Gustavo Heidrich
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Além do básico, como garantir acesso e variedade de títulos e um espaço dedicado para a Literatura, é preciso mais para formar leitores literários na escola. "Os profissionais de Educação precisam atualizar seu conhecimento literário, desenvolver critérios de seleção adequados para os alunos e saber quais aprendizagens podem ser avaliadas por meio desse tipo de leitura", chama a atenção Patrícia Helena Diaz, coordenadora pedagógica da Comunidade Educativa Cedac, em São Paulo.
Para ajudar nessas tarefas, NOVA ESCOLA e NOVA ESCOLA GESTÃO ESCOLAR elaboraram duas reportagens para que professores, coordenadores pedagógicos e diretores entendam melhor seus papéis na formação de leitores e consigam reverter o quadro de não-leitura no país que atinge 48% da população, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil do Instituto Pró-Livro. (NOTA: são considerados não-leitores aqueles que não leram nenhum livro nos últimos três meses)
Leia as reportagens e tire suas dúvidas até o dia 3 de setembro de 2010, ao postar seus comentários abaixo. Elas serão respondidas periodicamente pela consultora Patrícia Diaz.
Paula Nadal - Postado em 03/09/2010 19:29:52
Em nome da equipe do site de NOVA ESCOLA e GESTÃO ESCOLAR, gostaria de agradecer a todos pela participação no fórum com a professora Patrícia Diaz. Esperamos que a discussão seja sempre um bom caminho para refletir sobre a formação de leitores. Um abraço!
Comentário do Autor - Olá a todos! Gostaria de agradecer a oportunidade de participar das discussões desse fórum que foram muito ricas e estimulantes para continuarmos pensando e agindo para a melhoria da prática e do ensino de leitura nas escolas do nosso país. Durante a conversa que estabelecemos aqui tocamos em assuntos extremamente importantes para nós, educadores, que estamos empenhados em mudar a situação dos resultados da educação, em especial, da formação leitora de nossos alunos. Falamos do forte papel que a leitura exerce na formação de cidadãos mais atuantes para a luta contra as desigualdades sociais; da importância de a leitura tornar-se um projeto institucional da escola em que todos se envolvam e atribuam sentido para a prática leitora na comunidade escolar; da necessidade de ultrapassar a ideia de que apenas o prazer basta para formarmos leitores competentes, já que sabemos que o ato de ler exige esforço e o seu ensino exige que o professor planeje situações significativas para o desenvolvimento das aprendizagens necessárias; da importância de o professor continuar lendo em voz alta para os alunos, mesmo que já estejam no EF II, para que não percam o encanto e o desejo pela leitura e também para que possam ir gradativamente aprofundando seus conhecimentos leitores; da necessidade de o professor adotar critérios para a seleção de boas obras a serem lidas, levando em consideração os conhecimentos relacionados ao texto, estrutura, gênero, ilustrações, formato etc.; da importância para os alunos de ter a oportunidade de reler a mesma história várias vezes; da importância de o professor planejar ao longo do mês uma variedade e continuidade das leituras que levem em conta as diferentes aprendizagens necessárias à formação mais completa do leitor; da própria formação leitora do professor e sua conseqüente atuação como modelo para os alunos, já que sem que os professores coloquem em prática seus próprios comportamentos leitores é muito difícil que saibam como ensiná-los aos alunos; e, por fim, da integração dos pais a algumas situações de leitura para que possam valorizar esse conhecimento e também usufruir do empréstimo do acervo de livros para ler com seus filhos em casa. Enfim, circulamos por todos os lados a questão da leitura e pudemos pensar em alguns exemplos sobre como todas essas questões podem acontecer na prática escolar. Espero que todos tenham aproveitado e estejam, cada um em seu espaço de atuação, aperfeiçoando a cada dia sua atuação como formadores de leitores. Obrigada e até mais! Patrícia.
Gabriela Maria de Matos Leal - Postado em 31/08/2010 13:09:22
Ao ler os comentários ,percebi que muitos enfatizaram a integração família-escola, mas atento para os meios utilizados visando essa prática.Deve-se conhecer as famílias muito bem para não expo-las e nem isolá-las.Pois ,muitos pais não tiveram o acesso ao estudo e principalmente no interior onde predomina o trabalho agrícola...
Comentário do Autor - Oi Gabriela. Você tem razão quando ressalta a necessidade de adequarmos nossas propostas para aproximar as famílias da escola, considerando sua origem, costumes e possibilidades. Considero que a escola deve ensinar os conteúdos a que se propõe igualmente para todos os alunos e não apenas para aqueles que, fora da escola, têm outras oportunidades de aprendizagem em seus ambientes familiares. Dessa forma, creio que as ações elaboradas pela escola para integrar os pais às práticas de leitura que desenvolve devem ter flexibilidade para poder incluir todos, cada um da forma como pode colaborar. Fazer os livros circularem em casa, por exemplo, pode ser uma forma de aproximá-los dos pais, mesmo daqueles que não têm tanta habilidade com a leitura. Porém o professor deve cuidar para fazer da melhor forma, contando antecipadamente essa proposta aos pais e pesquisando com eles quais pessoas da família ou amigos, vizinhos podem contribuir para ler junto às crianças. Podem, inclusive, fazer uma grande roda de leitura em casa, incluindo adultos e crianças próximas. De qualquer forma, a escola precisa prestar contas aos pais do que está realizando para que as crianças tornem-se leitoras e, nos casos em que a leitura não é uma realidade tão presente aos pais, ela pode buscar formas de fazê-lo incluindo-os como possíveis incentivadores da leitura aos seus filhos, já que compreenderão gradativamente a sua importância. Um abraço, Patrícia.
Josiane Conceição da Cruz Mariano - Postado em 27/08/2010 13:41:05
Boa tarde, gostei muito da matéria, pois, acredito que a leitura é uma das ferramentas mais importantes para o estudo e o trabalho. Num mundo onde os meios de comunicação dominam o interesse das novas gerações, a escola e a família precisam se preocupar em despertar nas crianças hábitos de leitura, pois assim consiguiremos construir uma sociedade mais justa, onde todos tem o poder de lutar por seus direitos. Gostaria de ver mais projetos que estão dando certo nas escolas, principalmente com a integração da família. Estou realizando um estágio na educação infantil e percebo que a família precisa desta integração.
Comentário do Autor - Josiane, você tocou em outro tipo de leitura, que não é literária, mas para o estudo, que é muito importante também para a formação completa do leitor. Quando falamos em ler para estudar, para compreender melhor sobre um assunto, para obter novas informações e confrontá-las com as já sabidas etc. é preciso outro tipo de investimento por parte do professor, que não é exatamente igual ao que faz para formar leitores literários. A escolha dos textos informativos precisam ter rigor relacionado à fidedignidade das fontes; a preparação do professor precisa atentar-se para a compreensão do texto, os indicadores de subtítulos, fotos e legendas que acompanham o texto escrito; a escolha de vários textos sobre um mesmo tema, porém com gradação de dificuldade e novas informações... A forma de apresentar o texto para os alunos pode conter uma problematização para que levantem questões para buscarem nos diversos textos que lerão. As estratégias a serem ensinadas também são diferentes da leitura literária, pois incluem a escrita (grifos, anotações, resumos). Os comentários após as leituras precisam conter não apenas opiniões sobre o texto e tema, mas debates sobre a compreensão dos mesmos, já que nos textos informativos não há liberdade de interpretação como nos literários. Enfim, comento apenas algumas questões que os professores precisam estar atentos nos momentos de proporcionar aos alunos situações de leitura cujo objetivo é aprender sobre algum tema. Assim, estaremos de fato preparando as crianças e jovens para o mundo do estudo e do trabalho. Um abraço, Patrícia.