EDIÇÃO 005
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Gestão Escolar

DiretorGestão da aprendizagem

Edição 226 | Outubro 2009

Quem assume o fracasso escolar?

É obrigação do gestor garantir que os estudantes aprendam. Será que ele conhece e desempenha essa tarefa com responsabilidade?

Fernando José de Almeida

Foto: Marcos Rosa
"Os diretores acham que os alunos têm mais responsabilidade que eles quando não aprendem. Assumem a tarefa, mas não o fracasso dela." Foto: Marcos Rosa

A rotina de todo diretor é marcada pela variedade de atividades. Ao chegar à escola, o que ele planejou fazer naquele dia geralmente se perde em meio às emergências que surgem de todos os cantos. O telhado mal vedado, a falta de um professor, o acidente de um aluno, o recurso que não chegou. Tudo o obriga a reorganizar o plano de trabalho, sem poder adiar ou cancelar, é claro, as prestações de contas, as reuniões na Secretaria de Educação e a visita dos familiares dos alunos. Assim, as funções primordiais do cargo vão se perdendo e correm o risco de cair no esquecimento. Aliás, quais são elas mesmo?

Uma pesquisa feita pela Fundação Victor Civita (FVC), em parceria com o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), constatou que o dia a dia do gestor é mais marcado por essas tarefas do que pelo que seriam as três principais preocupações inerentes ao cargo: dirigir a relação entre ensino e aprendizagem, orientar para o saber e gerenciar o conhecimento.

Se a escola é o lugar formal do conhecimento, onde se formam o trabalhador de amanhã, o leitor e o escritor competente e o indivíduo ético, nada mais óbvio que a instituição tenha de ser bem gerida em todos os aspectos para funcionar com êxito. Porém a falta de uma visão integrada entre o administrativo e o pedagógico leva os diretores a outro equívoco, também apontado no estudo: nenhum dos gestores entrevistados atribui a si próprio a responsabilidade pelo baixo desempenho dos alunos. Há outros fatores que também espantam. Eles creditam a culpa pelos resultados ruins das escolas, no que diz respeito à aprendizagem, ao governo (48%), à comunidade (16%), aos professores (13%), aos alunos (9%) e até mesmo à escola (7%) - como se a instituição fosse um elemento independente de suas esferas constituintes.

Com isso, fica evidente que eles ainda desconhecem sua máxima obrigação e resumem sua atuação à burocracia. Mesmo que existam os coordenadores pedagógicos e as universidades e as Secretarias de Educação colaborem com o processo de formação em serviço dos docentes, a responsabilidade pelo desempenho insatisfatório dos alunos é do gestor. Durante as entrevistas da pesquisa, eles só assumem que a aprendizagem também os compete quando questionados diretamente sobre ela. Para que a direção da escola fosse citada (e ainda assim pouco responsabilizada) pelos entrevistados, foi preciso que os pesquisadores perguntassem a todos quem era mais responsável pelo aprendizado dos alunos. Assim, eles apontaram, em primeiro lugar, a comunidade (45%). Depois, os professores (42%), os alunos (29%) e só então a direção (26%) - esses e outros resultados são o tema da reportagem de capa da revista GESTÃO ESCOLAR de outubro/novembro. Os porcentuais indicam com clareza que os diretores acham que os alunos têm mais responsabilidade que eles se não aprendem. Assumem a tarefa, mas não o fracasso dela.

É como se o mundo da Educação vivesse o mesmo problema que recai sobre a seleção brasileira de futebol em época de Copa do Mundo. Todos se sentem técnicos e julgam ter as melhores estratégias para vencer um jogo. Mas ninguém se sente culpado quando a derrota ocorre e o problema fica no ar, sem autor. Por isso, o governo aparece na pesquisa como o primeiro responsável pelo fracasso: é uma estrutura impessoal, etérea, fluida, que funciona como se não tivesse sido eleita por ninguém.

O diretor não está sozinho nesse pensamento equivocado. Todos temos uma porção de responsabilidade. Ainda assim, é urgente o entendimento de que o gestor que não assume a tarefa de garantir a aprendizagem das crianças não compreende seu papel.

Fernando José de Almeida 

É filósofo, docente da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e vice-presidente da TV Cultura - Fundação Padre Anchieta.

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ELCIO MARIO PINTO - Postado em 10/11/2009 15:56:00

DIRETOR DE ESCOLA 18 de outubro foi dia do(a) Diretor(a) de Escola. Também foi dia do Médico, mas a este profissional nem preciso citar porque os meios de comunicação já o fizeram. Então, volto-me ao(à) Diretor(a) de Escola, especialmente da Rede Pública Estadual. Parabéns colegas que enfrentam as contingências do trabalho com crianças e adolescentes, com funcionários(as) e famílias. Visto, ora como autoritário, ora como permissivo, este(a) profissional pouco tem de autonomia para decidir e resolver. Não raro, alguns detalhes do cotidiano escolar como aulas extra-classe, compreender o(a) Professor(a) que chegou atrasado por motivos diversos e repassar as decisões que chegam dos órgãos superiores. Mesmo assim, desafiando suas limitações ainda convive com a falta de funcionários(as) e de recursos. Não desista, porque nós profissionais da Educação acreditamos que pelo ensino pode uma sociedade toda ser mudada. Acreditamos pelas ideias e sonhos de que nosso trabalho é essencial, mesmo que pouco nos deixem decidir. Ainda assim, decidiremos e mudaremos o que pudermos. Tudo pelas crianças e pelos adolescentes que nos são confiados. É por isso que devemos ter orgulho do que somos. Parabéns Diretor(a) de Escola. ÉLCIO MÁRIO PINTO, DIRETOR DA ESCOLA ESTADUAL ¿ANNA CUEVAS GUIMARÃES¿ - SALTO DE PIRAPORA/SP

Francisco Carliano Morais - Postado em 09/11/2009 23:54:25

A escola precisa da ajuda de todos para ter sucesso. Por isso não adianta apontar culpados quando algo vai mal; o importante é que todos estejam unidos para assumirem a culpa e buscarem soluções. Francisco Carliano Morais-Diretor- Bela Cruz, Ceará.

marilene alcantara - Postado em 07/11/2009 22:35:51

É muito fácil procurar culpados,acho que seria muito mai produtivo procurar soluções. O diretor de escola é um herói,que "apaga incendio " a cada minuto, não tem tempo para o pedagógico.Enche as salas de crianças para uma professora ensinar mesmo sabendo que aquilo não dá ceto, mas ela (e) ,cumpre ordens.E assim vamos nós, professores tentando dar um "jeitinho",lendo o que os teóricos escrevem , vamos achando que nós professores, diretores , todos somo incompetentes, mas a situação é bem outra.Precisamos de pessoas lá no planalto realmente interessadas em fazer dar certo.Seria preciso formar diretores para dirigir as nossas escolas ,ou colocar para dirigir escolas administradores com a ajuda de um professor ,embora eu acredite que com a nova maneira de dirigir que hoje está sendo desenvolvida, nenhum administrador ajuizado e bem formado,iria querer dirigir uma escola sem parceria com seu melhor aliado .O professor. Portanto, fazer a educação dar certo para todos é muito fácil é só colocar cada um no seu lugar, e dar a cada um condições de trabalho.Governo cumprindo o seu papel, Diretor cumprindo o seu papel, família o seu e professor o seu.Eis aí a F Ó R M U L A do sucesso.



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