Editado por Beatriz Vichessi
Pergunta enviada por Adriadne dos Santos Nunes, Suzano, SP
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TUDO SOBRE
Em nossa língua, há dois gêneros para determinar o sexo (real ou fictício) dos seres: masculino e feminino. O gênero, para os nomes dos seres vivos, normalmente corresponde ao sexo do indivíduo a que se refere o substantivo. Em geral, se antepõem aos substantivos os artigos definidos (o, os, a, as) ou os indefinidos (um, uns, uma, umas). Há, porém, alguns tipos de substantivo que sofrem uma flexão de gênero de maneira diferente e específica.
Intérprete e colega, por exemplo, com uma só forma designam indivíduos dos dois sexos. Não têm gênero fixo: são masculinos quando se referem ao homem e femininos quando indicam a mulher. Por isso, são denominados comuns de dois gêneros. Para indicar o gênero deles, é preciso usar um artigo ou, então, um adjetivo. Há ainda nomes como criança e monstro, que têm gênero fixo e funcionam tanto para o sexo masculino como para o feminino, aceitando somente um tipo de artigo, conforme o caso.
Exemplo: Pedro é uma criança esperta. Ela é um monstro. São os substantivos sobrecomuns. Mas há exceções. Cobra e tubarão, por exemplo, não são sobrecomuns, mas têm um só gênero para se referir aos dois sexos. Por quê? Isso ocorre pois a gramática classifica os substantivos usados para designar certos animais como epicenos. Eles necessitam das palavras macho e fêmea para apontar o sexo. Então, temos de dizer a cobra fêmea, a fêmea da cobra, a cobra macho ou o macho da cobra.
Consultoria Otacilio Palareti, coordenador de revisão de texto das editoras IBEP e Companhia Editora Nacional.
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Robson Hasmann - Postado em 30/04/2009 20:34:55
Tenho acompanhado esta coluna e, não raro, aprendo muito. No entanto, este mês tive uma surpresa: a explicação parece estar um pouco invertida. Explico-me com mais clareza. Em determinada passagem do texto, lê-se: "alguns tipos de substantivo [...] Não têm gênero fixo: são masculinos quando se referem ao homem e femininos quando indicam a mulher. Por isso, são denominados comuns de dois gêneros." O trecho não responde à pergunta da leitora. Diz, simplesmente, como a gramática denomina tal situação. Já no trecho a seguir, a explicação, além de ser feita de maneira oposta à anterior, acentua uma concepção errônea e língua: a de que a gramática vem antes do uso. O trecho explica que o uso das palavras masculino e feminino para designar o gênero de alguns substantivos "ocorre pois a gramática classifica os substantivos usados para designar certos animais como epicenos." O equívoco consiste em dizer que a gramática define e por isso está há a nomemclatura. Quando, na verdade, sabemos que a gramática é construída a partir do uso modelo, entre autores clássicos, textos formais e, de acordo com a origem da língua. Assim, acredito que o melhor teria sido dizer que foi a passagem do latim vulgar para o português que definiu determinados gêneros. Um exemplo são palavras como leite e sal, que, em português, são masculinas, mas em espanhol (língua próxima) são femininas.