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Língua Portuguesa

01/2008

Usar a poesia para desenvolver a oralidade

Conheça um jeito lúdico e eficiente de expandir o universo de comunicação dos pequenos

Deborah Trevizan

Foto: Fernanda Sá; agradecimento: Chicletaria e Imaginarte Empório Lúdico
Foto: Fernanda Sá; agradecimento: Chicletaria e Imaginarte Empório Lúdico

Desenvolver a oralidade é uma das habilidades que se espera nos primeiros anos de escolaridade. Nas turmas de pré-escola, é possível fazer isso de diversas formas. Brincadeiras cantadas, como músicas e cantigas de roda, ou faladas, como trava-línguas  e parlendas, sempre são bem recebidas nessa idade. De forma lúdica, elas ampliam as possibilidades de comunicação e expressão e promovem o interesse pelos vários gêneros orais e escritos. O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil prevê que os conteúdos ligados a essa área devem ser divididos em três blocos nas classes de 4 e 5 anos de idade: falar e escutar, práticas de leitura e práticas de escrita. Assim, num bom trabalho com esse tema a oralidade, a leitura e a escrita são apresentadas às crianças de forma integrada e complementar. O objetivo é potencializar os diferentes aspectos que cada uma dessas linguagens exige das crianças.

De acordo com a consultora pedagógica
de NOVA ESCOLA e da Fundação Victor Civita, Regina Scarpa, levar turmas de pré-escola a desenvolver
a oralidade é ampliar sensivelmente as possibilidades de comunicação. “O ideal é que o professor articule
esse trabalho com tarefas de leitura e escrita, como o manuseio de livros, revistas e outros materiais, com
o objetivo de criar o hábito e o apreço pela leitura e, com isso, despertar também o interesse pela escrita.” Entre os diversos gêneros textuais, a poesia
se adapta muito bem a esse tipo de atividade. Na Escola Nossa Senhora do Morumbi, em São Paulo, isso
já é realidade há mais de cinco anos (leia o quadro ao lado). E você também pode conduzir sua turma por esse caminho. O CD que vem encartado com esta edição especial, do cantor e compositor Gabriel o Pensador, traz quatro músicas e um poema, chamado
Sandra e Pedro, que o próprio artista declama num vídeo gravado especialmente para NOVA ESCOLA On-line. Convide a criançada a acessar o site e ver as imagens antes de
colocar o CD para tocar. Outra forma de ampliar o universo discursivo é o reconto de histórias. Nesses momentos, os pequenos se apóiam em enredos conhecidos, criam diálogos e até mudam a voz para representar um personagem. 

Hora de brincar com as palavras

Na Escola Nossa Senhora do Morumbi, em São Paulo, a professora Débora Corrêa ensina poesia para  turmas de 4 anos desde 2002. O projeto Poesia Também se Aprende tem por objetivo permitir que as crianças brinquem com as palavras e percebam as diferenças
entre ritmos e sonoridades, cantar e recitar, falar e recitar. Após cinco anos de trabalho, ela diz que a garotada aprende a reconhecer, compreender e dar significado às palavras. “Sem falar que o vocabulário enriquece, pois todos aprendem novas expressões no contexto em que elas devem ser usadas”, afirma. “A poesia estimula o raciocínio ao
brincar com as palavras. E os menores, que ainda têm dificuldade para se expressar, aproveitam muito essas oportunidades de troca, até porque os textos sempre representam situações reais.”

Ao longo do primeiro semestre, ela apresenta os textos para as crianças ampliarem o repertório. Todos os dias, na roda de conversa, alguns poemas são recitados em conjunto. A atividade começa com textos bem conhecidos. Pouco a pouco, o “cardápio” vai aumentando. Débora usa poesias curtas, de fácil memorização e com situações
próximas da realidade. Parte do trabalho é manusear os livros para garantir que todos reconheçam o nome da obra, do autor e do poema. “Essa foi uma idéia que surgiu durante o projeto, quando percebi que muitos ficavam extremamente interessados quando eu citava a obra e o poeta. Hoje, eles não só identificam os livros como também sabem até as páginas em que estão os versos prediletos.” Raridade, de José Paulo Paes (abaixo), está nessa categoria. O jogo de palavras, que faz com que “Arara” vire “Arrara”, num contexto que fala sobre a extinção dos animais, cativa a meninada. Já em A Boneca, de Olavo Bilac, as crianças se identificaram com o tema: a disputa pelos brinquedos. “Fiquei perplexa ao ouvir o grupo dizer, antes mesmo que eu terminasse de recitar, que não havia gostado da
poesia. Quando perguntei por quê, eles disseram que era porque as meninas estavam brigando, mas, na verdade, eles se incomodaram com a situação retratada, não com o texto em si.”

Depois do mergulho no mundo da poesia, Débora montou um livro com as preferidas do grupo e cada um teve direito a um exemplar, ilustrado coletivamente. Além disso, pais, amigos e as próprias crianças gravaram uma fita cassete (com vários outros poemas não lidos em classe), o que favoreceu a memorização e possibilitou a ampliação do repertório, num trabalho que misturou oralidade e memória cultural. Para encerrar, a professora organizou um sarau de poesia, em que os pequenos declamaram os textos para familiares e funcionários da escola.

Raridade
 

JOSÉ PAULO PAES
A Arara
É uma ave rara
Pois o homem não pára
de ir ao mato caçá-la
para a pôr na sala
em cima de um poleiro
onde ela fica o dia inteiro
fazendo escarcéu
porque já não pode
voar pelo céu
E se o homem não pára
de caçar arara,
hoje uma ave rara,
ou a arara some
ou então muda seu nome
para arrara.

Quer saber mais?

CONTATO
Colégio Nossa Senhora do Morumbi, Av. Giovanni Gronchi, 4000, São Paulo, SP, 
tels. (11) 3742-5513 e 3744-0015 

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