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Apesar das guerras com tribos inimigas, das doenças e do contato com a cultura dos não-indígenas, os tapirapés resistiram e hoje compõem um grupo de 620 índios que vivem em cinco aldeias no Mato Grosso. Melhor: a língua, grande patrimônio cultural de uma nação, não se perdeu. Mesmo sofrendo forte influência do português, o idioma está sendo preservado. E um dos grandes responsáveis é Josimar Xawapare'ymi Tapirapé, professor de Língua Indígena da Escola Indígena Estadual Tapi'itawa.
Para lutar pela cultura de seu povo, ele aproveitou o que tinha em mãos: a escola, que se converteu em fonte de resistência do tapirapé por meio de um projeto pedagógico de sucesso. Em sala de aula, Josimar promoveu o uso de palavras esquecidas e criou novas para designar objetos que não existiam na vida dos índios, como bicicleta, boné, trator e avião.
Os pais estão aprendendo com os filhos os novos vocábulos e assim a língua se expande, forte e viva na aldeia Urubu Branco, uma vila com pouco mais de vinte casas de sapé, em meio a fazendas de cana-de-açúcar. "Nós queremos conhecer a língua portuguesa, mas sem deixar de falar o nosso próprio idioma", afirma categórico esse professor sorridente, que leciona para turmas de 2ª série. Josimar está garantindo, assim, a conquista de um importante território para os índios: o linguístico.
O projeto de Josimar está totalmente em sintonia com o Referencial Curricular Nacional para Escolas Indígenas ao atribuir prestígio à língua materna de seu povo, contribuindo para que seus alunos valorizem a identidade cultural. Ao pesquisar palavras que caíram em desuso pela comunidade, reforçou a importância do reconhecimento dos saberes dos mais velhos e favoreceu o desenvolvimento oral e escrito da língua indígena em atividades de dramatização, ilustração e investigação de vocábulos antigos e novos.
Calcula-se que havia mais de 1300 línguas indígenas quando os portugueses chegaram aqui. Hoje, há cerca de 180 em diferentes estágios de manutenção e revitalização. Uma delas é o tapirapé. Josimar foi certeiro ao elaborar um projeto que privilegia o orgulho de fazer parte de um povo minoritário e falar uma língua pouco conhecida em um país que tem o português como idioma oficial e dominante. E seus alunos aprenderam mais que expressões antigas e novas, mas tradições esquecidas. "Nosso tesouro agora está salvo. Esse projeto só reforçou o meu amor pela sala de aula", conta o professor, que recusou o convite para se tornar diretor da escola.
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Eliana Doa Santos L Rodrigues - Postado em 17/04/2009 09:59:20
quero dizer que não consegui tirar meu boleto da assinatura que fiz da revista novaescola nem com o código, pois coloco o código eo email eles pede só o codigo ou vice versa coloco como pede fala para colocar os dois não entendo vou ter de dexistir da assinatura pois não da certo.