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A falta que os intérpretes fazem na inclusão de alunos surdos

Devido à ausência deste profissional nas escolas, entidades do setor ainda defendem a Educação especial segregada até o fim do Ensino Fundamental

Cinthia Rodrigues

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Edição especial

Em 2008, dos 64.150 alunos surdos recenseados pelo Ministério da Educação no Brasil, 54% estavam em classes regulares. Mas o primeiro levantamento que cruzará o número de intérpretes com as matrículas dos deficientes auditivos só deve ser feito este ano. Mesmo antes da divulgação dos resultados, especialistas e autoridades imaginam o que ele dirá: não há profissionais suficientes.

É por causa da carência que entidades do setor ainda defendem as escolas especiais segregadas até o fim do Ensino Fundamental. Em muitas unidades de ensino regulares, alunos surdos ainda estudam sem intérpretes, o que revolta integrantes da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis). "A inclusão não está funcionando", diz o diretor da entidade em São Paulo, Neivaldo Augusto Zovico. "Os professores estão despreparados e as secretarias de Educação não contratam intérpretes. Os alunos acabam frustrados por não entender nada e desistem", reclama.

A coordenadora do Programa de Acessibilidade da Derdic-PUC, Maria Inês Vieira, defende o mesmo ponto de vista. "Acredito em inclusão na sociedade, mas não na Educação Básica", diz. Ela explica que, para o aluno surdo, o português é uma segunda língua e deveria ser ensinado após a primeira, libras.

A diretora de Educação Especial da Secretaria de Educação Especial do MEC, Martinha Dutra, afirma que a inclusão total é uma questão de tempo. "Faltam profissionais porque tudo é muito novo. A própria regulamentação do intérprete no Ministério do Trabalho ainda está em curso, mas isso vai ser acelerado com a multiplicação do conhecimento de libras", argumenta.

Pela nova perspectiva de trabalho das autoridades, as instituições especializadas deixam de receber verbas por crianças atendidas de maneira segregada, em escolas especiais.

No novo modelo, essas entidades devem usar a experiência acumulada para ajudar a inclusão na rede pública, em contratos com estados e municípios, por exemplo. Outro fator que incentiva essa modernização é um decreto federal, assinado em 2008, que dobra o valor do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais de Educação (Fundeb) para alunos com deficiência inclusos na rede regular, se atendidos pelo contraturno público e estudando regularmente com intérprete, como manda a lei.

Quer saber mais?

CONTATOS
Divisão de Educação e Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação, R. Dra. Neyde Apparecida Sollitto, 435, 04022-040, São Paulo, SP, tel. (11) 5908-8000
EE Nossa Senhora da Conceição, R. João Grumiché, 805, 88108-100, São José, SC, tel. (48) 3247-8195
EM Luiz Cândido da Luz, SC-403, km 3, 88070-220, Florianópolis, SC, tel. (48) 3269-6636
EM São Judas Tadeu, R. Pedro Portela, s/nº, 44255-000, Irará, BA, tel. (75) 3247-3827
Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos, R. Santa Sofia, 139, 20590-140, Rio de Janeiro, RJ, tel. (21) 2567-4880
Instituto Nacional de Educação dos Surdos, R. das Laranjeiras, 232, 22240-001, Rio de Janeiro, RJ, tel. (21) 2285-7284
Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação, Esplanada dos Ministérios, bl. L, 6º andar, 70047-900, Brasília, DF, tel. 0800-616161

JOSÉ FLÁVIO DA PAZ - Postado em 26/09/2011 14:21:55

Olá, Colegas! Excelentes observações neste Dia Nacional do Surdo. Todavia, ter intérprete/tradutor na sala de aula não é suficiente para garantir a inclusão do aluno surdo nas atividades didático-pedagógicas e sua inclusão socioeducacional. Podemos ver por esse ângulo se pensarmos no acesso ao conhecimento e a informação, mas o espaço escolar não se resumo a isto. Mais também de relações afetivas, cooperativas e outras que dependem essencialmente da aproximação que temos com o outro. Nesta perspectiva, a inclusiva ora apresentada como alternativa não corresponde às exigências da Comunidade Surda. Pois INTEGRA, ma s não INCLUI. Logo, não fazemos inclusão, mas integração da pessoa surda. Isto implica dizer que jogá-lo numa sala, auxiliado por um intérprete/tradutor, não parece justo. O interessante é que a escola inclusiva seja bilíngue e o aluno surdo seja atendido e auxiliado por todos que compõem a comunidade educativa escolar. Dessa forma teremos muito o que comemorar na data de hoje. prof. José Flávio da Paz Coordenador da Pós-Graduação em LIBRAS: docência, tradução/interpretação e proficiência - FATERN/ESTÁCIO - Natal/RN

patricia n martins - Postado em 26/09/2011 14:15:26

Olá, sou ouvinte tenho licenciatura em Artes Visuais pela Universidade do Estado de Santa Catarina e tenho muito interesse em trabalhar com tradução e interpretação em Libras. Tenho experiencia com amigos surdos e fiz um curso de extensão na UFSC aqui em Florianopolis/SC mas nao sou fluente. Onde procuro cursos de proficiência para poder trabalhar com isso e prestar concursos? Meu curso de licenciatura possibilita que eu trabalhe (e preste concurso) com Libras se fizer curso de intérprete?

Barbara Grosso - Postado em 08/05/2011 11:12:24

Olá.. Sou deficiente auditiva e educadora universitária. Moro em Cananéia-SP, na região do Vale do Ribeira, aqui não tem intérprete e nem especialista para qualquer tipos de deficientes. E eu, como voluntária, participo e apóio eles com maior prazer e o maior possível. Então é preciso me informar que precisamos de intérpretes e profissionais nessa região. E por isso que estou me formando para ajudá-los. Obrigada.

Publicado em NOVA ESCOLAEdição 221, Abril 2009, com o título Falar com as mãos

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