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Este plano de aula está ligado à seguinte reportagem de VEJA:
16 de junho de 1999
Objetivos
Conhecer os processos formadores das precipitações atmosféricas
Introdução
Yes! Nós temos neve! Graças às massas pares que invadem o país no outono, algumas cidades da Região Sul realizam o sonho de muito brasileiro: ver neve caindo na nossa paisagem tropical. Poucos, no entanto, têm esse, vá lá, privilégio. São poucas as áreas sujeitas a tal fenômeno. A reportagem de VEJA traz uma lista delas e uma oportunidade para explicar à turma como se formam as nevascas e outras duas ocorrências atmosféricas que envolvem a produção de gelo, o granizo e a geada. Mostre aos alunos os fatores físicos e climáticos que determinam essas ocorrências.
Uma questão de saturação
Chuva, granizo, orvalho, geada e neve têm todos o mesmo constituinte. A água. Essa substância está sempre presente na atmosfera sob forma de vapor. Em determinadas condições, esse vapor pode mudar de fase, passar para o estado líquido ou para o sólido. Quando isso ocorre, a matéria se precipita para o solo. Antes de que possamos presenciar qualquer desses fenômenos, no entanto, muitas coisas acontecem no ar.
À medida que aumenta a concentração de vapor de água na atmosfera, a sua pressão também cresce. Mas há um limite para esse crescimento, que é a máxima quantidade de vapor por unidade de volume que o ar pode suportar em determinadas condições de temperatura e pressão. Nesse limite, que é a pressão máxima do vapor, diz-se que o ar está saturado. E, em tais condições, encontramos as duas fases juntas, vapor e líquido.
Quando ouvimos falar que a umidade relativa do ar é de 60%, devemos entender que o vapor de água na atmosfera está com pressão igual a 60% da sua pressão máxima.
O ar quente pode suportar mais vapor do que o ar frio. Ou seja, quando a temperatura do ar aumenta a pressão máxima de vapor também fica maior. A água existente na atmosfera pode ser vista apenas quando se condensa. São as nuvens e os nevoeiros. As nuvens são condensações no nível superior da atmosfera e os nevoeiros ocorrem próximos ao solo.
Como a água vira um floco
As nuvens capazes de dar origem à neve estão sempre abaixo do ponto de congelamento (ou de solidificação) da água. A precipitação se dá, então, na forma de cristais de gelo, que se aglomeram e produzem os flocos de neve. Esses flocos, porém, só chegarão ao solo se a temperatura do ar entre a base da nuvem e a superfície do solo for suficientemente baixa. Do contrário, a neve derreterá no caminho e se transformará em chuva. Pode nevar até mesmo quando o solo está a 4 oC.
Quando a temperatura da nuvem é bem inferior ao ponto de congelamento, formam-se flocos de neve pequenos, secos e pulverulentos. Em temperaturas mais próximas desse ponto, os flocos são maiores. Isto porque eles se derretem parcialmente e se agregam uns aos outros.
Neves eternas são encontradas em regiões de temperaturas inferiores à do ponto de congelamento. São chamadas zonais quando devidas à sua localização na zona climática do planeta, como nos pólos. E são azonais se não obedecem às zonas climáticas, como as que ocorrem nos picos de altas montanhas. O Monte Kilimanjaro, situado a 3o ao sul do Equador, possui neves eternas nas altitudes superiores a 5000 metros. Mas o nível dessa neve varia. Quanto maior a latitude, teremos neves eternas em topos de montanhas cada vez mais baixos.
O granizo é uma precipitação em forma de grãos de gelo, associada, em climas temperados, aos temporais de primavera e verão (veja quadro).
A geada é um fenômeno que ocorre em noites de céu limpo, em que o solo resfria-se a temperaturas inferiores à do ar. Em conseqüência disso, a umidade do ar próximo do solo condensa-se e se deposita sobre os objetos. É o orvalho. Quando a temperatura é inferior à do ponto de congelamento, a água se solidifica, deixando partículas de gelo sobre o solo. As geadas são mais comuns nos Estados do Sul, em São Paulo e no sul de Mato Grosso do Sul. Neste último inexistem barreiras para a entrada de massas frias vindas do sul, que provocam o resfriamento rápido das condições atmosféricas preexistentes.
Atividades
1. Peça aos alunos que observem e recortem dos jornais os mapas de temperatura no Brasil. Trabalhe em classe a variação da temperatura de acordo com os diversos parâmetros em jogo, tais como as diferentes latitudes, altitudes e as frentes frias.
2. Você pode também utilizar a coluna de "tempo no mundo", com as temperaturas mínimas e máximas de diversas cidades. Peça aos alunos para localizá-las no mapa e comparar diferentes cidades com latitudes próximas (ao sul ou ao norte) mas altitudes bem distintas. Estabeleça com a turma os fatores que podem explicar temperaturas diferentes em regiões climáticas semelhantes.
3. Mostre à classe um exemplo de condensação do ar. Neste período de início de inverno, podemos perceber que a respiração úmida e quente dos passageiros num carro provoca o embaçamento das janelas. Isso ocorre porque a temperatura do vidro é mais baixa do que o ponto de orvalho (temperatura de saturação do vapor do ar) no interior do carro.
4. Explique como a umidade relativa do ar nos provoca sensações corporais. Quando a umidade relativa é baixa, o ar está seco e temos uma sensação refrescante. Quando é alta, o ar está úmido, o que nos dá sensação de moleza e sufoco.
Veja também:
Bibliografia
Previsão do Tempo e Clima, A. G. Forsdyke, Ed. Melhoramentos, Tel.: (11) 3874-0600
Professora de Geografia do UniFIEO, de Osasco, São Paulo
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