Alguns equívocos emperram o ensino de História do Brasil nas salas de aula. Para Lilia Moritz Schwarcz, autora de D. João Carioca : a Corte Portuguesa no Brasil (1808-21) (Editora Companhia das Letras), a figura de um Dom João covarde, que foge de Portugal ameaçado por Napoleão e vem para o Brasil, por exemplo, é um deles. “Ele fez o melhor que pôde, não tinha muitas outras opções”, explica. Ela também aponta erros no modo como os bandeirantes são apresentados: heróis desbravadores paulistas quando, na verdade, foram grandes escravizadores.
Mas o que fazer diante de tanta história mal contada? “Temos de humanizar mais os personagens: eles são gente como qualquer um de nós: contraditórios, ambivalentes... Também é importante acabar com os conceitos de herói e vilão, temos de analisar o lado de cada um. E os livros didáticos precisam se deixar contaminar pela pesquisa”, responde ela, que também é antropóloga.
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