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A eleição de Tancredo Neves e o fim da ditadura militar

A vitória de Tancredo nas eleições indiretas em 15 de janeiro de 1985 marcou o fim de mais de vinte anos de regime militar no Brasil

Carlos Eduardo Matos

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Tancredo, com políticos e artistas durante comício no Rio de Janeiro: luta pela volta das
Tancredo, com políticos e artistas durante comício 
no Rio de Janeiro: luta pela volta das "diretas já". 
Foto: Orlando Brito
Quando a emenda constitucional que propunha eleições diretas para presidente foi rejeitada pelo Congresso Nacional, em 1984, um dos líderes do movimento que incendiara o país em defesa do voto livre sentiu que chegara sua hora. Mesmo tendo de concorrer no Colégio Eleitoral composto em sua maioria por deputados e senadores do governista Partido Democrático e Social , Tancredo Neves lançou-se candidato pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro, de oposição. Venceu em 15 de janeiro de 1985, data que simboliza o fim de mais de vinte anos de ditadura militar.

A tão esperada posse, no entanto, nunca ocorreu. No dia 14 de março, véspera de assumir o cargo, o ex-governador de Minas Gerais teve de ser operado às pressas no Hospital de Base, em Brasília. Era o início de um pesadelo que exigiria outras seis intervenções cirúrgicas e se estenderia até sua morte, anunciada em 21 de abril. Lembre esse episódio para trabalhar com seus alunos alguns dos momentos mais importantes da História recente do Brasil.

Tancredo Neves era um mestre na arte de tecer acordos políticos. Nascido na cidade mineira de São João del Rey, foi vereador, deputado estadual, deputado federal, ministro da Justiça (no governo constitucional de Getúlio Vargas), primeiro-ministro (no governo parlamentarista de João Goulart), senador e governador de Minas (escolhido pelo voto direto em 1982). Também participou ativamente da campanha das "diretas já", que culminou nos comícios de mais de 1 milhão de pessoas no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Essa capacidade de negociar foi fundamental na hora da disputa no Colégio Eleitoral. Para bater seu adversário, o paulista Paulo Maluf, Tancredo teve de se acertar com setores governamentais hostis à candidatura situacionista, como o maranhense José Sarney, que abandonou a presidência do PDS, carregando consigo uma dissidência numerosa de parlamentares. Seu grupo fundou o Partido da Frente Liberal, enquanto ele se filiava ao PMDB para se tornar o vice na chapa do mineiro, ajudando a assegurar a vitória. A contagem final: 480 votos a favor contra 180, com dezessete abstenções. 

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Publicado em Fevereiro 2000, com o título O sonho e o drama de um presidente
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