
| Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias | Biologia e Sociologia | Fisiologia humana / Ética e cidadania |
Objetivos
Relacionar o funcionamento dos órgãos sexuais com o prazer
Introdução
O tema é delicado, quase um tabu em certas escolas. O sexo, normalmente analisado como mero instrumento de reprodução humana, pode suscitar abordagens inusitadas. O texto de VEJA sobre a mutilação de genitais femininos focaliza a castração (impossibilidade do gozo) e a indignação de mulheres que reivindicam o direito ao orgasmo. O professor Marcos Engelstein, dos colégios Santa Cruz, Renascença e Anglo-Brasileiro, de São Paulo, propõe um trabalho interdisciplinar visando a relacionar o funcionamento dos órgãos sexuais com o prazer. Segundo Marcos, "a consciência do orgasmo, atributo talvez exclusivo da espécie humana, transforma o sexo numa tentação permanente, o que eliminaria a necessidade do cio".
Plano de aula
Comece descrevendo os genitais e os órgãos sexuais masculino e feminino, pois é comum os adolescentes desconhecerem o próprio corpo.
Explique à turma que o prazer tem início com a excitação. As transformações fisiológicas nesse estágio podem ser divididas em dois níveis - as sistêmicas, que atingem o corpo todo e são as mesmas para ambos os sexos, e as específicas, concentradas nos órgãos sexuais.
O córtex, camada mais externa do cérebro, desencadeia o processo. Nessa região desembocam as informações captadas pelos nervos nos diferentes órgãos dos sentidos: a imagem da pessoa desejada, o som de sua voz, o tato usado nas carícias, os aromas, o gosto de um beijo. Tais informações são passadas então para o sistema límbico, área do interior do cérebro relacionada ao prazer. O sistema sensorial, porém, não é indispensável. Pensamentos, lembranças e sonhos também geram estímulo sexual.
Paralelamente, a liberação de adrenalina pelas glândulas supra-renais acelera os batimentos cardíacos para aumentar a distribuição de sangue. A freqüência respiratória cresce, a fim de obter um maior suprimento de oxigênio. As artérias se dilatam, facilitando a circulação sangüínea e causando rubor. Tanta atividade física aumenta a temperatura do corpo e a transpiração.
Na mulher ocorre a produção de um líquido viscoso que lubrifica a vagina, para receber a penetração. Os grandes lábios recuam, deixando à mostra os pequenos lábios e o clitóris - responsável por uma grande excitação tátil devido à densidade de terminações nervosas -, que fica intumescido. Ao atingir a excitação máxima, a sensação pode ser de dor e o clitóris se defende recuando.
No homem, a alteração dos genitais é mais visível, pois ocorre a ereção do pênis, resultado de um processo complicado que envolve os sistemas nervoso e respiratório. Em função da adrenalina despejada, as artérias que irrigam o pênis se alargam, o que permite a passagem de mais sangue. Esses vasos passam por dois cilindros, formados por músculos e colágeno, chamados corpos cavernosos. À medida que o sangue passa, as artérias se expandem até que, pelo próprio espaço que ocupam, elas atrapalham o escoamento. O processo continua até não ser mais possível a entrada de sangue pelas artérias e a saída pelas veias. É o ponto de ereção máxima. Um fenômeno semelhante ocorre no clitóris, que fica intumescido mas não ereto.
A glande (ou cabeça) do pênis também tem um denso sistema de terminações nervosas e torna-se uma importante fonte de impulsos para o início do ato sexual - embora os estímulos possam vir ainda de outras regiões do corpo.
No momento do orgasmo o ritmo cardíaco alcança até 180 batidas por minuto e a taxa respiratória chega a ultrapassar 40 no mesmo período.
As aréolas dos seios femininos, antes intumescidas a ponto de esconder o bico, desincham, dando a falsa impressão de enrijecimento dos mamilos. Todo o assoalho pélvico, na porção anterior da vagina, sofre contrações rápidas. No homem, o esperma é fortemente impulsionado pela uretra, em contrações rítmicas. Após a ejaculação, o pênis relaxa gradualmente, assim como todo o corpo. Ao contrário da mulher, que pode ter sucessivos orgasmos, o homem passa por um período refratário, de duração variável, que não permite nova excitação.
No final, uma sensação de bem-estar invade o homem e a mulher, resultado da liberação, no cérebro, de uma grande quantidade de endorfina - neurotransmissor de efeito calmante que se espalha pelos músculos, levada pelo sangue.
Segundo os endocrinologistas, as pessoas estão prontas para o sexo a partir da puberdade, quando amadurecem os hormônios sexuais (testosterona no homem e progesterona e estrógeno na mulher).
No macho, a coincidência entre o gozo e a ejaculação sugere que ele existe para impulsionar o organismo a injetar sêmen na parceira. Já a função reprodutiva do orgasmo feminino não parece tão evidente. Na verdade, o fato da mulher sentir prazer sexual nunca foi bem aceito nas sociedades religiosas e nas machistas.
Atividades
Dada a delicadeza do tema, que pode se tornar motivo de preconceito, gozações e constrangimento entre os alunos, separe a turma em rapazes e garotas, que deverão ser orientados, respectivamente, por um professor e uma professora. Após a leitura da reportagem de VEJA, avalie o grau de maturidade da turma e peça a ela que tente mapear as zonas erógenas no corpo humano, utilizando-se de ilustrações. Então, leia esta matéria e, em seguida, estimule os alunos a depositar suas perguntas com dúvidas remanescentes em urnas previamente colocadas na classe. Cuidado com as respostas, para evitar atitudes reprobatórias ou preconceituosas.
Clitóris, o ponto mais sensível
O termo kleitoris surgiu na Grécia há quase 2 mil anos e referia-se aos lábios internos da vulva. A palavra clitóris apareceu em inglês em 1615, em um livro de anatomia - e foi usada para identificar o órgão oculto por um capuz na parte superior dos lábios (para ver sua glande, que é a parte externa, é preciso abrir os grandes lábios). Como a cabeça do pênis, a do clitóris é a parte mais sensível da área genital, devido ao grande número de terminações nervosas que contém. A pressão repetida, direta ou indireta, no órgão leva ao orgasmo. Todos os orgasmos femininos começam no sistema clitoridiano e se estendem para a vagina. A exemplo do pênis, o sistema clitoridiano se intumesce a cada 90 minutos durante o sono.
Prazeres negados
O controle do comportamento feminino se repete de diferentes formas e em diferentes sociedades. É certo que a mutilação genital causa espanto e horror por seu caráter de agressão, além de apreensão pelos riscos que traz à saúde (infecções, traumas etc). Mostre, porém, aos alunos que existem outras formas culturais de controlar o comportamento, o prazer e o orgasmo da mulher. Antonio Carlos Egypto, do GTPOS, de São Paulo, destaca algumas delas:
- Quem foram as bruxas? As mulheres, principalmente na Europa da Idade Média, eram vistas como figuras demoníacas e acusadas de copular com o diabo. Seu destino sempre foi a fogueira.
- O uso do cinto de castidade com a função explícita de controlar o comportamento feminino.
- A rotulação e o julgamento sumário a que são submetidas as mulheres: de um lado, existe a "santa mãe dos meus filhos" e, de outro, a prostituta. Entre os adolescentes, os rótulos mais comuns são a menina "fácil" ou a "galinha".
- O comportamento cavalheiresco e as leis protetoras foram e ainda são compensações à subserviência da mulher. Exemplo disso é a frase "atrás de todo grande homem existe sempre uma grande mulher".
Da agressão física ao simbolismo sutil, a discriminação de gênero pode ser debatida para que os alunos entendam as origens do preconceito contra as mulheres.
Nas sociedades pré-históricas, a maior fragilidade física e a maternidade marcaram a condição especial da mulher. Os homens, caçadores, deviam obter carne e defender o bando, o que lhes conferia maiores poderes. A subjugação das mulheres começou, de fato, no Neolítico, quando o trabalho já permitia a acumulação de grãos e riqueza. No Ocidente, isto continuou até a Revolução Industrial, que igualou a todos nas más condições das fábricas. E começou a declinar quando as mulheres se tornaram produtoras e consumidoras.
Se antes havia o "trabalho pesado", agora as máquinas e computadores podem realizar essas tarefas, permitindo igualar as condições masculina e feminina. Não fosse a persistência do preconceito, o que hoje tende a distinguir os homens das mulheres é apenas a competência intelectual.
Outro ponto a ser discutido é a integridade do corpo e o prazer como direitos humanos. A mutilação genital é explicitamente condenada por organizações internacionais femininas, que a consideram uma violência contra a mulher. É possível entender a mutilação em seu contexto cultural, já que ela não é vista como barbárie pelas próprias vítimas? Qual é a opinião dos alunos? O fato dessa prática ser parte da tradição desses povos é motivo suficiente para que ela ainda seja realizada?
BIBLIOGRAFIA
A Difícil Arte do Encontro, L. R. Aratangy, Ática, fone 0800 115152
Sexo: Prazer em Conhecê-lo, Rosely Sayão, Artes e Ofícios, fone (51) 3311-0832
Sonhos de Transgressão: Minha Vida de Criança num Harém, Fátima Munissi, Cia. das Letras, fone: (11) 3707-3500
FILMOGRAFIA
Gabbeh, Irã, 1996
Silêncios do Palácio,Tunísia, 1994
Virgina, Iugoslávia, 1992
Lanternas Vermelhas, China, 1991
Dos colégios Santa Cruz, Renascença e Anglo-Brasileiro, de São Paulo
Não encontrou
o que estava buscando?
| Conteúdo On-line | Edições impressas | Multimídia | Espaço do leitor | Educação infantil | Prêmio FVC | Fundação Victor Civita | Mapa do site
© FUNDAÇÃO VICTOR CIVITA - Todos os direitos reservados.