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Um espetáculo inclusivo para ver, ler, ouvir e sentir

Montagem teatral para o público infantil possibilita o contato com os meios culturais graças a recursos de acessibilidade

Aurélio Amaral, do Rio de Janeiro

Luzes realçam a intérprete de libras, à direita do palco. Foto: Fernando Frazão
EM DESTAQUE Luzes realçam a intérprete de libras, à direita do palco

As cortinas ainda estavam fechadas, mas os dois espectadores com deficiência visual que aguardavam para assistir à peça infantil Um Amigo Diferente? já sabiam como era o cenário. Meia hora antes de soar os três sinais, que indicam o início do espetáculo, eles fizeram um tour tátil pelo palco para conhecer os objetos cênicos.

O espetáculo começa. Um telão à esquerda do palco exibe a transcrição simultânea das falas e sonoplastias para as pessoas com deficiência auditiva como Valéria Santos, 10 anos. Mas ela, particularmente, prefere olhar para a intérprete Beatriz Correia, que traduz tudo para a Língua Brasileira de Sinais (libras). É a primeira peça a que ela assiste. “Nas outras, eu teria de fazer a leitura labial, o que é mais difícil.”

Para o público com deficiência visual, há fones de ouvido, por meio dos quais se escuta a audiodescritora Nara Monteiro dar detalhes sobre os personagens que entram em cena: “Ele tem topete, usa botas e veste jaqueta de couro”, diz sobre o protagonista Lucas, um garoto de 10 anos, com dificuldades de socialização, que precisa sair em busca de amigos.

O espetáculo, com oferta adequada de acessibilidade e comunicação inclusiva, foi encenado nos fins de semana de junho a agosto pelo grupo teatral Os Inclusos e Os Sisos no Teatro Oi Futuro, no Rio de Janeiro. A peça está em conformidade com as orientações do decreto 6.949 de 2009, que assegura às crianças com deficiência o pleno exercício de todos os direitos humanos, em igualdade de oportunidades com as demais. Igualdade que, com relação ao acesso à cultura, está longe da realidade. “A cultura é parte fundamental da formação de crianças e jovens. Por isso, as manifestações artísticas e educativas deveriam ser amplamente acessíveis”, afirma Claudia Werneck, autora do livro que inspirou a peça e superintendente da Escola de Gente, organização que produziu a montagem com o apoio do Ministério da Cultura. Acompanhando a transcrição, fazendo leitura labial ou vendo a intérprete, a compreensão de Valéria e de todos está garantida.

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rosineide barbosa da silva - Postado em 04/01/2012 17:51:16

Como gostaria de assistir essa apresentação. Fico maravilhada com essas iniciativas sobre inclusão.

Publicado em NOVA ESCOLA Edição 247, Novembro 2011.

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