Edição Especial | Janeiro 2009
Rita Loiola
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Fazer um planejamento para classes com jovens com deficiência exige cuidados especiais. A primeira coisa é conhecer a criança e a família. Esse contato, além de ajudar a saber com quem você vai passar o ano, também orienta sobre os materiais específicos de que pode precisar em aula. Outra forma de conseguir essas informações é procurar o profissional que oferece atendimento especializado. "Essa troca é importante para o professor ter ideia das habilidades e competências com as quais está lidando", explica Daniela Alonso, consultora na área de inclusão e selecionadora do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10. "Com isso, ele pode pensar em propostas colaborativas dentro de sala e aperfeiçoar seus métodos pedagógicos. Cada aluno tem necessidades próprias. Nenhuma deficiência é igual", diz.
O planejamento deve levar em conta que podem ser necessárias, por exemplo, transcrições para o braile, audiolivro ou interpretação em libras. Esse apoio, garantido por lei, é feito por especialistas em conjunto com a escola. As secretarias municipais, organizações regionais e nacionais de apoio aos deficientes, universidades ou o Ministério da Educação oferecem orientações, materiais didáticos e até mesmo profissionais e estagiários. "Com a escola, o educador pode cobrar soluções para assegurar os direitos de seus alunos", diz Daniela.
Mais do que os materiais de acesso, planejar uma aula inclusiva implica observar a Educação de modo amplo. Em vez de aulas que privilegiem a informação e sua reprodução, o professor pode buscar a interação dos jovens. "A Educação para a inclusão pede uma mudança de concepção do ato de ensinar", diz Maria Teresa Mantoan, coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Ensino e Diversidade da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). "O ensino focado na repetição de conceitos há muito tempo é ruim para qualquer estudante, com deficiência ou sem", diz.
O caminho é abordar os assuntos com base em aspectos variados, por meio de técnicas ou recursos audiovisuais, considerando os saberes prévios da garotada. A valorização da experimentação e da criação em discussões, pesquisas ou trabalhos em grupo, com materiais que proporcionem diferentes níveis de compreensão, faz com que todas as crianças se sintam integradas e mais motivadas a aprender. E, quanto mais variados forem os instrumentos, melhor. "É bom ter em mente que, se o professor pensar só em imagens para traduzir os conceitos, ele não penaliza apenas quem é cego, mas também quem senta no fundo da sala ou tem mais facilidade em compreender verbalmente", completa.
"A diversificação das técnicas em sala de aula fez todos responderem positivamente", conta a professora Margarete de Menezes Prade, da EE Coronel Ciro Carvalho de Abreu, em Porto Alegre (RS). Esse ano ela recebeu um jovem cego em sua turma do 3º ano e precisou reorganizar seus cursos. Colocou bonequinhos e miniaturas de bichos nas aulas de ciências sobre os animais e, com os estudantes, levou a apresentação dos trabalhos em grupo para além da cartolina e leitura, deixando-a mais dinâmica. "Ele apenas colocou em evidência onde eu precisava agir diferente. Na hora de planejar as aulas, comecei a variar meus materiais de pesquisa e pensar em debates polêmicos e questões de diversidade", diz. Ela também tem a ajuda da máquina em braile e, no ano que vem, terá um ábaco para o ensino da matemática. "Quando fico em dúvida, os alunos ajudam, dão ideias e trazem material de casa", diz.
O QUE FAZER, CASO A CASO
Deficiência auditiva
Deficiência visual
Deficiência física
Deficiência mental
Cada estudante tem seu caminho e ritmo próprios de estudo, compreendendo temas de formas diversas. Na hora de avaliar, o que está em jogo é o progresso de cada um e seu processo de aprendizagem. "Quando optamos por ver o que o jovem é capaz de produzir e suas respostas às atividades propostas, conseguimos acompanhar seu percurso escolar e a evolução das competências", explica Mara Lúcia Sartoretto, pedagoga e consultora da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down. Em outras palavras, não é a reprodução de informações, mas o que o aluno acrescentou ao seu conhecimento prévio e a forma como fez isso que devem ganhar nota.
Mara dá o exemplo de atividades diversificadas, como a construção de um portfólio. Por meio da observação diária, o educador descobre o que as crianças aprendem e a maneira pela qual trilham o saber. Também percebe as capacidades de cada um e ganha pistas de como ampliá-las.
Quer saber mais?
BIBLIOGRAFIA
Caminhos Pedagógicos da Inclusão, Maria Teresa Mantoan, 243 págs., Ed. Memnon, tel. (11) 5575-8444, 38 reais
Educação Inclusiva: Contextos Sociais, Peter Mittler, 264 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-7033444, 49 reais
Manual de Portfólio: um Guia Passo a Passo para Professores, Elisabeth Shores e Cathy Grace, 160 págs., Ed. Artmed, 48 reais
INTERNET
O Acesso de Alunos com Deficiência às Escolas e Classes Comuns da Rede Regular de Ensino, tel. (61) 3105-6001
Orientações da Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação
Referencial sobre Avaliação da Aprendizagem de Alunos com Necessidades Especiais
NEIVA ALVES BRANDÃO GOMES - Postado em 20/01/2010 17:51:55
OLÁ GOSTARIA QUE O TEMA INCLUSÃO FOSSE CONSTANTE EM SUAS REVISTAS, POIS TEM SIDO DE AJUDA PARA OS PROFESSORES QUE VÃO RECEBER EM SUAS ESCOLAS ALUNOS COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS, NOTO CERTO DE DESORIENTAMENTO ENTRE ELES E COM CERTEZA TODA AJUDA SERÁ BEM VINDA. SUGIRO UM GUIA OU UMA EDIÇÃO ESPECIAL SOBRE O "CURRÍCULO FUNCIONAL" OBRIGADA E ATÉ BREVE