Thais Gurgel Colaborou Tadeu Breda

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Narração, descrição e dissertação. Por muito tempo, esses três tipos de texto reinaram absolutos nas propostas de escrita. Consenso entre professores, essa maneira de ensinar a escrever foi uma das principais responsáveis pela falta de proficiência entre nossos estudantes. O trabalho baseado nas famosas composições e redações escolares tem uma fragilidade essencial: ele não garante o conhecimento necessário para produzir os textos que os alunos terão de escrever ao longo da vida. "Nessa abordagem, ninguém considerava quem seriam os leitores. Não havia a ref lexão sobre a melhor estratégia para colocar uma ideia no papel", resume Telma Ferraz Leal, da Universidade Federal de Pernambuco.
Para aproximar a produção escrita das necessidades enfrentadas no dia-a-dia, o caminho atual é enfocar o desenvolvimento dos comportamentos leitores e escritores. Ou seja: levar a criança a participar de forma eficiente de atividades da vida social que envolvam ler e escrever. Noticiar um fato num jornal, ensinar os passos para fazer uma sobremesa ou argumentar para conseguir que um problema seja resolvido por um órgão público: cada uma dessas ações envolve um tipo de texto com uma finalidade, um suporte e um meio de veiculação específicos. Conhecer esses aspectos é condição mínima para decidir, enfim, o que escrever e de que forma fazer isso. Fica evidente que não são apenas as questões gramaticais ou notacionais (a ortografia, por exemplo) que ocupam o centro das atenções na construção da escrita, mas a maneira de elaborar o discurso (leia o texto da página 3).
Há outro ponto fundamental nessa transformação das atividades de produção de texto: quem vai ler. E, nesse caso, você não conta. "Entregar um texto para o professor é cumprir tarefa", argumenta Fernanda Liberali, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. "Escrever não é fácil. Para que o aluno fique estimulado com a proposta, é preciso que veja sentido nisso." O objetivo é fazer com que um leitor ausente no momento da produção compreenda o que se quis comunicar - e esse desafio requer diferentes aprendizagens.
O primeiro passo é conhecer os diversos gêneros. Mas é preciso atenção: isso não significa que os recursos discursivos, textuais e linguísticos dos contos de fadas e da reportagem, por exemplo, sejam conteúdos a apresentar aos alunos sem que eles os tenham identificado pela leitura, como ressalta Delia Lerner no livro Ler e Escrever na Escola. Um primeiro risco é o de cair na tentação de transmitir verbalmente as diferentes estruturas textuais. De acordo com a pesquisadora em didática, cabe a todo professor permitir que as crianças adquiram os comportamentos do leitor e do escritor pela participação em situações práticas e não "por meras verbalizações".
Ensinar a produzir textos nessa perspectiva prevê abordar três aspectos principais: a construção das condições didáticas, a revisão e a criação de um percurso de autoria, como se pode ver a seguir.
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Andréa Luciane Albano Nunes - Postado em 27/02/2010 16:52:41
Sou professora de Oficina de Literatura de uma Escola de Tempo Integral em Campo Verde - Mato Grosso. Há 3 anos que trabalho produção textual com meus alunos, também sempre achei que o texto escrito pelo aluno tem que ter um objetivo. Escrever para que? ou para quem? por isso produzimos um livro com as histórias criadas pelas crianças, narração, dissertação. Do início até chegar a escrita final são quase 3 meses, porque a criança se preocupa com os elementos que constituem o texto como: ideias, estrutura, concordância, enredo enfim, a produção desse texto para o livro é só o pretexto para que o aluno aprenda a produzir com qualidade. Para ver o primeiro livro escrito por eles podem acessar o blog de literatura: www.saladeliteraturainfantil.blogspot.com ou entrar direto neste link: http://www.docstoc.com/docs/4790018/Brincando-de-Fazer-Literatura Obrigada e parabéns pela matéria. Andréa Albano
Joyce Morais Pianchao - Postado em 14/09/2009 08:24:05
Muito interessante a reportagem, pois sou professora do ensino fundamental e estou esse ano com uma turma de 2º ano/9, crianças de 7 anos, que estão lendo e escrevendo muito. Tenho um blog onde faço registro de tudo que produzem. E para incentivar à outros professores coloco sempre o link da Nova Escola que sempre tenha algo de importante a acrescentar. Também estou sempre aqui para me atualizar. Escrever de verdade é útil para crianças e adultos. Parabéns! Professora Joyce Pianchão.
luiz carlos paes vieira - Postado em 02/05/2009 17:11:10
Produzir um texto demarca as fronteiras do conhecimento do indivíduo. Quanto já trilhamos, por onde andamos e por onde podemos singrar. A matéria, de extrema oportunidade, estará sendo disponibilizado para a rede municipal de educação de Capela do Alto/SP como subsídio de debate e avaliação. Parabéns.