Paula Nadal
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A inclusão de alunos com deficiência auditiva no ensino regular é um assunto que divide opiniões. Enquanto alguns especialistas defendem a matrícula desses estudantes em escolas exclusivamente especializadas até o final do Ensino Fundamental - para que sejam plenamente alfabetizados em Libras e em Língua Portuguesa -, outros afirmam que esses alunos devem estar matriculados em turmas de escolas regulares, junto dos ouvintes.
O fato é que o número de pessoas surdas matriculadas nas escolas regulares não para de crescer. Segundo os dados do Censo Escolar de 2009, mais de 40 mil alunos com algum tipo de deficiência auditiva - surdez total, perda parcial da audição ou surdocegueira - estão nas classes regulares de Educação Infantil, Ensino Fundamental e EJA, o que representa 65% dos estudantes com deficiência auditiva do país. E é preciso encontrar meios eficazes para incluir esses alunos e garantir a aprendizagem em todos os segmentos.
O Decreto Federal nº 5626, de 22 de dezembro de 2005, estabelece que alunos com deficiência auditiva tenham o direito a uma educação bilíngue nas classes regulares. Isso significa que eles precisam aprender a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como primeira língua e a Língua Portuguesa em sua modalidade escrita como segunda língua. Por isso, a Língua Brasileira de Sinais deve ser adquirida pelas crianças surdas o mais cedo possível - o que, em geral, acontece na escola - preferencialmente na interlocução com outros surdos ou com usuários de Libras.
Entre 2006 e 2009, o Ministério da Educação (MEC) certificou pouco mais de 5 mil intérpretes pelo Prolibras - o Programa Nacional para Certificação de Proficiência no Uso e Ensino da Língua Brasileira de Sinais - e, embora mais de 7,6 mil cursos superiores de Pedagogia, Fonoaudiologia e Letras ofereçam a disciplina de Libras, ter o número de intérpretes necessário para atender a demanda das escolas ainda é uma realidade distante.
Para se ter uma ideia, na rede municipal de São Paulo há apenas 19 intérpretes cadastrados, para atender mais de 300 alunos. E os desafios não param por aí. Além de comunicar-se em Libras, esses profissionais precisam conhecer os conteúdos curriculares para explicá-los aos estudantes.
Pensando nisso, respondemos a cinco dúvidas comuns sobre os programas governamentais e a obtenção de materiais de apoio que vão ajudá-lo a incluir os alunos com deficiência auditiva nas turmas regulares.
Nome não registrado - Postado em 01/04/2012 08:33:28
É muito bom saber que mais pessoas se preocupam com a educação de surdos no Brasil mas, leio muito e pouco encontro sobre a contratação do INSTRUTORES SURDOS nas escolas. São eles, os surdos, os maiores especialistas em na Libras e estão desenvolvendo outras atividades profissionais. Por que existe essa e persiste esta discrepância? Simples! Ouvintes encontram aí mais um campo de emprego, tomando o lugar daqueles que pouco ou nada têm para exercerem o pleno direito de uma educação de qualidade. Quem é melhor na Libras: um surdo adulto fluente em Libras ou qualquer ouvinte? É óbvio que é o surdo adulto fluente, que está fora do mercado de trabalho por causa da maldade dos ouvintes que redigiram o Decreto 5626 sem ouvir os surdos, por isso esse Decreto diz que "...preferencialmente..os surdos". Pergunto onde está a dita preferência pelos surdos? Tenho um filho surdo, formado em Pedagogia, que está desempregado e, enquanto isso, ouvintes estão "instruindo" e "ensinando" não a Libras, mas um "português sinalizado" para as crianças surdas, gerando uma confusão muito grande nesses pequenos surdos. Até quando, meu Deus do céu??? Desculpem o desabafo, mas há trinta anos bato na mesma tecla e tudo continua igual, ou pior, apesar do Decreto 5626.
Sandra Alves Pupo - Postado em 04/02/2011 18:11:08
Parabéns pelo artigo. Com a orientação necessária conseguiremos atingir o objetivo na inclusão desses alunos. É lamentável que seja pouco o número de interpretes , mas esperamos com confiança que essa realidade seja transformada. Sou aluna do 3º semestre de Pedagogia e tenho a intenção de me tornar uma profissional na área e desejo que muitos outros profissionais da educação pense na inclusão e se prepare para transformar a vida dessas pessoas.