Bianca Bibiano. Colaborou Elisângela Fernandes

Ensinar crianças e jovens com necessidades educacionais especiais (NEE) ainda é um desafio. Nos últimos dez anos, período em que a inclusão se tornou realidade, o que se viu foi a escola atendendo esse novo aluno ao mesmo tempo que aprendia a fazer isso. Hoje ainda são comuns casos de professores que recebem um ou mais alunos com deficiência ou transtorno global do desenvolvimento (TGD) e se sentem sozinhos e sem apoio, recursos ou formação para executar um bom trabalho. Dezenas de perguntas recebidas por NOVA ESCOLA tratam disso. Mas a tendência, felizmente, é de mudança - embora lenta e ainda desigual. A boa-nova é que em muitos lugares a inclusão já é um trabalho de equipe. E isso faz toda a diferença.
A experiência de Roberta Martins Braz Villaça, da EMEB Helena Zanfelici da Silva, em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo, comprova isso. Entre seus 24 alunos da pré-escola está Isabelly Victoria Borges dos Santos, 5 anos, que tem paralisia cerebral. Apesar do comprometimento motor, a menina tem a capacidade cognitiva preservada. Na escola desde o ano passado, ela participa de todas as atividades. "Os conteúdos trabalhados em sala são os mesmos para ela. O que eu mudo são as estratégias e os recursos", explica a professora.
Isabelly se comunica por meio da expressão facial. Com um sorriso ela escolhe as cores durante uma atividade de pintura. No parque, com a ajuda das placas de comunicação, decide se quer brincar de blocos de montar ou no escorregador. Nas atividades de escrita, indica quais letras móveis quer usar para formar as palavras e já reconhece o próprio nome. "Ela tem avançado muito e conseguido acompanhar a rotina escolar", comemora a professora.
Roberta não está sozinha nesse trabalho. Ela conta com o apoio diário de uma auxiliar, que a ajuda na execução das atividades, na alimentação e na higiene pessoal de Isabelly. Outra parceira é a professora do atendimento educacional especializado (AEE). Num encontro semanal de uma hora, elas avaliam as necessidades da menina, pensam nas estratégias a utilizar e fazem a adaptação dos materiais.
Inaugurada em 2001, a escola em que Roberta leciona já foi construída levando em conta a inclusão: o projeto previa um elevador e um espaço para uma futura sala de recursos. Mas daí a funcionar com qualidade, com materiais diversos e uma equipe afinada, foi um longo caminho. "Somente em 2005 passamos a contar com estagiários e auxiliares em sala", lembra a diretora, Maria do Carmo Tessaroto.
Gestores preocupados com a questão e que buscam recursos e pessoal de apoio fazem da inclusão um projeto da escola. Dessa forma, melhoram as condições de trabalho dos professores, que passam a atuar em conjunto com um profissional responsável pelo AEE, a contar com diferentes recursos tecnológicos e a ter ciência de que o aluno com deficiência ou TGD não é responsabilidade exclusivamente sua. Com a parceria da família, as possibilidades de sucesso são ainda maiores, como você verá nas páginas a seguir. Com base nas experiências de professoras que atendem alunos com NEE, respondemos às seis perguntas mais recorrentes enviadas à redação. Essas educadoras certamente indicarão caminhos para você que, como elas, trabalha para fazer a inclusão de verdade.
márcio ricardo medeiros oliveira - Postado em 21/12/2011 18:09:56
Sou professor do ensino médio em Palmas, no CEM Castro Alves e trabalho com BLOG ( http://esportecastroalves.blogspot.com ), e tenho alguns alunos especiais. Destaco aqui 2 alunas, elas são surdas e fica muito difícil a comunicação, pois não sei LIBRAS, por causa do blog as duas participam das atividades teóricas, como trabalhos e prova on-line, nos dois primeiros bimestres eu as acompanhei bem de perto, mas no terceiro e quarto bimestres elas mesmo, me disseram que não era preciso eu estar ao lado delas, pois faziam as avaliações no LABIN da escola. Estou fazendo mestrado e minha dissertação é sobre a cultura urbana, movimento hip hop em Palmas, os desafios de promover a inclusão dos integrantes do hip hop no contexto educacional, levando em conta sua cultura e mais buscando trazer estes jovens para a promoção do movimento hip hop, como a quebra de paradigma. (Preconceito). Um abraço e parabéns aos professores pelo trabalho. Márcio Ricardo
Franciele Spinelli - Postado em 13/11/2011 23:32:58
Olá! Meu nome é Franciele Spinelli e sou aluna do curso letras-inglês na Universidade do Vale do Rio dos Sinos, UNISINOS. Sou professora de inglês e espanhol há cinco anos, atuando em cursos de idiomas. Além disso, tive experiência docente nos dois estágios supervisionados realizados no decorrer deste ano. O primeiro estágio foi realizado com uma turma de oitava série do ensino fundamental em uma escola municipal, no município de Farroupilha ¿ RS. No decorrer deste estágio, deparei-me com um aluno de inclusão, o qual possui uma sindrôme até então desconhecida pela escola, e que realiza as mesmas tarefas que seus colegas, porém com muita dificuldade, apresentando escrita defazada. Felizmente, apesar da minha falta de preparo e informação sobre a forma de lidar com esse tipo de alunos, tive uma experiência digna de ser chamada linda! Fazendo uso dos mesmos materiais didáticos preparados aos outros alunos porém, mudando o foco e a didática, fiz com que o menino participasse das atividades de forma a ter, assim como os outros alunos, uma produção final própria com palavras escritas em inglês. Foi um grande avanço não somente para ele, mas para a minha experiência docente, já que pude aprender que, apesar das inúmeras difuldades e barreiras a serem superadas, nós professores, temos condições de propociornar a esses alunos momentos claros de aprendizagem. Após a leitura dos artigos, aqui publicados, tive ainda mais certeza disso, ficando extremamente feliz por ver que moviementos estão sendo feitos em prol da aprendizagem de alunos de inclusão. Atualmente, vem-se constantemente procurando uma ¿fómula¿ capaz de solucionar os numerosos problemas encontrados no sistema educacional. Mais do que alunos desitenressados, de inclusão, e de aulas carentes de real aprendizagem, percebe-se uma crescente falta de organização e planejamento desse ensino. Currículos desordenados e muito longe de realmente visar as necessidades dos alunos, segundo os seus interesses e realidades, são parte da rotina vivenciada pelos educadores e educandos os quais nem mesmo sabem ao certo sua função. É preciso romper com o ciclo da simples transmissão do conhecimento e criar uma aprendizagem na qual o conteúdo estudado seja vinculado com a realidade político-cultural em que os alunos estão inseridos, sendo eles ¿normais¿ ou de inclusão. Mais do que simplesmente assimilar conhecimentos, os educandos deles deverão utilizar-se na criação de outros novos, os quais lhes propiciem uma tomada de consciência rumo a construção de uma sociedade mais igualitária.
Nome não registrado - Postado em 17/10/2011 10:53:27
ERRATA: Sou Nádia, universitária da UNISINOS. Primeiramente gostaira de parabenizar a iniciativa e o trabalho das sete professoras mencionadas na materia. Me formo em 2012, mas sinto que nao saimos da faculdade com muito conheceminto a respeitro da inclusão. Acredito que deveriamos, ao mínimo, termos mais preparo teorico a respeito. Se que o conhecimeto teorico não proporciona soluções a todos os casos de inclisão mas serve como base. Considerando a individulaidade de cada caso de inclusão, acredito que deva haver um trabalho em equipe, no qual devem estar engajadas todas as partes da comunidade escolar, assim como as famílias destas criaças, para que se torne possivel um trabalho que tenha um resultado mais eficiente e que atenda as necessidades de cada um.
Mais sobre inclusão
Reportagens