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Planos de aula

Ensino Médio
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias Língua Portuguesa Estudo de texto

Plano de Aula

Ingredientes para um texto suave

Quanto mais coloquial e simples é um texto, mais recursos estilísticos são necessários para produzi-lo.

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Objetivos
Analisar elementos de estilo em um texto, discutir o papel argumentativo do estilo

Introdução
Não existe receita para a criação de um bom texto, mas quem se propõe a executar a tarefa conta com os diversos "ingredientes" ou recursos de que a Língua Portuguesa dispõe. Somados, eles formam o estilo do autor, que, a exemplo dos melhores cozinheiros, "tempera" suas obras com pitadas de criatividade e bom senso. A reportagem de VEJA emprega adjetivação e coloquialismo, entre outros elementos, para convencer o leitor mais cético de que há saladas deliciosas. A aula estimula seus alunos a enriquecer suas redações com charme e eficiência.

Atividades
1. Comente com a classe a origem da palavra texto: textum é o particípio do verbo latino texere, que significa tecer. Tecer um texto, portanto, exige o entrelaçamento de palavras e frases, a costura de períodos e parágrafos. Nesse trabalho de tecelão, o redator aplica diversos recursos e estratégias, criando um produto cujos aspectos formais, quando bem-articulados, adquirem por si mesmos um significado. Uma das maneiras de se definir estilo é essa - a capacidade do produtor de textos de imprimir em sua obra o talento individual e as marcas de sua arte e sua técnica.

2. Peça à turma que leia o texto "Estrela verde". Depois, leia-o em voz alta e cadenciada, evidenciando algumas de suas qualidades estilísticas. Tramando e compondo os elementos apontados, Aida Veiga produziu um texto de boa realização estilística. Ela exercitou, ainda, outro aspecto que o texto final não revela: a concisão. Sua redação original previa ocupar três páginas da revista. Destaque a felicidade do primeiro parágrafo, cujo teor captura a atenção pelo colorido rítmico e pela cumplicidade que cria com o leitor ao admitir que comer salada já foi uma "insossa obrigação".

3. Pergunte à classe se o estilo pode ou não ter um papel político na comunicação falada e escrita. Textos que tenham as qualidades formais como principal mérito são modelos a seguir ou a evitar? Uma excessiva preocupação com a forma indica pobreza de conteúdo, tema frívolo ou intenção de não aprofundar a abordagem de uma questão?

4. Os alunos devem trazer para a escola editoriais de jornais e revistas, que serão lidos e comentados. O estilo desses textos é mais ou menos rebuscado que os demais? Por quê? Mostre que o rebuscamento tem valor argumentativo: os veículos impressos "capricham" nos editoriais porque crêem na linguagem formal para expor a opinião da empresa.

5. Peça aos alunos que reescrevam o primeiro parágrafo do texto de VEJA, substituindo seus adjetivos por outros à escolha deles. Compare os resultados em sala de aula. Faça propostas semelhantes para os demais parágrafos da reportagem, trocando os substantivos do segundo, os verbos do terceiro e do quarto e, finalmente, os adjetivos do último.

Redação Leve e Gostosa
ADJETIVOS
Já no subtítulo da reportagem, o encadeamento de adjetivos produz seqüências de leitura agradável: "sofisticadas, bonitas e gostosas". O procedimento se repete ao longo do texto: "initerrupta e generalizada", "verdinhas e crocantes". O recurso, que destaca qualidades objetivas e subjetivas, é usado para atrair a simpatia e manter o interesse do leitor.

SIMETRIA
A coordenação de substantivos e adjetivos aparece em construções sintaticamente equilibradas, um recurso rítmico importante: "uma bela massa, um filé suculento, um risoto caprichado", "ingredientes impensáveis e molhos exóticos". Em outros casos, a simetria é construída a partir de termos mais complexos: "com engulhos pelas crianças e com resignada aceitação pelos adultos".

VOCABULÁRIO
A escolha de palavras de sonoridade atraente ou exótica enriquece o texto e, no mínino, estimula a curiosidade do leitor: aboletou-se, endívias, gergelim, galgado, insossa. Termos estrangeiros também "temperam" a reportagem: light, funghi, chefs, fast-food, chicken-salad, bowls, denotando as influências externas na linguagem gastronômica.

COLOQUIALISMO
Em muitos momentos, o texto aproxima-se do leitor pelo tom de conversa familiar: "O.k., acelga não tem graça nenhuma...", "Tomate e pepino, argh!", "Quem empurrou a salada para a área nobre...". Para conferir conteúdo ao texto, Aida Veiga também se vale de dados estatísticos. O leitor fica sabendo que, nos Estados Unidos, 82% dos restaurantes servem saladas como pratos principais. "Foi a partir dessa informação que eu tive a idéia de fazer a reportagem", conta a redatora.

ROTEIRO
Antes de escrever, a jornalista traçou um roteiro mental para se organizar. A argumentação quer convencer o leitor a comer salada e revela essa intenção desde o primeiro parágrafo. Em outro trecho, a redatora assume a posição do desafeto das saladas e tenta convencê-lo de que as novas opções tornaram o prato palatável: "a saladinha sem gosto ganhou ingredientes de dar água na boca".

VERBOS
A redatora usou criteriosamente os verbos dicendi: dizer, contar, afirmar, constatar e confessar modulam os testemunhos, que vão do tom neutro ("diz Sílvia Amaral") até a intimidade exagerada ("confessa a empresária Beatriz Lemgruber"). A confissão, no segundo caso, sugere implicitamente que sonhar com um prato de massa é, para quem faz dieta, um ato condenável, um pecado.

Veja também:
Bibliografia
Do texto ao texto - curso prático de leitura e redação, Ulisses Infante, Ed. Scipione, fone: (11) 3990-2100

Consultoria: Ulisses Infante

Autor de livros didáticos para o Ensino Médio

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