Edição Especial | 11/2007
Eu me chamo Pedro e tenho 7 anos. Eu tenho uma estrela, sabe?
Uma estrelona, linda, que está lá no céu, brilhando, todos os dias.
Quando eu tinha 3 anos, para salvar meu dente da frente que ficou mole
porque eu caí de boca brincando na gangorra da escola, minha dentista me disse
que... EU TERIA QUE PARAR DE USAR A MINHA QUERIDA CHUPETA VERDE!
– A chupeta ou o dente! – ela me mandou escolher.
Bom, eu nem quis ouvir direito essa proposta tão maluca! A doutora Virgínia e a minha mãe tentaram conversar comigo, explicar por que era importante eu não perder um dente tão cedo e... nada. Eu só olhava com o olho mais comprido do mundo para a chupeta verde, minha companheira do sono mais gostoso do mundo! Como dormir sem ela?
Na primeira noite em que fiquei sem a minha querida chupeta, só lembro de sentir o cheiro da minha mãe, que me carregou no colo enquanto papai dirigia nosso carro, passeando em frente ao meu parque preferido pra ver se eu enfim conseguia pegar no sono...
No dia seguinte fui com minha mãe e meu irmão ao parque e levei pão para dar aos patos que moram num lago bem bonito que tem lá. Um pato maior e mais cinza que os outros me chamou a atenção. Ele veio várias vezes comer pão na minha mão e eu gostei dele. Parecia o patinho feio da história que meu pai sempre contava antes de eu dormir.
Mamãe chegou perto de nós e disse que aquele era mesmo um pato especial. Ele costumava tomar conta das chupetas de alguns meninos. E fazia isso muito bem: ele transformava todas em estrelas! Superlegal!
Pus o nome naquele pato de Pato Pão. Eu não queria perder nem o meu dente nem a minha chupeta... Talvez o Pato Pão fosse a solução para o meu problema!
Então... resolvi dar a minha chupeta verde para ele. Ele pegou minha chupeta verde com o bico e atirou longe, no lago. Eu fiquei olhando para ela boiando, boiando... até desaparecer... Na hora de entregar a minha chupeta verde, mesmo para um pato tão especial como o Pato Pão, eu segurei bem forte a mão da minha mãe e a do meu irmão!
Enquanto a minha chupeta verde ia embora no lago, pensei que naquela noite ela não ia estar embaixo do meu travesseiro. Eu teria que ir até a janela se quisesse dar uma espiada nela.
Quando a noite apareceu, meu pai chegou do trabalho e se deitou na cama comigo, olhando pro céu, procurando a minha estrela-chupeta verde. Eu vi primeiro e nós dois batemos palmas pra ela! Aí eu só me lembro de adormecer com aquele brilho de estrela no meu olho e a sensação do abraço enorme do meu pai.
Todas as vezes em que penso na minha chupeta, olho pro céu, procurando a estrela-chupeta verde. Agora, a saudade, em vez de crescer como eu, fica menor a cada noite. Deve ser porque meninos grandes gostam mais de estrelas no céu do que de chupetas, eu acho.
Conto de Januária Alves
Ilustrado por Ionit Zilberman
Quem é quem?
Januária Alves, paulistana, 40 anos, viveu a infância e a adolescência em Recife. Com 11 anos, já publicava textos no suplemento infantil do Diário de Pernambuco. Conheceu o escritor e desenhista Mauricio de Sousa, criador da Turma da Mônica, em uma entrevista que fez com ele para o jornal pernambucano.
Quando publicou seu primeiro livro, O Dia em Que a Terra Se Apaixonou, aos 18 anos, Maurício fez o prefácio. Jornalista com especialização em ação cultural com crianças e jovens, ela foi roteirista do programa Bambalalão, da TV Cultura de São Paulo, e escreveu a peça infantil Lampião Júnior e Maria Bonitinha, que ficou em cartaz na capital paulista por três anos e depois viajou pelo Nordeste.
Ionit Zilberman, nascida em Telavive, Israel, 34 anos, mudou com os pais uruguaios para o Brasil aos 6 anos de idade. Tinha 18 quando foi trabalhar em uma simpática livraria, a extinta Klaxon, em São Paulo, onde caiu de amores pelos livros infantis e decidiu que queria ilustrá-los. Em 1996, formou-se em Artes Plásticas na Faap, mas somente em 2001 começou a trabalhar como ilustradora. Atualmente, é colaboradora fixa das revistas Bons Fluidos e Educação e esporádica de muitas outras. Os dois primeiros livros infantis que ilustrou estão prestes a sair do forno pela Brinque Book e pela SN. Para o futuro, planeja escrever suas próprias histórias. Seu trabalho é todo feito em papel, depois fotografado ou escaneado.
site: www.fotoblog.com.ionit_zilberman
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