EDIÇÃO 005
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Gestão Escolar

DiretorDiretor escolar

Edição 004 | Outubro/Novembro 2009

Os quatro segredos da gestão eficaz

Pesquisa exclusiva revela a combinação que abre as portas para melhorar cada vez mais o desempenho da escola

Cinthia Rodrigues e Gustavo Heidrich

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=== PARTE 2 ====
=== PARTE 3 ====
=== PARTE 4 ====

METAS DE APRENDIZAGEM

Notas para refletir
A gestão funciona quando a avaliação externa impulsiona a aprendizagem

Recentes no cenário educacional brasileiro, as avaliações já aparecem entre os principais interesses dos gestores escolares - que, ao ver sua instituição em posição não confortável em relação à rede, se sentem incomodados e começam a trabalhar para reverter a situação. Nas dez unidades visitadas durante o estudo das práticas eficazes de gestão, os pesquisadores detectaram grande interesse das equipes em melhorar esses indicadores.

Nas escolas mais bem avaliadas, os resultados da Prova Brasil e do Ideb são compartilhados com a equipe e estão afixados em local visível a todos. Só essa atitude pode ser apontada como um diferencial no desempenho dos alunos. Porém nenhum gestor conhece com clareza os indicadores que compõem a nota, o que impede que haja uma mobilização real em projetos que melhorem a aprendizagem.

Essa conclusão é amplamente confirmada pelos números da pesquisa do Ibope (como mostra o quadro abaixo). "A nota obtida pela escola nesses exames serve para levar toda a comunidade à análise e ao questionamento", afirma Jussara Hoffmann, autora de livros sobre a relação entre provas e aprendizado. É preciso que a equipe gestora identifique as competências em que os alunos foram bem avaliados e quais são os objetos de ensino que precisam ser trabalhados com os professores para que esse desempenho melhore cada vez mais.

22% citam as avaliações externas como um dos principais avanços da Educação.
Porém 36% não conhecem o Ideb da escola que dirigem.

O diretor e as metas de aprendizagem

As provas realizadas pelas redes ou pelo MEC para medir o desempenho dos alunos e das escolas foram o segundo item mais citado pelos gestores escolares como a medida de maior impacto positivo na Educação nos últimos dez anos (só perdem para os cursos de formação de professores, citado por 30% dos entrevistados pelo Ibope). Porém 36% dos diretores admitem não conhecer a nota da própria escola, o que mostra o descaso com a informação. A maioria (61%) reconhece a importância da avaliação externa. Mas, na hora de atribuir a responsabilidade pelo desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), o governo aparece em primeiro lugar, com 58%; a comunidade em segundo, com 16%; o professor, o aluno e a escola em seguida, com 13%, 9% e 7%, respectivamente; e, numa demonstração de corporativismo, o próprio diretor só é visto por 2% dos entrevistados como responsável, como se não fosse ele o principal líder da escola. 

Fonte FVC/Ibope

61% acham que as avaliações externas são importantes para a escola.
Porém 2% reconhecem que o diretor é responsável pela nota baixa da escola no Ideb. 

Cabe ao diretor analisar se o ambiente escolar é propício ao desenvolvimento das crianças e dos jovens e se há materiais diversificados. "Na maioria das vezes, a resposta vai ser 'não'. E aí começa o trabalho para melhorar as condições da escola e a formação docente", diz Jussara.

Cleuza Repulho, ex-diretora de Programas de Fortalecimento Institucional e Gestão de Sistemas do MEC e atual secretária de Educação de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, acredita que as avaliações externas também são úteis para que os gestores escolares busquem referências no entorno: "Como os dados são públicos, é perfeitamente possível entrar em contato com uma escola da vizinhança com a proposta de compartilhar projetos pedagógicos e práticas de gestão que possam ser adaptados às necessidades de sua unidade."

Outra vantagem das provas é que elas permitem enxergar os pontos fortes e fracos de cada escola e, com isso, revisar o projeto pedagógico com a ajuda da comunidade. "Muita gente não faz um diagnóstico realista da situação e acaba achando que está tudo bem. Esse olhar externo é uma nova oportunidade de mostrar a situação real e, com isso, promover mudanças necessárias", afirma Cleuza.

Para ficar atento às metas de aprendizagem e usar bem o resultado das avaliações, é aconselhável:
- Refletir sobre os objetivos da prova e procurar compreender o tipo de ensino que é preciso promover na escola para que os alunos adquiram as habilidades exigidas.
- Avaliar com a comunidade como se aproximar do perfil buscado pelos avaliadores.
- Organizar a infraestrutura adequadamente com base nas metas de aprendizagem.
- Entender os fatores que interferem nas notas das provas (evasão, repetência, ensino).
- Avaliar em que disciplinas ou séries estão localizados os piores resultados e quais são os motivos que levam a isso.
- Planejar a formação continuada dos professores com foco nas necessidades de aprendizagem dos estudantes.
- Criar condições de melhoria do aprendizado, planejando tempos maiores de formação da equipe docente ou revendo o currículo.

Base para mudar

Foto: Tamires Koop
Foto: Tamires Koop

"Fizemos a primeira Prova Brasil, em 2005, só por obrigação, porque eu já sabia que a escola não se sairia bem. Quando analisei as questões, percebi que elas exigiam reflexão e relacionamento de informações e esse não era o foco do ensino que oferecíamos. Isso foi um alerta para nós. A maneira como nossos professores trabalhavam não correspondia aos parâmetros de qualidade exigidos. O resultado foi um choque: nota 3,5 no Ideb. Imediatamente, iniciamos um trabalho de reestruturação do currículo e de formação dos professores. Em 2007, nossa nota subiu para 3,7, um aumento pequeno, mas importante, porque nesse período incluímos estudantes com necessidades especiais - e todos participam do exame. Depois da segunda avaliação, passamos a fazer uma parada pedagógica quinzenal de duas horas (além dos encontros semanais por disciplina). Em maio e agosto, fizemos dois simulados disponíveis no site do MEC. Os resultados foram 4,2 e 4,6 e, por isso, estamos esperançosos de que esses números se repitam na Prova Brasil de verdade."

Elisangela Kraschimski Trentin é diretora da EMEF David Canabarro, em Canoas, RS.

=== PARTE 5 ====
=== PARTE 6 ====

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Comente

lucinea santos siqueira - Postado em 24/11/2009 12:57:30

Parabenizo a toda equipe que sempre oferece assuntos dosquais estou indecisa e sempre que recebo a revista, parece que adivinham o que estou querendo saber, de maneira clara e objetiva; gostei muito da reportagem que fala sobre os pontos importantes de uma reunião produtiva, onde li o material e distribui para todos na escola; chegou em hora certa, pois muitos reclamam de reuniões; estou aprendendo muito com todas as reportagens, pois assumi o cargo de diretora a 1 ano e estou encontrando algumas dificuldades e dúvidas quanto a essa posição. Acredito que depois que saiu essa revista sobre gestão, muito já aprendi e farei até uma pós em gestão pública onde sei que a revista gestão muito me ajudará, parabens por mais essa iniciativa brilhante.Lucinea, diretora APAe de Ilicinea MG

Márcia Gallo - Postado em 21/11/2009 21:24:44

Parabéns à equipe da revista pela elaboração do Mapa Interativo. Além de muito prático e objetivo, oferece uma visão integral das diferentes frentes em que o gestor tem que atuar, demonstrando como a atividade gestora é abrangente. É muito interessante conhecer as experiências pelas quais alguns gestores passaram e obtiveram sucesso. Forte abraço a todos, Márcia Gallo - Diretora da EME Profª Alcina Dantas Feijão - São Caetano do Sul

Fernando David Gomes Jardim - Postado em 08/11/2009 21:06:25

Sou o diretor retratado em "Comissões de apoio" e gostaria de esclarecer que trabalho na E.E. Caminho à Luz há 31 anos - 25 só no atual prédio. Nunca quis criticar especificamente a gestão anterior e sim fazer um comentário no sentido geral de como era a rotina antigamente. Hoje e antes, quando atuava em sala de aula como professor, procurei mostrar a todos a importância da efetiva participação nas várias instâncias deliberativas da escola, tais como colegiado escolar e reuniões pedagógicas. Quando assumi a direção, fiz questão da participação dos vários segmentos representativos da escola. Por isso pedi que os funcionários dessem sugestões sobre como resolver algumas questões e, ao perceber que os palpites foram bem recebidos, eles perceberam que não havia o que temer ao se expor. Atenciosamente, Fernando David Gomes Jardim



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