Ivan Paganotti
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EspecialA pergunta é recorrente: por que insistir que os alunos leiam um idioma estrangeiro se eles demonstram dificuldade até mesmo para se virar em português? Isso quer dizer que, antes mesmo de falar em estratégias de leitura para a disciplina, os professores de Língua Estrangeira precisam defender a relevância do conteúdo que ensinam...
Felizmente, não é tão difícil fazê-lo: aprender idiomas amplia as capacidades de comunicação e expressão, sobretudo num mundo em que as fontes de informação (alguém aí pensou em internet?) são encontradas em diferentes línguas. Para chegar lá, em vez de trabalhar com gêneros (leia o quadro abaixo), muita gente ainda trilha o caminho tradicional da tradução de textos e da memorização de vocabulário. Já há teoria e prática suficientes para dizer que essas não são as melhores opções.
"Os alunos não precisam compreender palavra por palavra para dar sentido a um texto. O que se faz, inicialmente, é uma leitura geral. Depois dela, pergunta-se o que entenderam", diz Cláudio Muzzio, professor de Espanhol do Colégio Miró, em Salvador. O que se espera é que se comparem as ideias principais com as hipóteses anteriores à leitura (leia o infográfico).
Quase sempre, a resposta para tais perguntas não exige uma consulta frenética ao dicionário inglês-português para verter cada termo. Muitas vezes, é possível deduzir palavras pelo contexto. Em outras, o entendimento delas não é tão importante: são auxiliares e não modificam substancialmente os conceitos apresentados.
Para que a turma atue assim, é preciso, antes de tudo, mobilizá-la para ler em outro idioma. Uma saída é apontar que determinadas informações de artigos científicos, notícias e manuais de instrução de jogos ou programas importados não apresentam traduções. Ou seja, se dependermos só do português, ficamos sem os dados de que necessitamos. "Outra possibilidade é mostrar casos em que se encontram mais informações em língua estrangeira do que na materna", explica Andrea Vieira Miranda Zinni, coordenadora de inglês da Escola Stance Dual, na capital paulista, e selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10. Isso fica evidente, por exemplo, quando comparamos o número de artigos em inglês (mais de 3 milhões) na Wikipedia, enciclopédia livre e colaborativa online, com os verbetes em português (que só recentemente superou a casa dos 500 mil). Além disso, muitos artigos estão mais completos em idiomas que não o português, principalmente quando tratam de temas próprios da realidade de outros países - como o verbete sobre Halloween, o Dia das Bruxas, que não explica, na versão nacional, a origem da tradição de fazer lanternas com cascas de abóbora.
O que sei, o que quero saber, o que aprendi
Nas aulas da escola Stance Dual, o professor e a turma do 6º ano constroem juntos uma tabela de entendimento do texto

O PRÉVIO
A coluna K, de what I know, indica o que os estudantes sabem sobre o texto. Deve ser preenchida no levantamento de hipóteses
AS DÚVIDAS
A coluna W, de what I want to know, lista perguntas da turma. É preenchida antes da leitura ou na exploração inicial do texto
AS LIÇÕES
A coluna L, de what I learned, mostra as contribuições do texto para a compreensão do tema. É preenchida depois da leitura.
TUDO EM INGLÊS
Com o professor atuando como escriba, o quadro deve ter apenas expressões no idioma estrangeiro, mesmo que a turma use o português
Gêneros privilegiados em Língua Estrangeira
Biografia
O relato sobre a vida de personagens históricos ou que impactam a sociedade atual permite conhecer um pouco sobre a pessoa e os eventos retratados - o que ajuda muito na compreensão do texto em idioma estrangeiro. Com menor complexidade estilística e estrutura marcadamente cronológica, as biografias são um bom suporte para estudar tempos verbais e a função de adjetivos e advérbios na qualificação de personagens.
Texto Jornalístico
Assim como as biografias, os alunos podem ter algum conhecimento sobre os eventos, o que ajuda a construir hipóteses sobre o sentido do texto.
Texto instrucional
Muitos manuais de programas de computador ou de jogos de videogame não apresentam versões em português. Longe de ser uma barreira, isso pode se tornar uma oportunidade para o aluno trabalhar com o idioma, estudando o imperativo e sua relação com a descrição de tarefas.
Canção
Opção certeira entre os gêneros ficcionais, músicas de grupos internacionais agradam por já estarem naturalmente presentes no mundo dos estudantes. O uso complementar de videoclipes pode ajudar os alunos a visualizar os temas presentes na letra da música.
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gabriela abdalla mhamed maihub - Postado em 09/11/2010 22:13:34
Muito interessante a matéria " A importância do contexto".Sempre aprendi na escola a traduzir palavra por palavra,antes de entender ou tentar ,o contexto. Muito interessante o esquema,da tabela k W l. Parabéns pela matéria.
Silvia Tatiana - Postado em 09/11/2010 08:44:04
Muito interessante o artigo, pois relata de forma clara e precisa a realidade que nós professores enfrentamos no momento que aplicamos uma atividade de leitura ou de interpretação. ¿¿¿ ¿Uma das frases típicas que ouvimos é ¿não sei lei em Português e a senhora quer que eu leia em Inglês¿,¿ Não entendo nada do que fala esse texto¿, lendo o artigo percebemos que podemos cativar nossos alunos, trazer e aplicar novos métodos com os quais os alunos percam esse medo de se expor, de encarar um idioma adicional como algo natural e cada vez mais presente na sua vida. Faz parte da nossa profissão, propiciar essa confiança no aluno, demonstrar sua capacidade e habilidade para superar obstáculos, nesse sentido o artigo vêm nos ampliar novos horizontes de como encarar essa problemática.
Silvia lucia Alves Bastos - Postado em 08/11/2010 22:24:10
Silvia Bastos Este texto é de grande importância pois quebra alguns paradigmas quanto ao aprendizado (e ensino) da língua inglesa. Deixa claro o quanto é relevante que o professor de língua estrangeira defenda o conteúdo que ensinam e demonstra como que com vontade e criatividade é possível construir junto com os alunos o entendimento de um texto sem que se precise traduzir palavra por palavra. Confesso que muitas vezes lanço mão do dicionário por ser "mais prático" mas lendo este texto admirável do Professor Cláudio Mizzio percebo o quanto é importante criarmos métodos para desenvolvermos as habilidades e competências de nossos alunos.Obrigada por me proporcionar a oportunidade de conhecer esta importante ferramenta de ensino. Silvia Bastos