Quando começou a dar aulas de Inglês, Bárbara Dieu nunca havia pensado em se tornar professora. Muito menos uma educadora on-line. "Eu tinha um computador em casa, mas sem internet", conta. O ano era 1997 e a rede mundial de computadores ainda estava, digamos, na Era da Pedra Lascada. Entusiasmada, Bárbara começou a vasculhar a rede até descobrir um programa de intercâmbio on-line oferecido por escolas dos Estados Unidos. A idéia era simples: colocar os estudantes brasileiros em contato com alunos norte-americanos para que trocassem experiência em inglês, via e-mail. O problema era que a maioria deles não tinha computador, e os que possuiam não dispunham de conexão com a internet. Na escola havia apenas um PC, com acesso controlado à rede. Fim do isolamento Quer saber mais? Vivência Pedagógica - Site com artigos, teses, dissertações e notícias sobre Educação na web. Bárbara Dieu - Endereço online da professora Bárbara Dieu com artigos e materiais sobre Educação online; Para entrar em contato com a professora Bárbara Dieu escreva para beeonline@gmail.com.
As aulas esporádicas nos cursinhos de inglês se tornaram a profissão de Bárbara quando ela assumiu o cargo de professora de Língua Estrangeira em um liceu franco-brasileiro. Determinada, voltou às cadeiras universitárias depois de já ter concluído a graduação em Ciências Sociais e se especializou em Pedagogia.
A segunda barreira que precisava ser rompida era a do computador. Instalou uma conexão discada e aprendeu a usar o e-mail para se comunicar com um filho que morava no exterior. Do correio eletrônico, a professora pulou para as ferramentas de busca. O Google ainda era uma idéia na cabeça dos seus criadores Larry Paige e Sergey Brin - e ela teve que se virar com o antigo Altavista.
Para não desistir da idéia, a professora pediu que os alunos escrevessem os textos a mão e começou a digitá-los em casa. Enviava o material para os norte-americanos pelo seu computador pessoal. A persistência rendeu e ela foi convidada para ir aos Estados Unidos. Levou 45 alunos e montou um site para transmitir on-line as experiências e fotos capturadas durante a visita à escolas de lá.
Depois dessa primeira experiência, Bárbara estudou as tecnologias de publicação na web e começou a participar de diversos programas internacionais de colaboração educacional on-line. "Fizemos um site, em 2000, em parceria com escolas holandesas. Depois vieram projetos com França, Itália, África... E durante cinco anos participamos de um projeto online da Unesco com escolas de todo mundo", lembra a professora.
Em 2003, um desafio acabaria se tornando o maior projeto da educadora. Com a extinção de um jornal na web, que os alunos mantinham como parte do currículo das aulas de Bárbara, surgiu a necessidade de se criar um espaço na rede. "Foi quando entrei no mundo dos blogs e descobri uma poderosa ferramenta educacional", diz.
Bárbara estimulou seus alunos a manter diários on-line para exercitar a expressão em inglês, além de outras habilidades, como fotografia, desenho e pintura. As páginas de cada estudante eram visitadas e comentadas pelos colegas de classe. Com o tempo, surgiram produções multimídia em vídeos, podcasts e ensaios fotográficos. À professora cabia a tarefa de revisar os textos e sugerir temas.
"A partir daí desenvolvi uma proposta pedagógica que já vinha amadurecendo ao longo do trabalho com internet e Educação. É o que eu chamo de 'you-learning' (algo como 'autoaprendizagem'), que se baseia no princípio de que você nunca pára de aprender.", explica a professora. "A escola é apenas o ambiente formal, mas a casa do aluno e, sobretudo, o ambiente virtual, seja ele acessado de um PC ou de um dispositivo móvel, são espaços privilegiados para um processo de ensino contínuo e ancorado em experiências cotidianas", finaliza.
A experiência com Educação on-line não foi apenas uma proposta pedagógica para a professora Bárbara. "Quando entrei na internet pela primeira vez já tinha 14 anos de sala de aula e estava esgotada. Sentia que estava me repetindo e não encontrava tempo para me renovar", revela. Na rede, ela conseguiu o que não encontrava na vida real: tempo para novas experiências, compartilhamento de conhecimentos e capacitação profissional. "Sempre digo que a mudança foi sutil, mas fundamental. Troquei a TV pelo computador no meu tempo livre e passei a me sentir muito menos isolada", conta.
Para quem nunca tinha usado um mouse e um teclado, foi difícil começar. "Aprendi na marra e com a ajuda dos meus alunos. Foi uma troca que se refletiu numa ótima experiência de sala de aula. Acabei criando uma outra identidade como educadora fora da escola, em função das comunidades de que comecei a fazer parte, juntamente com professores de todo mundo", diz.
Mais que disposição para aprender, o professor que quiser entrar na rede e usá-la como ferramenta útil no processo educacional precisa, segundo Bárbara, aprender a lidar com o caos e a desorganização.
"Não dá para ter na Educação on-line a mesma cabeça do processo de aprendizagem tradicional. Na web não não se pode e não é bom ter controle de tudo. O professor tem que aprender a deixar de querer controlar as atividades do aluno e deixar o fluxo de ensino correr mais livre. Não adianta imposição, a palavra-chave é compartilhar", ensina.
Edublogosfera - Página que reúne os blogs de professores.
13/02/2008 - 20:40
Blogs e Educação on-line, palestra da professora Bárbara Dieu na Campus Party
Acompanhe as dicas sobre blogs e Educação on-line trazidas pela professora Bárbara Dieu à Campus Party: O lema do educador na web deve ser: participe globalmente, mas haja localmente. Antes de implantar qualquer projeto, reflita: quais meus objetivos pedagógicos com essa proposta? Onde eu quero chegar? Vantagens de usar instrumentos da web na Educação - O aluno cria um portfólio pessoal das suas atividades na escola que pode ser visualizado a qualquer momento. Não é como uma lição de casa que depois da correção não tem continuidade; - Com uso da rede é possível fugir do ambiente artificial da sala de aula e criar novos e mais estimulantes ambientes de aprendizagem; - Estimula o debate, a troca de experiências, a livre expressão nos estudantes; - Diminui a dependência do aluno em relação ao professor no processo de ensino. Ele passa a ser agente e não só receptor; - Projetos educacionais podem ser feitos com custo baixo, aplicação imediata e em uma grande multiplicidade de plataformas; - Permite ao professor capacitação e renovação constantes pelo contato com comunidades e na troca de experiências com outros educadores. Como estimular o alunos a participar de projetos na rede Dicas - Use as atividades on-line para tornar sua aula mais divertida e, quem sabe, resgatar o interesse daqueles alunos que não se empolgam com o sistema tradicional. Será uma arejamento para você como profissional também; - Por mais que os custos e o tempo de implantação de projetos na web sejam menores, isso não quer dizer que a resposta da escola e dos alunos pelos projetos vai ser a mesma. A professora Bárbara Dieu levou cinco anos para implantar uma cultura de web na escola onde trabalha; - Importante: não existe receita em Educação on-line. Acostume-se a perder o controle do processo de ensino e a aprender ao mesmo tempo que o aluno.
- Documentação do processo de aprendizagem dos alunos, que fica disponível e pode ser exportado para outras plataformas;
- Mostre experiências bem sucedidas em sala de aula. Se o caso for criar blogs, exponha referências de diários virtuais e promova o debate para gerar idéias. Um blog pode ser um espaço para contar experiências pessoais, mas também pode servir para publicar crônicas, resenhas, textos literários, fotos, vídeos. Deixe o aluno manifestar seus interesses e fazer a opção dentro da proposta pedagógica que você estiver propondo;
- A resistência é comum. O importante é que a atividade online seja prazerosa e proveitosa para o estudante e não mais uma obrigação. A professora Bárbara Dieu enfrentou diversos revezes e falta de aceitação das atividades por parte dos alunos até encontrar um caminho. Não existe fórmula pronta.
- Lute por uma estrutura mínima de acesso à tecnologia na sua escola, mas não cruze os braços se ela não existir. Com um computador com acesso a internet – que era o que a professora Bárbara tinha quando começou – é possível desenvolver projetos e correr atrás de apoio conforme os resultados apareçam;
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