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Língua Portuguesa

Edição 193 | Junho/Julho 2006

A turma faz a crítica do livro

Garotada da pré-escola aprende a fazer indicações de obras e assim compartilha suas histórias preferidas

Agnes Augusto

LEITURA E ESCRITA  Tramas ricas e bem ilustradas
são as preferidas na hora de fazer resenhas
Fotos: Fernanda Sá

LEITURA E ESCRITA  Tramas ricas e bem ilustradas
são as preferidas na hora de fazer resenhas

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"Quando eu era bebê eu era bonito? Em outros lugares os animais perguntaram a seus pais a mesma coisa, mas quando chegou na história do sapo a conversa foi outra. E se você quiser saber o restante desta história compre o livro: Como É que Eu Era Quando Era Bebê?"

Luana, Lucas, André, Melissa, Giovanna e Laura estavam na pré-escola. Apesar de não terem sido alfabetizados, já gostavam de contos infantis, como se pode ver no texto acima, criado por eles na Creche/Pré-Escola Central da Universidade de São Paulo (USP), na capital paulista. Eles tiveram a chance, em 2006, de participar de um projeto de imersão no mundo da leitura e da escrita.

Para realizar um trabalho como esse, é fundamental que a leitura seja um item permanente na rotina. Ler diariamente é uma obrigação, e não somente uma atividade para ser feita se sobrar tempo. Num país como o nosso, em que apenas 26% da população é plenamente alfabetizada e cada cidadão lê em média apenas 1,8 livro por ano (contra 2,4 na Colômbia, cinco nos Estados Unidos e sete na França), estimular o gosto pela literatura desde os primeiros anos de escolaridade é uma importante missão da escola.

Formação de leitores

Um trabalho desse tipo é uma necessidade hoje, pois é preciso conhecer a norma culta desde cedo para poder ter uma participação social efetiva no futuro, diz Beatriz Gouveia, coordenadora do Programa Além das Letras do Instituto Avisa Lá, em São Paulo. Engana-se quem acha que isso é escolarizar a Educação Infantil, ocupando o tempo da brincadeira para ensinar conceitos e definições da língua. Assim como oferecemos experiências envolvendo música e artes visuais, as práticas sociais de leitura e escrita são algo que a garotada também tem o direito e o prazer de vivenciar.

Na Creche da USP, os professores formam bons leitores utilizando desde o berçário publicações de vários gêneros contos de fada e também os modernos, lendas, mitos e fábulas. A partir de 1 ano e meio de idade, todos fazem empréstimos na biblioteca. O projeto Indicação Literária se encerra com a Feira Cultural do Livro. O objetivo é usar esses textos para estimular familiares e funcionários a ler aqueles de que a turma mais gosta, explica a coordenadora pedagógica Clélia Cortez Moriama.

Em 2006, as professoras Andréa Bordini Donnangelo e Cláudia Elisabete Duarte Calado de Souza perguntaram: O que fazer com que os visitantes da feira se sintam interessados em ler nossos livros prediletos? Apareceram várias respostas. Uma delas sugeria apontar oralmente os mais apreciados e expor os exemplares da biblioteca. Porém, alguns apresentaram as inconveniências dessas ações e propuseram a criação de textos curtos com informações sobre cada obra.

As crianças manusearam catálogos de editoras, leram resenhas com as professoras e se convenceram de que essa era uma boa solução. Na biblioteca, elas escolheram os títulos preferidos e, em grupos de quatro ou cinco, entraram em ação. Para começar, todos relembraram a narrativa e discutiram como produzir os textos.

Cada grupo tinha um escriba, que passava para o papel o que era ditado pelos colegas. A primeira versão trazia informações como título, autor, editora e uma curta descrição. Em seguida, veio a revisão uma por dia para preservar as outras atividades de rotina. Primeiro, Andréa e Cláudia leram cada texto na íntegra e em voz alta. Depois, releram em partes, perguntando se havia algo a alterar. Chamávamos a atenção para os erros de concordância e as marcas da oralidade, como né e tá, explica Andréa. A ortografia não é importante nessa fase, complementa Cláudia. As modificações foram colocadas no quadro-negro e cada grupo anotou a nova versão do texto.

O objetivo era estimular o propósito social e comunicativo da escrita. Por fim, os textos foram colados em cartolinas e colocados na entrada da Feira Cultural do Livro. No dia do evento, os pequenos mostraram suas produções aos visitantes e alguns até compraram um exemplar indicado para ter em casa.

Quer saber mais?

CONTATO
Creche/Pré-Escola Central da Universidade de São Paulo
, Av. da Universidade, 200, 05508-900, São Paulo, SP, tel. (11) 3032-2233

BIBLIOGRAFIA
Além da Alfabetização, Ana Teberosky e Liliana Tolchinsky, 296 págs., Ed. Ática, tel. (11) 3990-2100, 41, 50 reais

Diálogo entre o Ensino e a Aprendizagem, Telma Weisz, 136 págs., Ed. Ática, 34,90 reais

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