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Prova Brasil de Língua Portuguesa - 9º ano: procedimentos de leitura

Esta prova exige repertório para ler e entender textos dos mais simples aos mais complexos, dependendo do vocabulário, da organização e das pistas linguísticas, entre outros aspectos. A análise das questões e as sugestões didáticas a seguir são de Claudio Bazzoni, assessor de Língua Portuguesa da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo e selecionador do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10

Saiba mais sobre a Prova Brasil 2011

Localizar informações em um texto (Descritor 1)

Seja Criativo: Fuja das Desculpas Manjadas

 Entrevista com teens, pais e psicólogos mostram que os adolescentes 
dizem sempre a mesma coisa quando voltam tarde de uma festa. 
Conheça seis desculpas entre as mais usadas. Uma sugestão: evite-as. 
Os pais não acreditam.
- Nós tivemos que ajudar uma senhora que estava passando muito
mal. Até o socorro chegar... A gente não podia deixar a pobre 
velhinha sozinha, não é?
- O pai do amigo que ia me trazer bateu o carro. Mas não se pre-
ocupem, ninguém se machucou!
10  - Cheguei um minuto depois do ônibus ter partido. Aí tive de ficar horas esperando uma carona...
- Você acredita que o meu relógio parou e eu nem percebi?
- Mas vocês disseram que hoje eu podia chegar tarde, não se 
lembram?
15- Eu tentei avisar que ia me atrasar, mas o telefone daqui só dava
ocupado!

 
1.
De acordo com o texto, os pais não acreditam em
(A) adolescentes.
(B) psicólogos.
(C) pesquisas.

(D) desculpas.

Minha Sombra

5De manhã a minha sombra
com meu papagaio e o meu macaco
começam a me arremedar.
E quando eu saio
a minha sombra vai comigo
 fazendo o que eu faço
seguindo os meus passos
.
10
Depois é meio-dia. 
E a minha sombra fica do tamaninho
de quando eu era menino.
 15Depois é tardinha.
E a minha sombra tão comprida
brinca de pernas de pau.

Minha sombra, eu só queria
ter o humor que você tem,
20ter a sua meninice,
ser igualzinho a você.

E de noite quando escrevo,
fazer como você faz,
como eu fazia em criança:
25Minha sombra
você põe a sua mão
por baixo da minha mão,
vai cobrindo o rascunho dos meus poemas
sem saber ler e escrever.

LIMA, Jorge de. Minha Sombra In: Obra Completa. 19. ed. Rio de Janeiro: José Aguillar Ltda., 1958. 

2. De acordo com o texto, a sombra imita o menino
(A) de manhã.
(B) ao meio-dia.
(C) à tardinha.
(D) à noite.


Prezado Senhor,

 Somos alunos do Colégio Tomé de Souza e temos interesse em 
assuntos relacionados a aspectos históricos de nosso país, princi-
palmente os relacionados ao cotidiano de nossa História, como era 
o dia a dia das pessoas, como eram as escolas, a relação entre pais 
e filhos etc. Vínhamos acompanhando regularmente os suplementos 
 publicados por esse importante jornal. Mas agora não encontramos 
mais os artigos tão interessantes. Por isso, resolvemos escrever-lhe 
e solicitar mais matérias a respeito.

3. O tema de interesse dos alunos é
(A) cotidiano.
(B) escola
.
(C) História do Brasil.
(D) relação entre pais e filhos

Análise

As três questões solicitam a habilidade de localizar informações explícitas em um texto. Itens desse tipo oferecem diferentes graus de complexidade, pois os dados solicitados podem vir expressos literalmente no texto ou na forma de paráfrase. Para responder corretamente, é preciso ter a habilidade de seguir as pistas fornecidas. No caso da pergunta relacionada ao texto Seja Criativo: Fuja das Desculpas Manjadas, o caminho para chegar à resposta é ficar atento ao que aparece no primeiro parágrafo, linha 3. É necessário retomar o texto e localizar a informação que completa a frase "Os pais não acreditam em... desculpas." Para responder ao item ligado ao poema Minha Sombra, o caminho é localizar a passagem que apresenta uma ideia semelhante à imitação, já que esse termo não aparece no texto. O sexto verso da primeira estrofe - "fazendo o que eu faço" - representa um jeito de dizer que se imita. A ideia aparece, portanto, na primeira estrofe, que mostra como é o comportamento da sombra pela manhã. Já a questão relativa ao texto Prezado Senhor, apresenta uma complexidade maior do que as anteriores. Para não se confundir com as alternativas propostas, o jovem tem de entender que o interesse dos alunos do Colégio Tomé de Souza não é o cotidiano, mas o cotidiano de nossa história. Ou seja, o texto especifica muitos interesses, mas que ficam subordinados a um que é geral: História do Brasil.

Orientações
Para trabalhar a habilidade relacionada a esse descritor, ler junto com os estudantes textos de diferentes gêneros e conversar muito sobre os sentidos deles é uma boa estratégia. Vale lembrar que compreensão e interpretação não são atividades que se realizam após a leitura, mas durante ela. Em seguida, o ideal é recuperar com a turma as ideias principais e mostrar como elas formam blocos significativos no texto. 

Descobrir sentido da expressão (Descritor 3)

O Sapo
Era uma vez um lindo príncipe por quem todas as moças se apaixonavam. Por ele também se apaixonou a bruxa horrenda que o pediu em casamento. O príncipe nem ligou e a bruxa ficou muito brava. "Se não vai casar comigo não vai se casar com ninguém mais!" Olhou fundo nos olhos dele e disse: "Você vai virar um sapo!" Ao ouvir esta palavra o príncipe sentiu estremeção. Teve medo. Acreditou. E ele virou aquilo que a palavra feitiço tinha dito. Sapo. Virou um sapo. 

ALVES, Rubem. A Alegria de Ensinar. Ars Poética, 1994.

1. No trecho "O príncipe NEM LIGOU e a bruxa ficou muito brava", a expressão destacada significa que
(A) não deu atenção ao pedido de casamento.
(B) não entendeu o pedido de casamento.
(C) não respondeu à bruxa.
(D) não acreditou na bruxa.

Duas Almas

5Ó tu, que vens de longe, ó tu, que vens cansada,
entra, e sob este teto encontrarás carinho:
eu nunca fui amado, e vivo tão sozinho,
vives sozinha sempre, e nunca foste amada... 

A neve anda a branquear, lividamente, a estrada,
10e a minha alcova tem a tepidez de um ninho.
Entra, ao menos até que as curvas do caminho
se banhem no esplendor nascente da alvorada.

E amanhã, quando a luz do sol dourar, radiosa,
essa estrada sem fim, deserta, imensa e nua,
 podes partir de novo, ó nômade formosa!
Já não serei tão só, nem irás tão sozinha.
Há de ficar comigo uma saudade tua...
Hás de levar contigo uma saudade minha...

WAMOSY, Alceu. Livro dos Sonetos. L&PM.

2. No verso "e a minha alcova tem a tepidez de um ninho" (v. 6), a expressão sublinhada dá sentido de um lugar
(A) aconchegante.
(B) belo.
(C) brando.
(D) elegante. 

Análise
Ambas as questões testam a competência de inferir o sentido de uma palavra ou expressão. Aqui lida-se com diferentes níveis de significação dos termos e é preciso relacionar informações, observando o sentido denotativo e conotativo deles. Na primeira questão, ligada ao texto O Sapo, tem-se de acionar o repertório linguístico para inferir o significado no texto de "nem ligou". Essa é uma expressão que os falantes de língua portuguesa usam cotidianamente. No caso, ela indica que o príncipe não deu atenção ao pedido de casamento e deve ser entendida no sentido figurado. Já a palavra "tepidez", relacionada ao texto Duas Almas, é um pouco mais difícil por não ser comum no repertório da garotada do 9º ano. No sentido literal, ela significa mornidão. Acertar a resposta requer um raciocínio com base nas informações sugeridas pelas palavras conhecidas. "Ninho", no sentido conotativo, pode significar proteção e aconchego. Esse poderia ser um caminho para relacionar "tepidez" a aconchegante.

Orientações
Proponha atividades de leitura em que se possa inferir os sentidos de palavras e expressões com base no contexto para trabalhar essa competência em sala. Outra sugestão é propor exercícios em que se deve explicar denotativamente expressões que aparecem no sentido conotativo, como "ter minhoca na cabeça" e "conversa mole para boi dormir". 

Descobrir uma informação no texto (Descritor 4)

O Drama das Paixões Platônicas na Adolescência

 

  Bruno foi aprovado por três dos sentidos de Camila: visão, olfato e 
audição. Por isso, ela precisa conquistá-lo de qualquer maneira. 
Matriculada na 8ª série, a garota está determinada a ganhar o gato 
do 3º ano do Ensino Médio e, para isso, conta com os conselhos 
5  de Tati, uma especialista na arte da azaração. A tarefa não é simples, 
pois o moço só tem olhos para Lúcia - justo a maior 
"crânio" da escola. 
E agora, o que fazer? Camila entra em dieta espartana e segue as leis 
da conquista elaboradas pela amiga.

Revista Escola, março 2004, p. 63 

Pode-se deduzir do texto que Bruno
(A) chama a atenção das meninas.
(B) é mestre na arte de conquistar.
(C) pode ser conquistado facilmente.
(D) tem muitos dotes intelectuais.

Análise
A habilidade requerida nesta questão é inferir uma informação implícita em um texto - aquela que não está presente claramente, mas pode ser concluída. Aqui, aparecem duas pistas para deduzir algo sobre Bruno: a determinação de Camila em conquistá-lo e a palavra "gato", que no sentido figurado significa rapaz muito atraente. Considerando essas pistas, é fácil imaginar que Bruno chama a atenção das meninas.

Orientações
É fundamental ensinar a criar hipóteses interpretativas com base nas pistas apresentadas para reconhecer ideias implícitas num texto. Além disso, deve-se criar sentidos de acordo com as caracterizações de personagens, repetições de palavras, uso de figuras de linguagem etc.

Identificar tema do texto (Descritor 6)

Vínculos, As Equações da Matemática da Vida

5Quando você forma um vínculo com alguém, forma
uma aliança. Não é à toa que o uso de alianças é um dos
símbolos mais antigos e universais do casamento. O círculo
dá a noção de ligação, de fluxo, de continuidade. Quan-
do se forma um vínculo, a energia flui. E o vínculo só se
10mantém vivo se essa energia continuar fluindo. Essa é a
ideia de mutualidade, de troca.
Nessa caminhada da vida, ora andamos de mãos dadas,
em sintonia, deixando a energia fluir, ora nos distanciamos.
Desvios sempre existem. Podemos nos perder em
15um deles e nos reencontrar logo adiante. A busca é permanente.
O que não se pode é ficar constantemente fora
de sintonia.
Antigamente, dizia-se que as pessoas procuravam se
completar através do outro, buscando sua metade no
20mundo. A equação era: 1/2 + 1/2 = 1.
"Para eu ser feliz para sempre na vida, tenho que ser a
metade do outro." Naquela loteria do casamento, tirar a
sorte grande era achar a sua cara-metade.
Com o passar do tempo, as pessoas foram desenvolvendo
25um sentido de individualização maior e a equação
mudou. Ficou: 1 + 1 = 1.
"Eu tenho que ser eu, uma pessoa inteira, com todas as
minhas qualidades, meus defeitos, minhas limitações. Vou
formar uma unidade com meu companheiro, que também
30é um ser inteiro." Mas depois que esses dois seres inteiros
se encontravam, era comum fundirem-se, ficarem grudados
num casamento fechado, tradicional. Anulavam-se
mutuamente.
Com a revolução sexual e os movimentos de libertação
35feminina, o processo de individuação que vinha aconte-
cendo se radicalizou. E a equação mudou de novo: 1 + 1
= 1 + 1.
Era o "cada um na sua". "Eu tenho que resolver os meus
problemas, cuidar da minha própria vida. Você deve fazer
40o mesmo. Na minha independência total e autossuficiência
absoluta, caso com você, que também é assim." Em
nome dessa independência, no entanto, faltou sintonia,
cumplicidade e compromisso afetivo. É a segunda crise do
casamento que acompanhamos nas décadas de 70 e 80.
45Atualmente, após todas essas experiências, eu sinto as
pessoas procurando outro tipo de equação: 1 + 1 = 3.
Para a aritmética ela pode não ter lógica, mas faz sentido
do ponto de vista emocional e existencial. Existem
você, eu e a nossa relação. O vínculo entre nós é algo diferente
50de uma simples somatória de nós dois. Nessa proposta
de casamento, o que é meu é meu, o que é seu é seu
e o que é nosso é nosso.
Talvez aí esteja a grande mágica que hoje buscamos,
a de preservar a individualidade sem destruir o vínculo
55afetivo. Tenho que preservar o meu eu, meu processo de
descoberta, realização e crescimento, sem destruir a relação.
Por outro lado, tenho que preservar o vínculo sem
destruir a individualidade, sem me anular.
Acho que assim talvez possamos chegar ao ano 2000
60um pouco menos divididos entre a sede de expressão individual
e a fome de amor e de partilhar a vida. Um pouco
mais inteiros e felizes.
Para isso, temos que compartilhar com nossos companheiros
de uma verdadeira intimidade. Ser íntimo é ser
 próximo, é estar estreitamente ligado por laços de afeição
e confiança.

MATARAZZO, Maria Helena. Amar É Preciso. 22. 
ed. São Paulo: Editora Gente, 1992, p. 19-21

1. O texto trata PRINCIPALMENTE
(A) da exatidão da matemática da vida.
(B) dos movimentos de libertação feminina.
(C) da loteria do sucesso no casamento.
(D) do casamento no passado e no presente

Análise
Os textos são construídos basicamente de duas formas. Alguns (geralmente, os não-ficcionais) expõem explicitamente do que falarão, explicando isso por meio de conceitos. Os literários, sobretudo aqueles em prosa - como conto, fábula e romance -, apresentam o tema por trás do que acontece com os personagens. Vínculos, as Equações da Matemática da Vida trata do casamento no passado e no presente. Chega-se à resposta observando algumas características. É um texto não ficcional e logo no primeiro parágrafo dele há palavras-chave: aliança e casamento. A partir do terceiro, surgem marcas temporais: antigamente, com o passar do tempo e atualmente.

Orientação
Uma forma de desenvolver essa habilidade é ensinar a distinguir tema e figura. Em uma fábula, por exemplo, o tema está escondido por trás das ações das personagens (figuras).

 As Amazônias

5Esse tapete de florestas com rios azuis que os astronautas viram é a
Amazônia. Ela cobre mais da metade do território brasileiro. Quem viaja 
pela região não cansa de admirar as belezas da maior floresta tropical do
mundo. No início era assim: água e céu.
É mata que não tem mais fim. Mata contínua, com árvores muito altas,
     cortada pelo Amazonas, o maior rio do planeta. São mais de mil rios
desaguando no Amazonas. É água que não acaba mais.

SALDANHA, P. As Amazônias. Rio de Janeiro: Ediouro, 1995.

2. O texto trata
(A) da importância econômica do rio Amazonas.
(B) das características da região Amazônica.
(C) de um roteiro turístico da região do Amazonas.
(D) do levantamento da vegetação amazônica.

Análise
Neste item, que também avalia a capacidade de identificar o tema de um texto (como o de número 7), é preciso considerar que As Amazônias é predominantemente descritivo: muitos rios, belezas da floresta, matas sem fim, árvores altas, água em grande quantidade. Associar essas palavras citadas é o caminho para concluir que o assunto abordado são as características da região amazônica.

Orientações
Proponha atividades em que a turma tenha de perceber se o autor apresenta explicitamente o tema de um texto ou se o esconde, deixando-o por trás de fatos concretos e apresentando-o por meio do que acontece com pessoas, animais etc.

Distinguir um fato da opinião relativa a esse fato (Descritor 14)

3. A frase que contém uma opinião é
(A) "cobre mais da metade do território brasileiro" (l. 2).
(B) "não cansa de admirar as belezas da maior floresta" (l. 3).
(C) "...maior floresta tropical do mundo" (l. -3-4).
(D) "Mata contínua [...] cortada pelo Amazonas" (l. 5-6).

Análise
O leitor deve ser capaz de perceber num texto um fato da opinião relativa a ele. O primeiro pode ser comprovado por qualquer um mediante dados. A opinião é pessoal e subjetiva. O que conta aqui é perceber que uma ideia subjetiva do autor aparece na frase "não cansa de admirar as belezas...".

Orientações
A leitura de textos jornalísticos é uma atividade excelente para trabalhar a habilidade. Explique que muitos veículos afirmam buscar a objetividade, a imparcialidade e a neutralidade na transmissão das notícias, o que é impossível porque a linguagem é carregada de pontos de vista e crenças de quem produz o texto. Peça que a turma rastreie nas reportagens informações que podem ser consideradas exatas e outras pessoais.

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Publicado em Edição Especial Prova Brasil, Agosto 2009.
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