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Hannah Arendt, a voz de apoio à autoridade do professor

Para a cientista política, os adultos devem assumir a responsabilidade de conduzir as crianças por caminhos que elas desconhecem

Márcio Ferrari

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Hannah Arendt. Foto: Corbis /Stock Phot
Hannah Arendt

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Hannah Arendt (1906-1975) foi uma das principais pensadoras da política no século 20, mas sua obra inspira estudos em outras áreas, entre elas a educação. Poucos intelectuais atuaram tão diretamente em seu tempo como Arendt, que foi vítima, ainda jovem, da perseguição nazista em sua Alemanha natal.

Como uma filósofa (designação que a desagradava) interessada em particular no fenômeno do pensamento e no modo como ele opera em "tempos sombrios", Arendt não poderia deixar de se ocupar do ensino. A pensadora abordou o assunto em dois textos, A Crise na Educação (incluído no livro Entre o Passado e o Futuro) e, mais indiretamente, Reflexões sobre Little Rock, escritos em 1958 e 1959 respectivamente. Na época, as salas de aula nos Estados Unidos - para onde se mudou em 1940 - se viam invadidas por questões sociais como a violência, o conflito de gerações e o racismo.

É no primeiro dos dois textos que Arendt apresenta, com a habitual veemência e coragem, uma visão bastante crítica do tipo de educação considerada "moderna", naquela época e também hoje. Em poucas páginas, ela questiona em profundidade alguns dos conceitos pedagógicos mais difundidos desde fins do século 19, e que se originam do movimento da Escola Nova e da concepção do trabalho educativo como um aprendizado "para a vida".

"A função da escola é ensinar às crianças como o mundo é, e não instruí-las na arte de viver", escreve Arendt. Sua argumentação é a favor da autoridade na sala de aula e sua visão educativa é assumidamente conservadora. "Isso não quer dizer que ela defenda um professor autoritário", diz Maria de Fátima Simões Francisco, professora de filosofia da educação da Universidade de São Paulo. Nem se trata de ser favorável à escola como um agente da manutenção da ordem estabelecida. Ao contrário, Arendt acreditava que o aluno deve ser apresentado ao mundo e estimulado a mudá-lo.

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rubens celso pereira - Postado em 16/11/2010 13:02:28

Esse assunto abordado pela escritora, é muito controverso nos dia de hoje, Temos um tal ECA que não tem pé nem cabeça, é um monstrengo, que inibe e confunde a cabeça de nós professores e de muitos esclarecidos na nossa sociedade. Se agimos com autoridade, somos autoritários. Se agimos de acordo com os parametros desse ECA, temos a desordem instalada. Moral da história estamos de mãos atadas.

Nathan Ferreira do Carmo - Postado em 12/08/2010 22:00:23

Atuo como profefessor pedagogo em escolas da rede municipal e desde cedo, sentia uma inquietação em relação ao paradigma de educação vigente. E lendo o clarividente artigo sobre o livro de Hannah Arendt, me ajudou a compreender a crise na educação nos dias atuais. Obrigado! Prof. Nathan

Publicado em Especial Grandes Pensadores, Outubro 2008,

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