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Caça ao tesouro ajuda a ensinar ângulos

Ao se movimentar pela escola em busca de pistas, o aluno aguça o senso de direção e compreende que cada giro de seu corpo forma um ângulo

Raquel Ribeiro

 

Foto: Sam Hart

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O clássico desenho de duas semi-retas unidas por um arco, de maneira geral, é o que apresenta um ângulo a alunos de 5ª série. Dali para a frente eles aprendem a identificar os que são retos, agudos e obtusos, e logo partem para os cálculos. Há aqueles que até se tornam bambambãs em geometria, mas outros tantos aprenderiam o tema com mais tranqüilidade se ele fosse introduzido de forma diferente. Especialistas recomendam que se ensine ângulo à garotada - ainda na pré-escola — como uma idéia de giro, sem que seja necessário representá-lo de maneira formal. E isso não é difícil. Afinal, o ângulo está na direção de cada passo que damos.

O trabalho feito desse modo evita problemas futuros. "Muitos jovens chegam à 6ª, à 7ª e até à 8ª série achando que ângulo é um par de semi-retas. Para medi-lo, usam a régua, pois o transferidor para eles não faz sentido", afirma Maria Ignez de Souza Vieira Diniz, pesquisadora do Mathema, empresa de consultoria em educação matemática, de São Paulo.

Estudar o ângulo somente por meio de desenhos no livro e no caderno não é suficiente para que a turma compreenda e utilize o conceito na resolução de problemas matemáticos e no dia-a-dia. Segundo Luiz Márcio Imenes, professor de Matemática e autor de livros didáticos, se o professor leva a criança a usar o próprio corpo fica mais fácil para ela compreender o que é ângulo. "O conceito tem tudo a ver com direção." E não andamos apenas em linha reta, não é mesmo? "Quando o adolescente entende que a medida do giro que faz para um lado ou para o outro é o grau, o conteúdo faz sentido", atesta Maria Sueli Monteiro, consultora em Matemática de São Paulo e selecionadora do Prêmio Victor Civita.

Caça ao tesouro

A construção do conceito de ângulo é um processo lento. Por isso, é preciso propor aos estudantes vários tipos de atividade em diferentes momentos da escolaridade. A caça ao tesouro é um bom mote, já que pode ser aplicada da pré-escola à 4ª série. O grau de dificuldade aumenta progressivamente, mas a proposta é a mesma para todos: aprender na prática como é o ângulo que se forma com o movimento. Assim, o aluno compreende o ângulo que está nos livros. No início da brincadeira, conte ou leia alguma história sobre caça ao tesouro para que a turma entre no clima.

As pistas

Determine um trajeto a ser percorrido em sala de aula ou no pátio. Escreva num papel indicações como "a partir da mesa do professor", "faça um quarto de volta à direita", "dê dois passos para a frente", "vire à direita e ande três passos". Desse modo, o estudante chega a uma pista — papel com novas instruções — que será seguida pelo colega. Você estipula a quantidade de pistas que a atividade vai conter e qual será o tesouro.

Pré-escola
Para crianças de até 6 anos, expressões do tipo "um quarto de volta" ainda não fazem sentido. Como elas não têm fluência na leitura, as instruções da caça ao tesouro devem ser orais e numa linguagem bem acessível. Exemplos: "fique de costas para a lousa" e "vire à direita".

1ª série
Cada grupo recebe uma folha de papel Kraft com o desenho do mapa de uma cidade. O tamanho das ruas deve ser grande o suficiente para que um bonequinho movimentado pela garotada passeie por elas em busca do tesouro. Nessa versão, as instruções de trajeto devem usar as referências apresentadas no mapa.

2ª série
Enquanto uma criança segue as ordens escritas, as demais a observam e registram seus movimentos em um papel quadriculado - cada quadradinho corresponde a um passo. A linguagem escrita é, assim, transformada em imagem. O vocabulário pode ser mais complexo à medida que o estudo de frações tiver início. Exemplos: "partindo da mesa da professora, ande dois passos para a frente"; "vire um quarto de volta à direita e ande um passo"; "vire um quarto de volta à esquerda e ande dois passos".

3ª série
Se a classe passou pelo aprendizado do ângulo formado pelo movimento, já entende o que significa a abertura ou o grau. Assim, as pistas que levam ao tesouro podem ser: "vire 90° à esquerda", em vez de "faça um quarto de volta à esquerda".

4ª série
Aqui, as instruções da caça ao tesouro são apresentadas em um mapa desenhado. Para interpretá-lo, as crianças devem cumprir uma tarefa: construir um transferidor de papel (abaixo). O material será usado para medir os ângulos no mapa e depois demarcá-los no chão usando giz. Dessa forma, os estudantes se guiam até as pistas ou o tesouro.

Transferidor de papel

Os alunos desenham um círculo e o cortam ao meio. A meia-lua vai ser dobrada ao meio, formando um ângulo de 90°, e novamente ao meio, formando "fatias" de 45°. Em seguida, dividem a mesma meia-lua em três partes. Cada "fatia" de 60o é dobrada ao meio (30°) e mais uma vez ao meio (15°). As dobras são pintadas e os graus escritos nas divisões.

O grande prêmio

Quando a meninada encontrar o tesouro, você também terá ganho um prêmio: uma turma craque em ângulos e com uma boa noção de direção. "O ângulo é um conceito central na geometria e está presente na leitura de mapas, na navegação, na astronomia e na engenharia", explica Imenes. Ele lembra, porém, que o tema deve ser trabalhado ao longo de todo o Ensino Fundamental e o Médio. Caso contrário, o professor estará abandonando as pistas pelo caminho e desistindo do tesouro.

Quer saber mais?

Luiz Márcio Imenes, e-mail: imenes@uol.com.br

Maria Ignez de Souza Vieira Diniz, tel. (11) 5548-6912 , internet: www.mathema.com.br, e-mail: ignez@mathema.com.br

Maria Sueli Monteiro, tel. (11) 4169-8565 , e-mail: marisue@uol.com.br

Bibliografia
O Conceito de Ângulo e o Ensino de Geometria
, Maria Ignez de Souza Vieira Diniz e Kátia Smole, 80 págs, Ed. Caem-IME/USP, tel. (11) 3091-6160 , 5 reais

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Publicado em Outubro 2004, com o título Um tesouro no caminho da geometria
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