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Projeto

5.3.2 Projeto biografias e autobiografias

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Objetivos 
- Criar um espaço de reflexão sobre as características da linguagem escrita e promover situações de leitura e escrita de biografias e autobiografias.
- Trabalhar com um destinatário real para a produção escrita.

Anos
1º e 2° anos.

Conteúdos
- Produção de texto.
- Características específicas das biografias.
- Procedimentos de revisão. 

Tempo estimado
De dois a três meses 

Material necessário
Livros de biografias e autobiografias, papéis, canetas, lápis e cartolina.  

Flexiblidade para deficiência intelectual
Se a coordenação motora do aluno ainda não estiver tão desenvolvida, inclua papéis em tamanho maior e riscantes com pontas mais grossas.

Desenvolvimento
1ª etapa
Convide os alunos a contar a sua história, um registro escrito de suas marcas pessoais, suas lembranças mais queridas e fatos relevantes de sua vida. É importante que, desde o início, eles saibam que vão escrever uma autobiografia e que a sua história somada à dos colegas vai se transformar em livro. Nesse primeiro momento, o principal objetivo do trabalho é estimular a capacidade criadora e a apropriação da linguagem escrita da garotada.

2ª etapa
Leia em voz alta biografias de personalidades da música, da pintura e da literatura. Por meio delas, as crianças vão se familiarizar com esse tipo de texto, além de conhecer um pouco da vida de Portinari, da grandeza da obra de Mozart, das férias de Monteiro Lobato no sítio, ou se indignar com a infância de Heitor Villa-Lobos, que tinha suas pernas amarradas pelo pai para fazer a lição. Converse com a turma sobre as características identificadas e o que diferencia esse tipo de texto dos demais, como contos, fábulas e notícias jornalísticas. 

Flexiblidade para deficiência intelectual
Dê ao aluno uma instrução antecipada explicitando o que será trabalhado e o comportamento esperado nesse momento. Nas situações que exigem maior tempo de concentração, convide-o a sentar ao seu lado e estimule sua atenção deixando-o apreciar visualmente o livro.

3ª etapa
O grupo já pode elaborar um roteiro, contemplando todos os assuntos que eles gostariam de escrever nas próprias autobiografias: nome, local de nascimento, nomes dos pais, irmãos, avós, o que mais gostam de fazer na escola e fora dela, as comidas preferidas, os bichos de estimação, as lembranças mais queridas, histórias divertidas.

Flexiblidade para deficiência intelectual
Se o aluno ainda não for alfabético, peça auxílio da família ou do AEE para completar esse roteiro antecipadamente. Em sala, selecione alguns itens do roteiro, prepare uma folha com frases incompletas e peça que ele a complete copiando as informações do roteiro. As correspondências entre a folha e o roteiro podem ser pelas cores (por exemplo, um traço vermelho no espaço do texto para copiar a palavra que está marcada em vermelho no roteiro). Acompanhe essa atividade lendo para ele as palavras que ele estiver escrevendo.

4ª etapa
Com o roteiro pronto e antes de escrever sua própria história, proponha aos estudantes elaborar coletivamente uma biografia a fim de experimentar a produção do tipo de texto que acabaram de conhecer. Pode ser a biografia do diretor da escola, a de outro professor ou a de um servente, mas deixe que a classe escolha quem será o biografado e garanta que a pessoa escolhida seja conhecida por todos do grupo. 

Flexiblidade para deficiência intelectual
A escolha pode ser feita por votação. Peça que, em algum momento, o aluno vá ao quadro para registrar o número de votos.

5ª etapa
Faça uma revisão coletiva do texto a partir da pergunta: "O que precisamos fazer para que essa biografia fique mais bonita e mais gostosa de ler?". Para conseguir a resposta, dê exemplos de bons textos: leia histórias de autores conhecidos e peça à turma que diga quais são as palavras mais bonitas usadas por esses autores e o que eles fazem para deixar um texto melhor?. As crianças costumam responder com a precisão de um escritor, são rápidas e fulminantes, pois sabem o que faz diferença, percebem que a linguagem escrita não é igual à falada e precisam apenas da oportunidade de pensar e dizer. 

Flexiblidade para deficiência intelectual
Em algum momento dessa etapa, escolha um livro que o aluno tenha levado para que ele tenha mais participação na atividade coletiva.

6ª etapa
O próximo passo será escrever com os estudantes uma lista com expressões comuns nesse tipo de texto, organizadores textuais conectivos e palavras que eles gostariam de usar em suas autobiografias, por exemplo: "desde então", "tal qual", "predileta", "emocionante", "porém" e "silenciosamente", entre outras.

Flexiblidade para deficiência intelectual
Se houver habilidade para a escrita, peça que o aluno copie o registro que estiver fazendo no quadro. Isso será uma contribuição para o grupo, pois quando precisar apagar o conteúdo estará registrado.

7ª etapa
Comece a produção do texto. Os alunos que já sabem escrevem de próprio punho e os outros produzem oralmente e ditam para que você escreva. Assim, todos os textos serão de autoria das crianças, mesmo que não tenham escrito.

8ª etapa
Para criar uma cadência de atividades embaladas por uma atmosfera colaborativa, leia em voz alta as autobiografias de todos e, juntos, revisem e definam versões mais aprimoradas de cada texto. Se necessário, peça que escrevam uma segunda versão da história, se baseando nos comentários feitos pelos colegas.

9ª etapa
Para ilustrar as autobiografias, peça que as crianças desenhem ou façam colagens de seus autorretratos.

10ª etapa
Escreva a introdução do livro e organize o índice também. Lembre-se de que o objetivo do livro não é apresentar um texto perfeito com todos os aspectos corrigidos, pois isso não seria possível nesse momento da aprendizagem. O foco da reflexão de cada estudante é a produção de um texto de sua autoria.

11ª etapa
Digite as histórias, imprima, encaderne os exemplares e marque o dia do lançamento, pois a celebração dessa conquista pode ser uma tarde de autógrafos com a presença dos pais.

Produto final
Livros de autobiografia.

Avaliação
Avalie a pertinência dos textos produzidos pelas crianças em relação à sua função social, à sua forma e aos seus aspectos linguísticos; a qualidade e propriedade dos comentários feitos nas rodas de revisão de texto; a ocorrência de marcas de revisão nos textos, convencionadas em grupo; o uso de determinados comportamentos para ditar um texto ao professor (falar pausadamente, repetir alguns trechos, trocar textos ou palavras, solicitar nova leitura, depois da mudança realizada etc.); o uso de comportamentos escritores (definir o gênero, planejar e decidir que aspectos serão tratados no texto, enfrentar os problemas da escrita, considerar o destinatário ausente) e o uso de marcas textuais no discurso oral.

Consultoria: Beatriz Gouveia
Coordenadora do programa Além das Letras, do Instituto Avisa Lá.

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