, funcionários e os pais, mães ou responsáveis pelos alunos de quinze escolas de educação infantil e ensino fundamental das redes municipais de ensino.

Quer saber mais sobre o assunto?
Leia o Boletim da Ação Educativa sobre a pesquisa.
Confira a reportagem "África de todos nós", da revista NOVA ESCOLA.
Veja também a reportagem sobre a questão racial na escola.


Links patrocinados

| Conteúdo On-line | Edições impressas | Multimídia | Espaço do leitor | Educação infantil | Prêmio FVC | Fundação Victor Civita | Mapa do site

© FUNDAÇÃO VICTOR CIVITA - Todos os direitos reservados.