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Sequência Didática

Gramática com textos: 8º ano - sinônimos, hiperônimos e hipônimos

Introdução
Esta é a décima de uma série de 16 sequências didáticas que fazem parte de um programa de estudo de gramática para 6º a 9º ano do Ensino Fundamental. Confira ao lado todas as aulas da série.

Objetivos
Analisar sinônimos, hiperônimos e hipônimos como elementos de coesão.
Refletir sobre formas de referenciação na produção textual.

Conteúdos
Elementos de referenciação: sinônimos, hiperônimos e hipônimos.

Tempo estimado
Cinco aulas

Desenvolvimento

1ª etapa
Apresente à turma o texto abaixo.

Brincadeira acessível

Foi inaugurado ontem no parque Ibirapuera, em SP, um brinquedo acessível para crianças com deficiência.

A nova atração conta com rampas de acesso e corrimãos, para crianças com mobilidade reduzida, e piso tátil, para aquelas com deficientes visuais.

Segundo a Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, o brinquedo também pode ser usado por crianças sem deficiência, já que a ideia é levar ao parque a perspectiva de inclusão - cadeiras de rodas, por exemplo, estão à disposição de todos os pequenos.

Hoje e amanhã, haverá no local atrações de circo, além de brincadeiras com intérprete de libras.

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1110201014.htm. Acesso em 12 out. 2010.

Peça que os alunos observem como o brinquedo é mencionado no texto. No primeiro parágrafo, ele é apenas brinquedo. No segundo, é a nova atração. E, no terceiro, volta a ser brinquedo. Leve a classe a perceber que a expressão introdutória do segundo parágrafo expande a ideia de brinquedo - dizendo que ele é uma novidade no parque.

Feita essa análise, peça que os alunos identifiquem outra palavra ou expressão mencionada no primeiro parágrafo, retomada e expandida nos demais. Dê um tempo para que realizem a tarefa.

Veja se os alunos perceberam que se trata da palavra crianças. No primeiro parágrafo, elas são caracterizadas como crianças com deficiência. No segundo, há um desdobramento em crianças com mobilidade reduzida e deficientes visuais. No penúltimo, há uma nova especificação - crianças sem deficiências. Aparece, também, o termo pequenos, que engloba todas as crianças, com ou sem deficiência.

Para finalizar, proponha que os alunos busquem sinônimos para a expressão os pequenos. A tarefa pode ser realizada por meio da consulta a dicionários. Podem, também, perguntar aos pais, avós etc.

2ª etapa
Inicie a aula com a correção da tarefa. Peça que cada aluno diga um sinônimo encontrado. Analise se ele retoma de modo adequado a expressão os pequenos.

Ao final, escolha algumas ocorrências. Mostre à classe que elas não só trazem consigo a ideia de crianças, como também apresentam significados próprios. Por exemplo, as palavras guris, petizes molecada - embora sinônimos - indicam modos de falar relacionados a regionalismos, à formalidade e à informalidade.

Dê outros exemplos. A Gramática Houaiss de José Carlos de Azeredo cita alguns. Embora nos dicionários as palavras fotos e retratos sejam sinônimos, o uso do último termo indicia a idade do falante. Ele pertenceria a um tempo tido como ultrapassado. Do mesmo modo, vexado aponta para o nordeste brasileiro. Já a palavra lerdo é sinônimo de lento, mas traz uma conotação negativa.

Conclua com os estudantes que o uso dos sinônimos em um texto não só representa um elemento coesivo, mas também sugere uma posição a respeito do mundo.

Proponha aos alunos a leitura do trecho abaixo do romance Memórias de um Sargento de Milícias. Antes de iniciar a leitura, apresente sucintamente a eles o enredo do livro. Explique que o romance, peculiar na literatura brasileira dos anos de 1850, narra a trajetória de um protagonista malandro. O livro começa descrevendo sua infância atribulada e cheia de travessuras. O trecho abaixo é o início do capítulo II, intitulado "Primeiros Infortúnios".

Memórias de um Sargento de Milícias

"Passemos por alto sobre os anos que decorreram desde o nascimento e batizado do nosso memorando, e vamos encontrá-lo já na idade de sete anos. Digamos unicamente que durante todo este tempo o menino não desmentiu aquilo que anunciara desde que nasceu: atormentava a vizinhança com um choro sempre em oitava alta; era colérico; tinha ojeriza particular à madrinha, a quem não podia encarar, e era estranhão até não poder mais.

Logo que pôde andar e falar tornou-se um flagelo; quebrava e rasgava tudo que lhe vinha à mão. Tinha uma paixão decidida pelo chapéu armado do Leonardo; se este o deixava por esquecimento em algum lugar ao seu alcance, tomava-o imediatamente, espanava com ele todos os móveis, punha-lhe dentro tudo que encontrava, esfregava-o em uma parede, e acabava por varrer com ele a casa; até que a Maria, exasperada pelo que aquilo lhe havia de custar aos ouvidos, e talvez às costas, arrancava-lhe das mãos a vítima infeliz. Era, além de traquinas, guloso; quando não traquinava, comia. A Maria não lhe perdoava; trazia-lhe bem maltratada uma região do corpo; porém ele não se emendava, que era também teimoso, e as travessuras recomeçavam mal acabava a dor das palmadas. Assim chegou aos sete anos."

Disponível em: http://pt.wikisource.org/wiki/Mem%C3%B3rias_de_um_Sargento_de_Mil%C3%ADcias/II Acesso em: 12 out. 2010

Solicite que os alunos reescrevam o primeiro parágrafo, substituindo as referências ao menino por sinônimos que enfatizem o seu caráter negativo.

3ª etapa
Inicie a aula realizando a correção da tarefa. Em seguida, proponha a leitura compartilhada do trecho abaixo.

Operação apreende mais de 140 aves silvestres no ES

A ação de combate ao tráfico de animais silvestres terminou na manhã desta sexta-feira

09 de janeiro de 2009 | 20h 57
Fabiana Marchezi, do estadao.com.br

Mais de 140 aves silvestres foram apreendidas nos últimos três dias durante a Operação Via Ápia, realizada no Espírito Santo por meio de uma parceria entre o Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

A ação de combate ao tráfico de animais silvestres terminou na manhã desta sexta-feira, 9, com a apreensão de curiós, espécie com risco de extinção no Estado, pixoxós e papagaios Chauã, ambos ameaçados no Brasil. Também foram identificados dez proprietários de animais com anilhas falsas.

Os agentes percorreram as regiões de Pedra Azul, Anchieta, Guarapari e Serra. Eles ainda apreenderam 186 artesanatos feitos com animais marinhos. Além disso, foram recolhidos brinco de pena de animais silvestres, dois cascos de tartaruga, e xaxim (planta em risco de extinção).

A multa por cada animal ameaçado de extinção é de R$ 5 mil. No caso de artesanato com animais marinhos - exceto concha - a multa pode variar de R$ 500 a R$ 50 mil por peça, dependendo do grau de ameaça de extinção da espécie.

Os animais serão encaminhados ao Centro de Reintrodução de Animais Selvagens (Cereias), localizado em Barra do Riacho, no município de Aracruz.

Todos os responsáveis foram autuados e respondem criminalmente, podendo pegar de seis meses a um ano de detenção. As multas aplicadas pelo Ibama somam R$ 429.400.

Disponível em: http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,operacao-apreende-mais-de-140-aves-silvestres-no-es,305038,0.htm. Acesso em 12 out.

Em seguida, faça um levantamento com a turma de termos e expressões utilizadas para fazer referência às aves silvestres mencionadas no título. Copie-os no quadro, na ordem em que aparecem.

Aves silvestres
Animais silvestres
Curiós
Pixoxós
Papagaios Chauã
Animais

Discuta com os alunos a relação entre esses termos. Proponha que a turma reorganize-os de acordo com seu campo de abrangência.

Animais
Animais silvestres
Aves silvestres
Curiós - Pixoxós - Papagaios Chauã.

Explique que, no caso da relação estabelecida entre esses termos, temos hiperônimos e hipônimos. Eles estão associados a uma maior ou menor abrangência de significados.

Como explica Ingedore Koch, professor da Universidade Estadual de Campinas, "hiperônimos e hipônimos são termos de um mesmo campo de sentido, em que um deles designa o gênero e o outro, a espécie".

Para que fique mais claro, dê alguns exemplos aos alunos. A palavra flor é hiperônimo de rosa, cravo, violeta, que são seus hipônimos. Explique que não se trata, porém, de relações absolutas. Um termo pode ser hipônimo de outro mais genérico, e hiperônimo de algo mais específico.

Por exemplo:

Animal é hiperônimo de vertebrado.
Vertebrado é hipônimo de animal e hiperônimo de mamífero.
Mamífero é hipônimo de animal e vertebrado, mas é hiperônimo de roedor.

KOCH, Ingedore Villaça e ELIAS, Vanda Maria. Ler e Compreender os Sentidos do Texto. São Paulo: Contexto, 2008

A Gramática explica que "a estruturação do léxico em termos de hipônimos e hiperônimos é uma propriedade fortemente presente nas linguagens técnicas e científicas, caracterizadas pelo uso ostensivo de terminologias classificatórias".

Diga aos alunos que, na língua corrente, as relações são mais flexíveis. Os termos genéricos associam-se a termos específicos sem o rigor classificatório das linguagens técnicas. É assim que encontramos expressões como coisa, negócio, parte.

Retome com a moçada a notícia lida no início desta etapa. Peça que os estudantes procurem explicar as relações entre os termos selecionados. Comente com a turma que essas relações podem - e devem - ser utilizadas nas produções textuais que realizam. Por meio delas, é possível fazer a ligação entre as partes do texto, dando a elas a coesão - um dos atributos da textualidade.

4ª etapa
Inicie a etapa com a leitura compartilhada da crônica de Ruy de Castro. Diga aos alunos que a crônica, texto normalmente veiculado na imprensa, é um gênero que apresenta de modo poético acontecimentos do cotidiano.

Instrumento do amor

RUY CASTRO

RIO DE JANEIRO - Outro dia, na ponte aérea, fui parado no raio-X do Santos-Dumont por estar "portando" um cortador de unhas. A senhora da esteira não perdoou: ou eu voltava ao balcão e despachava o instrumento pontiagudo ou teria de despejá-lo numa caixa destinada a objetos proibidos de entrar em aviões. Para não perder o voo, preferi me desfazer dele. E olhe que era um trim de estimação.

Pois, na sexta última, voltou a acontecer, só que em Congonhas. Desta vez, o objeto que eu "portava" era uma caixa de madeira de 36cm x 39cm, contendo um motor, dois pequenos alto-falantes, um prato giratório, uma haste equipada com um microestilete de diamante, um pino central e várias roldanas e polias. Além de botões de liga-desliga, próprios, talvez, para disparos automáticos, inclusive um chamado de "automático".

Ao ver a caranguejola - tão bem embalada por meus amigos Mercia e Mario Gabbay, que tinham me presenteado com ela -, as duas jovens do raio-X fizeram a esteira ir e voltar enquanto discutiam a finalidade do objeto. O qual poderia ser tudo, desde um instrumento de tortura até uma bomba-relógio ou uma máquina para fins imorais.

Então, perguntaram-me o que era. Respondi: "É um toca-discos Philips, modelo 243, de fabricação alemã. Tem amplificação própria, seu prato gira a 33, 45 e 78 rpm, e é equipado com uma cápsula contendo uma agulha para discos de vinilite e outra para discos de cera de carnaúba e guta-percha".

As moças nem piscaram. Insisti: "Eu sei, parece arma de terrorista. Mas é um instrumento do amor. Os pais de vocês já namoraram muito ao som desse equipamento".

Ao ouvir a palavra equipamento, elas respiraram e soltaram a esteira, liberando meu subversivo toca-discos. No qual, desde sábado tenho tocado 78s de Stan Kenton, Lionel Hampton e Spike Jones, fazendo o maior barulho a horas mortas.

Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1110201005.htm  Acesso em 12 out. 2010

Após a leitura, tire as eventuais dúvidas relativas ao vocabulário. Peça, então, que os alunos se coloquem em duplas. Proponha que identifiquem os sinônimos ou termos utilizados para nomear os dois objetos citados no texto. Peça que discutam se os procedimentos adotados pelo cronista para apresentar esses objetos são idênticos. Sugira que reflitam também sobre o papel da palavra equipamento na crônica.

Durante a correção, observe se os alunos conseguiram identificar os sinônimos ou expressões utilizadas para nomear os dois objetos:

cortador de unha
instrumento pontiagudo
trim de estimação

objeto
caixa de madeira de 36cmx39cm
caranguejola
objeto
toca-discos Philips
instrumento de amor
equipamento

Discuta com eles os procedimentos adotados. No primeiro caso, o elemento específico é utilizado de início para nomear o objeto - um cortador de unha. No segundo, o cronista parte do geral - o objeto - até chegar ao particular - toca-discos Philips. Quanto à palavra equipamento, ela parece mobilizar as atendentes, pois faz parte da visão cultural que possuem. Ou seja, encaixa-se no universo de expectativas delas.

Discuta com os alunos os usos que fazemos da palavra equipamento. Ela aparece em nosso vocabulário como um termo genérico, capaz de denominar a parafernália eletrônica que nos rodeia. Nesse caso, ocorre algo similar à ideia de foto/retrato, discutida anteriormente. Mostre aos alunos que cada momento histórico conta com termos mais ou menos usuais.

Avaliação
Peça que os alunos redijam um comentário sobre a crônica de Ruy Castro. Nele, devem se atentar à palavra texto e utilizar um termo mais específico (hipônimo) e um sinônimo para fazer referência a ela. Esses termos devem ser sublinhados no comentário.

Quer saber mais?

Bibliografia
ALMEIDA, M. A . Memòrias de um Sargento de Milícias. São Paulo: Ática, 1977.
AZEREDO, J. C.. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo: Publifolha, 2008.
KOCH, I. V. A Coesão Textual. São Paulo: Contexto, 2008.
KOCH, I. V.e ELIAS, V. M. Ler e Compreender os Sentidos do Texto. São Paulo: Contexto, 2008.

Consultoria Conceição Aparecida Bento
Doutora em Letras pela Universidade de São Paulo e professora universitária.

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