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Variar textos: a melhor receita para formar leitores

Algumas atividades simples, aplicadas já nas primeiras séries, ajudam as crianças a interpretar textos de todas as disciplinas

Márcio Ferrari

Foto: Karine Basílio/Assistente Du Talfor

Formar leitores é uma tarefa que começa cedo e deve continuar sempre. Na edição passada, ESCOLA já mostrou (na reportagem "Bons leitores são bons alunos em qualquer disciplina") que o desenvolvimento da leitura e da escrita não pode ser feito apenas pelo professor de Língua Portuguesa. A tarefa é responsabilidade de todas as áreas, porque cada uma tem textos com características específicas. Mas como deve agir o professor de 1ª a 4ª série, que leciona todas as matérias? E o especialista, que apresenta aos alunos os textos mais específicos de cada área? A recomendação é a mesma para os dois: colocar a garotada em contato com diferentes tipos de texto. Quanto mais cedo a turma começa a conviver com uma variedade de estilos, gêneros e assuntos, mais autonomia de leitura ganha. Por isso, não é necessário esperar a 5ªsérie, quando a garotada vai ter vários professores, para desenvolver em classe atividades de leitura com textos científicos, por exemplo.

Alunos podem enfrentar textos considerados difíceis

Uma criança tem autonomia de leitura quando enfrenta - e não contorna - as dificuldades naturais de compreensão diante de um texto. "O pior que o professor pode fazer quando a classe considera uma leitura complicada é deixá-la de lado e tentar resolver o assunto na base da saliva e do giz", diz Maria José Nóbrega, consultora de língua portuguesa, de São Paulo. "Fazendo isso, ele constrói uma armadilha, porque só aprofunda as barreiras que o aluno já tem."

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Se os estudantes não entendem um texto, o professor pode lê-lo com eles, esclarecer as dúvidas e mostrar como fazer relações que permitam a compreensão. Se, mesmo assim, a classe achar complicado, não há problema em recorrer a um texto mais simples. "Ele vai funcionar como trampolim para leituras mais complexas", diz Maria José.

E o texto que a turma achou difícil? Ele deve ser retomado mais adiante. É preciso "forçar" um pouco para que o estudante se acostume a diferentes modos de escrever e até goste dessas novidades. Maria José cita as três principais estratégias para ajudar a compreender bem um texto: localizar informações, estabelecer relações (entre diferentes trechos do texto, por exemplo) e fazer inferências (como deduzir o sentido de palavras desconhecidas e destacar ironias ou pressuposições do autor).

O que é preciso para desenvolver a leitura

Como trabalhar a compreensão de textos específicos de cada disciplina com uma classe que não tem familiaridade com o vocabulário e os conceitos da área? Primeiro é preciso saber até que ponto os alunos dominam um texto sozinhos. É importante avaliar ainda o que eles já sabem sobre o tema.

Terminado esse trabalho de observação, você está pronto para conversar com a classe sobre as expectativas em relação ao trabalho de leitura. A turma deve saber previamente o objetivo do texto - se pretende entreter, informar, descrever etc. Isso é fundamental para facilitar a compreensão. Uma recomendação valiosa para as crianças: avaliar sempre se estão acompanhando o texto ou perderam o fio da meada. Maria José faz um último alerta: não há uma única interpretação. "O professor não pode esperar que os alunos compreendam o mesmo que ele. A turma deve aprender a tirar as próprias conclusões."

Escola começa leitura de Ciências na 2ª série

Na Escola de Educação Infantil e Ensino Fundamental Embaixador Assis Chateaubriand, em Osasco (SP), ligada à Fundação Bradesco, os professores desenvolvem um projeto com muita troca de informação para aperfeiçoar a leitura nas turmas de 2ª a 4ª série. Já na 2ª série começa o contato com textos de divulgação científica, tirados (e, se necessário, adaptados) de revistas, livros ou enciclopédias. Após a leitura, alguns esclarecimentos e discussões, os estudantes preenchem esquemas montados pelos professores em que identificam o assunto principal do texto e o modo como ele é organizado.

Esses esquemas se tornam mais complexos nas séries seguintes. Aos poucos, a esquematização do texto vai ficando por conta dos próprios estudantes, que passam a definir o tema principal e seus desdobramentos.

Finalmente na 4ª série, os resumos são trabalhados. "Os alunos usam para isso a experiência da esquematização - não para resumir o texto por partes, mas para compreender sua lógica e reescrevê-lo de modo sintético", explica Sílvia Juhas, supervisora pedagógica da Fundação Bradesco.

Durante as três séries, o professor sugere e acompanha procedimentos de leitura, como sublinhar o texto e fazer anotações nas margens. "Vamos discutindo hábitos de estudo", diz a professora Ivani Ferreira de Oliveira, da 3ª série. Ela ajuda os alunos a construir os esquemas, organizar bancos de palavras que antes desconheciam e fazer pesquisas. Depois, pede para eles pesquisarem outros meios de compreender um texto, como elaborar perguntas e organizar esquemas, e incentiva cada um a escolher os que prefere. A resposta vem rapidamente: já no segundo bimestre, a turma produz os primeiros artigos sobre ciência.

Quer saber mais?

CONTATOS

Escola de Educação Infantil e Ensino Fundamental Embaixador Assis Chateaubriand (Fundação Bradesco), Cidade de Deus, s/n, 06029-900, Osasco, SP, tel. (11) 3684-5172

BIBLIOGRAFIA

Escola, Leitura e Produção de Textos, Ana Maria Kaufman e Maria Elena Rodriguez, 180 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-7033444, 38 reais

Estratégias de Leitura, Isabel Solé, 194 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-703-3444, 42 reais

Leitura: Ensino e Pesquisa, Angela Kleiman, 216 págs., Ed. Pontes, tel. (19) 3252-6011, 45 reais

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Publicado em Abril 2005.
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