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A leitura crítica de fontes históricas

Navegar pela diversidade de fontes, confrontar opiniões divergentes e situar a época de cada texto são estratégias certeiras para formar leitores questionadores e críticos

Daniela Talamoni Araujo Verotti

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=== PARTE 1 ====
Desde o primeiro rabisco feito por nossos antepassados nas paredes das cavernas até a mais recente crônica de jornal, ironizando a atitude pré-histórica de alguns políticos, não faltam registros escritos para contar um pouco da realidade vivida em cada época pela humanidade. A simples existência desses relatos indica a importância da leitura nas aulas da disciplina. Navegar pela maior diversidade de fontes possível é importante (leia o quadro abaixo), mas não é tudo. O essencial é colaborar para que a turma possa analisar, questionar, confrontar e contextualizá-las, entendendo que as relações entre presente, passado e futuro vão além de uma mera sequência de fatos em ordem cronológica. Em poucas palavras, é preciso levar a moçada a pensar historicamente. 

Em História, o leitor competente encontra no texto as principais informações sobre seu tema de pesquisa, identifica trechos que necessitam de investigação extra para serem entendidos e é capaz de confrontar a opinião de um autor com a de outros que já escreveram sobre o mesmo assunto (leia o infográfico). 

A intenção principal é fugir da chamada leitura dogmática, como se o texto de alguma fonte - o livro didático, por exemplo - fosse a verdade inquestionável. Em alguns casos, o responsável por esse pensamento é o próprio professor. Isso ocorre quando ele apresenta à classe um acontecimento histórico privilegiando apenas visões que se afinem com seus valores e suas convicções políticas. A chamada ideologização da Educação é arriscada. "Afinal, é muito comum que aquilo que os alunos adotem como verdade tenha sido apresentado em sala de aula", lembra o professor de História Pedro Henrique Albegaria Raveli, da Escola da Vila, em São Paulo. 

"O docente sempre irá se posicionar diante de um fato histórico, mas ele tem o dever de colaborar para uma formação mais autônoma dos alunos, oferecendo diferentes gêneros de textos e linguagens que mostrem os capítulos da História sob o máximo de perspectivas possível", defende Antônia Terra, coordenadora do grupo que desenvolveu o Referencial de Expectativas de História para o Desenvolvimento da Competência Leitora e Escritora do Ensino Fundamental, da prefeitura de São Paulo. "Precisamos ensinar que a História se contrói sob diferentes pontos de vista", afirma Daniel Vieira Helene, coordenador de Ciências Sociais da Escola da Vila, na capital paulista, e selecionador do Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10. Para isso, você deve criar rotinas que ajudem o estudante a incorporar hábitos, como questionar as informações, saber quem é o autor ou buscar outras opiniões sobre o assunto.  

Bem na foto (e no livro, nos relatos...)

Com a interpretação de dados históricos, a 5ª série conta 
a história da EMEF Professora Thereza Maciel de Paula

Foto: Marcos Rosa
Foto: Marcos Rosa
CRONOLOGIA
Organizado na forma de linha do tempo, o trabalho evidencia relações entre fatos antigos e recentes

SÓ ELOGIOS?
Um livro comemorativo, que pouco falava sobre os problemas do bairro, é a deixa para debater a intencionalidade de quem escreve

MIL PALAVRAS
Imagens antigas de parentes e amigos são analisadas e explicadas em pequenos textos

ONTEM E HOJE
Mapas antigos e recentes fazem a turma pensar sobre como mudou a ocupação do lugar

Gêneros privilegiados em História

Texto literário
A descrição das atitudes, dos costumes e das roupas dos personagens, o ambiente, o clima, as situações que compõem a trama e até o desfecho do livro carregam o ponto de vista do autor sobre o contexto social, político, econômico e histórico em que viveu. Conhecer a biografia de quem escreve pode ser um grande passo para entender ironias e mesmo preconceitos em alguma época.

Imagem
Fotos, ilustrações, desenhos ou obras de arte constituem documentos históricos se servirem para comprovar ou questionar um acontecimento. Para que a análise não se esgote na simples observação (o que é possível notar? Que lugar retrata? De que época é?), é importante pesquisar a autoria, a data e as possíveis intenções do autor. Textos escritos que contextualizem o tempo e as circunstâncias em que as imagens foram produzidas também ajudam muito.

Texto jornalístico 
Notícias, crônicas, artigos e charges contribuem para entender o que se passa em determinada época. Além de esclarecer características de estilo (o texto é irônico? É parcial?), a leitura deve abordar os vínculos políticos e ideológicos de cada publicação, fatores que influem no que foi publicado.

=== PARTE 2 ====
=== PARTE 3 ====
=== PARTE 4 ====

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Publicado em , Janeiro 2010,
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