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Plano de Aula

As causas da dizimação dos indígenas brasileiros

Objetivo
Identificar fatores que contribuíram para dizimar os indígenas brasileiros

Ano
9° ano

Tempo estimado
Duas aulas de 50 minutos

Introdução
Baby do Brasil ensinou que "todo dia era dia de índio, mas agora eles só têm o dia 19 de abril". Infelizmente, eles têm mais do que isso: é deles também um cotidiano de doenças e perseguições. A reportagem "Sombras da Selva", publicada na National Geographic Brasil em novembro de 2007, apresenta uma imagem forte e inesquecível da trajetória de sobreviventes piripkuras, povo quase exterminado em confrontos com grileiros da Amazônia - e que, apesar disso, ainda conseguem rir, em meio à floresta. Use o texto da reportagem como base para examinar com seus alunos o que aconteceu com os habitantes originais da Terra Brasilis ao longo desses mais de 500 anos de colonização.

Mais sobre populações indígenas

Sequência didática

Planos de aula

Atividades permanentes

Reportagem

Desenvolvimento
1ª aula
Pergunte aos alunos se eles conhecem a expressão "programa de índio". Ela designa algo estranho ou desagradável e, assim, transmite uma idéia de como a vida dos nativos é vista em nossa sociedade. Conte que o antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, citado na revista, enfatizou outro aspecto desse cotidiano difícil, ao batizar de Tristes Trópicos seu livro sobre os silvícolas brasileiros.

Quantos eles eram antes da chegada dos portugueses? A estimativa varia segundo a fonte. De acordo com o Instituto Socioambiental, eram entre 2 milhões e 4 milhões. Hoje, restam 600 mil indivíduos, pertencentes a 227 povos, que falam 180 línguas diferentes. Ressalte que, no Censo Populacional de 2000, mais de 734 mil brasileiros declararam-se indígenas, embora muitos tivessem perdido a língua e outros aspectos da cultura. Um bom tema para debate: em que medida esse aspecto significa uma valorização da identidade nativa, reforçando o exercício da cidadania, para essa parcela da população brasileira?

Proponha uma investigação sobre o idioma dos piripkuras. O texto informa que eles e os karipunas falam tupi-kawahib, termo que sugere origem tupi. Uma rápida pesquisa no site do Instituto Socioambiental confirma que os karipunas pertencem à família lingüística tupi-guarani, do tronco tupi. Peça que a garotada verifique quais são os principais grupos dessa família lingüística, que dominava o litoral no momento da chegada das caravelas portuguesas.

2ª aula
Encarregue a turma de destacar, na reportagem, fatos da trajetória dos piripkuras que possam ser relacionados à redução do número dos ameríndios. Um deles é a catapora que Tucan contraiu, quando recebia tratamento por causa de outra enfermidade. Explique que, no início da colonização, dezenas de milhares de indígenas morreram de doenças trazidas pelos europeus e contra as quais não dispunham de anticorpos.

Um segundo aspecto é a escravidão a que foi submetida a índia Rita: milhares de nativos foram escravizados e obrigados a trabalhar nas propriedades rurais, mesmo depois da chegada da mão-de-obra africana. Mas o que mais chama a atenção é o relato de Tucan sobre o massacre realizado por grileiros. Lembre que essas ações brutais ocorreram ao longo de toda a história brasileira, não raro disfarçadas sob o rótulo de "guerras justas" contra grupos hostis. E acontecem ainda hoje: em nome do "progresso", muitos invadem áreas indígenas para ampliar rebanhos e plantações. Proponha pesquisas sobre a situação atual em Roraima, onde plantadores de arroz se recusam a abandonar áreas garantidas aos nativos.

Segundo a revista, a Funai está demarcando a Terra Indígena Kawahib do Rio Pardo e o local onde Tucan e Mande-í foram localizados. Vale a pena investigar o processo de demarcação dessas áreas e as terras indígenas já existentes. Ensine que esse processo representou mudanças positivas, pois deu condições de sobrevivência a muitos grupos. Defender o solo ancestral dos ataques dos grileiros passou a ser uma atividade que mobiliza toda a comunidade. Um bom programa de índio.

Quer saber mais?

BIBLIOGRAFIA
Tristes Trópicos, de Claude Lévi-Strauss (Cia. das Letras). Publicado em 1955, o livro apresenta detalhes pitorescos das sociedades indígenas do Brasil Central e discute as relações entre o Velho e o Novo Mundo, além do significado de civilização e progresso.

INTERNET
O site do Instituto Socioambiental traz informações sobre os grupos indígenas brasileiros.
No site da Fundação Nacional do Índio, na área Índios do Brasil, há textos que falam sobre a demarcação de terras e sobre a população silvícola nos dias de hoje. 

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