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Receita bem calculada

Preparando e vendendo lanches, alunos baianos entendem o que é lucro e prejuízo

Denise Pellegrini

Os pequenos empreendedores levam a sério sua condição de cantineiros: terminada a hora do recreio, fecham o balanço junto com a professora, conferindo os gastos e o dinheiro arrecadado. Foto: Fernando Vivas
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Planejamento em busca do menor preço
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É comum encontrar receitas culinárias nas escolas, geralmente durante as aulas de Língua Portuguesa. Nas mãos de Márcia Magalhães, professora de Matemática da 3a série do Colégio Miró, de Salvador, esses textos tiveram outra finalidade: serviram para ensinar números fracionais e os conceitos de lucro e prejuízo. Dentro do projeto Cantina Alternativa, os alunos foram instigados a obter rendimentos com a venda de lanches preparados por eles mesmos, enquanto Márcia trabalhava três eixos sugeridos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais: números e operações, grandezas e medidas e tratamento da informação.

"Uma das primeiras tarefas que propus foi a leitura de medidas como 1/3 de xícara ou 1 litro, com as quais a classe não estava acostumada", conta a professora. Depois das atividades escritas, os alunos prepararam um bolo, colocando em prática os conhecimentos adquiridos.

O desafio maior veio a seguir: batalhar para obter o lucro, algo que, de acordo com a professora, eles já tinham noção do que significava. A cada semana, um grupo cuidava da cantina improvisada. Para definir que tipo de lanches vender, eles realizaram uma pesquisa de opinião junto às outras classes. O menor custo foi garantido com visitas a supermercados. "O combinado era comprar cada ingrediente onde fosse mais barato", lembra Márcia.

Os preços dos doces e salgados foram definidos com cautela. "Tínhamos de vender por mais do que haviamos gasto, mas nem tanto, porque se ninguém comprasse ficaríamos no prejuízo", explica Maria Isabel Telles, de 10 anos. Terminada a venda, os alunos faziam seu balanço. Descontados os gastos com os ingredientes, reembolsados mediante a apresentação das notas, o restante era lucro.

Cada imprevisto foi transformado em situação de aprendizagem. Uma das equipes, por exemplo, trouxe biscoitos de cebola que não tiveram boa saída. "A receita, escolhida por ser econômica, era inadequada", afirma Márcia. As contas apresentadas pelas equipes serviam para a criação de problemas.

No final do semestre, as crianças haviam conseguido lucrar 90 reais. "Elas decidiram alugar um videoquê e comprar escovas de dente e creme dental para doar a uma instituição", diz a professora, satisfeita com os resultados. A consultora Kátia Smole, coordenadora do Mathema, afirma que o projeto ensinou muito mais que conceitos matemáticos. "Os alunos aprenderam a planejar o uso do dinheiro, a organizar-se e a resolver problemas do dia-a-dia."

Quer saber mais?

Colégio Miró, R. Ari Barroso, 24, CEP 40155-300, Salvador, BA, tel. (0_ _71) 247-3022 

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Publicado em Abril 2001,
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