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Um programa para corrigir a defasagem idade-série

Conheça o projeto de aceleração implantado por Amarildo Lima no Centro de Ensino Fundamental (CEF) 427, em Samambaia, a 45 quilômetros de Brasília

Gustavo Heidrich

Em 2007, aos 15 anos, Marcelo Siqueira já havia repetido cinco vezes a 5ª série do Ensino Fundamental, com direito a um ano inteiro fora da escola antes da última bomba. Ele não acreditava mais que pudesse avançar e estava a ponto de abandonar os estudos - como fazem 19% dos alunos que cursam uma série abaixo da que seria a prevista para a idade. Porém esse não foi o destino de Marcelo. Em 2008, o garoto teve a chance de participar do programa de aceleração A Hora É Essa - Avanço Excepcional, implantado no Centro de Ensino Fundamental (CEF) 427, em Samambaia, a 45 quilômetros de Brasília - que rendeu ao diretor da escola, Amarildo Reino de Lima, o título de Gestor Nota 10 no Prêmio Victor Civita - Educador Nota 10. O trabalho destacou-se entre os 644 inscritos na categoria por concentrar esforços de toda a equipe para corrigir o fluxo de alunos em defasagem idade-série.

Em 2008, quando Amarildo assumiu a direção do CEF 427, perto de 400 dos mil matriculados no Ensino Fundamental já tinham repetido de ano pelo menos uma vez e ele estabeleceu como objetivo solucionar essa distorção (leia mais sobre a trajetória do diretor no quadro abaixo). "Nossa equipe se focou em bolar soluções para que os jovens voltassem a estudar com os colegas da mesma idade e superassem os problemas causados por tantos anos de repetência", afirma ele. A base do A Hora É Essa - Avanço Excepcional foi a criação de turmas de aceleração (leia uma proposta de projeto institucional inspirada no trabalho premiado).

Quem é Amarildo?

Foto: Cristiano Mariz
TRABALHO APROVADO Depois do projeto de aceleração, Amarildo foi eleito para um novo mandato com 90% dos votos. Fotos: Cristiano Mariz

"Tenho consciência de que meu papel é servir a comunidade e garantir a aprendizagem dos alunos. A escola e a casa nunca podem fechar as portas para uma criança." É com esse pensamento que Amarildo Reino de Lima trabalha há 12 anos na rede do Distrito Federal. Ele já se incomodava com a repetência quando era professor de Matemática: "Percebia que, ano a ano, dezenas de estudantes ficavam retidos. Muitos, com vergonha, abandonavam a escola ou começavam a apresentar problemas de comportamento. E ninguém sabia o que fazer". Formado em Economia e Matemática e especialista em Gestão Escolar, ele assumiu o CEF 427 após uma rigorosa seleção feita pela Secretaria de Educação do Distrito Federal. Além de passar por provas escritas e entrevistas, Amarildo teve de apresentar um plano de trabalho para solucionar o problema da defasagem. No fim de 2008, depois de um ano de execução do projeto A Hora É Essa - Avanço Excepcional, ele foi eleito para continuar no cargo de direção por mais dois anos, com mais de 90% dos votos. Este ano, o projeto continua para quem ainda precisa. Amarildo espera que, em 2010, com a ampliação do trabalho da coordenação pedagógica e da formação de professores, seja possível acabar de vez com a defasagem.

Segundo os especialistas, quando há poucos alunos nessa situação, o melhor é mantê-los nas turmas originais, sem obrigá-los a repetir de ano, e promover o avanço com aulas de reforço, adaptações curriculares e flexibilização da avaliação. Porém o caso do CEF 427 agravou-se de tal forma no decorrer dos anos que, quando o gestor assumiu, o número de repetentes estava muito acima do aceitável. "O reagrupamento permitiu um trabalho bem direcionado às necessidades de aprendizagem", afirma Ana Inoue, selecionadora do Prêmio Victor Civita.

Mudanças estruturais

Foto: Cristiano Mariz
ESFORÇO CONCENTRADO Amarildo e a equipe pedagógica fazem a revisão do currículo para as turmas de aceleração

A proposta de criar seis salas de aceleração foi apresentada para toda a comunidade escolar, que a debateu amplamente. A chave do sucesso, nesse caso, foi o envolvimento de todos. Mais especificamente dos professores, que tiveram de montar um currículo adequado às novas exigências.

O primeiro desafio foi envolver os docentes e convencer os mais resistentes de que concentrar o ensino dos principais conteúdos num espaço de tempo mais curto (dois anos em um ou dois semestres) era o único caminho possível. Para isso, havia a necessidade de rever o planejamento das aulas, selecionar os temas a trabalhar e mudar a maneira de ensinar, pois garantir a aprendizagem sempre foi uma condição inegociável. "Muitos professores estavam acostumados a dar as mesmas aulas e usar as mesmas estratégias didáticas de muitos anos", conta Amarildo. O argumento final para convencê-los foi de que alguma coisa precisaria mudar, pois o que tinha sido feito até então, comprovadamente, não estava dando resultados.

Os esforços se concentraram no estabelecimento de uma rotina de trabalho com os docentes e coordenadores pedagógicos. Usando como base o currículo do Distrito Federal, eles selecionaram os conteúdos básicos que permitissem aos alunos avançar a ponto de poder retornar às turmas regulares e, o mais importante, reviram a maneira de ensinar. Como lembra o professor de Matemática Ribamar Souza, "passamos a ouvir mais os alunos para conhecê-los melhor e assim escolher formas mais eficientes de fazer com que aprendessem. Esse tema era constante em nossas reuniões pedagógicas".

Foto: Cristiano Mariz
ALUNO DESTAQUE Marcelo Siqueira desistiu de abandonar os estudos ao perceber que poderia avançar

A escola passou por uma reorganização para reservar as salas necessárias. Os coordenadores fizeram o escalonamento de horários para a atribuição de aulas e planejaram a formação dos professores. Paralelamente, Amarildo preocupou-se em envolver os pais em reuniões com a equipe gestora. Nos encontros, a tônica era a oportunidade de mudança. "Em nenhum momento, falamos em fracasso", diz Francilene Nunes, uma das quatro coordenadoras pedagógicas.

No fim de 2008, 90% dos participantes do A Hora É Essa - Avanço Excepcional tinham recuperado pelo menos um ano. A distorção idade-série foi reduzida em 25%. Marcelo Siqueira, o jovem citado na abertura desta reportagem, agora está na 8ª série. "Hoje sou aluno destaque na turma porque sempre tiro boas notas e tenho gosto em estudar." Na avaliação feita pela Secretaria de Educação do Distrito Federal, da qual todos os estudantes da escola participaram, a CEF 427 surpreendeu e obteve a melhor nota do Distrito Federal, ficando acima da média da rede. "Hoje, nossos estudantes podem pensar em um futuro bem diferente do que a maioria imaginava ter há dois anos", comemora Daniela da Silva, professora de Língua Portuguesa.

Quer saber mais?

CONTATO
Centro de Ensino Fundamental 427
, QR 427, Área Especial 2, 72015-605, Samambaia, DF, tel. (61) 3901-7930  

alba maria siqueira - Postado em 19/05/2010 10:02:26

Parabéns ao Pro: e Diretor de Ensino Fundamental 427, Qr. Área Especial 2,72015-605, Samambaia, DF. Moro em Goiânia e vejo esse problema de perto pois sou voluntária em uma entidade por nome de Casa da Cultura no Setor Rio Formoso c/ crianças da rede pública e sinto o qnto eles tem dificuldades e a minha disciplina é CIDADANIA, faço o que posso p/ ajuda-los a pensar d uma forma mais investigativa outros assuntos q a escola ñ aborda e vejo q eles gostam srs fico super feliz em doar um pouco do meu tempo contribuindo com os homens d amanhã. Um grande abraço e muito mas muito sucesso com seus alunos.

Sinara Wiebbelling - Postado em 17/11/2009 14:42:30

Sou Sinara Wiebbelling,diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Jacob Sehn, de Cruzeiro do Sul, RS. Em nossa escola também existe alunos com distorção de idade-série e no 2º semestre iniciamos um trabalho diferente com os alunos, em especial com alunos que apresentam distorção de idade-série, de 15 em 15 dias são realizadas aulas de reforço, oficina de Arte no turno oposto, aula de culinária, contação de histórias e apresentação de mensagens. Precisamos ter um outro olhar para esses alunos, não adianta só reprová-los, precisamos fazer algo diferente. Parabéns pelo trabalho. Um forte abraço

Publicado em NOVA ESCOLA GESTÃO ESCOLAR, Edição 004, Outubro/Novembro 2009, com o título Um programa de aceleração para reintegrar alunos

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