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Gestão Escolar

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Edição 226 | Outubro 2009

O que é indisciplina

Por trás desse problema - visto pelos professores como um dos principais entraves da boa Educação -, há a falta de conhecimento sobre o tema e de adequação das estratégias de ensino

Beatriz Vichessi

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=== PARTE 1 ====

Sua paciência está por um fio. A garotada voa pelos corredores, conversa em sala, briga no recreio, insiste em usar boné e em trazer para a sala materiais que não são os de estudo. Cansado e confuso, você se sente com os braços atados e a autoridade abalada. Não suporta mais as cenas que vê e não sabe o que fazer. Quer obediência! Quer controle! Quer mudanças no comportamento dos alunos! 

Calma... Respire... Se você sonha com uma turma atenta e motivada, a primeira mudança necessária talvez esteja em você. É hora de rever sua ideia de indisciplina e o que há por trás dela. Pesquisa realizada por NOVA ESCOLA e Ibope em 2007 com 500 professores de todo o país revelou que 69% deles apontavam a indisciplina e a falta de atenção entre os principais problemas da sala de aula. Doce ilusão! O comportamento inadequado do aluno não pode ser visto como uma causa da dificuldade para lecionar. Na verdade, ele é resultado da falta de adequação no processo de ensino.

Para que você avance nessa reflexão, é preciso entender que a indisciplina é a transgressão de dois tipos de regra. O primeiro são as morais, construídas socialmente com base em princípios que visam o bem comum, ou seja, em princípios éticos. Por exemplo, não xingar e não bater. Sobre essas, não há discussão: elas valem para todas as escolas e em qualquer situação. O segundo tipo são as chamadas convencionais, definidas por um grupo com objetivos específicos. Aqui entram as que tratam do uso do celular e da conversa em sala de aula, por exemplo. Nesse caso, a questão não pode ser fechada. Ela necessariamente varia de escola para escola ou ainda dentro de uma mesma instituição, conforme o momento. Afinal, o diálogo durante a aula pode não ser considerado indisciplina se ele se referir ao conteúdo tratado no momento, certo?

Não é fácil distinguir entre moralidade e convenção. Frequentemente, mistura-se tudo em extensos regimentos que pouco colaboram para manter o bom funcionamento da instituição e o clima necessário à aprendizagem em sala de aula. "As crianças não enxergam a utilidade de um regimento ou dos famosos combinados que não se sustentam. Elas não sentem a necessidade de respeitá-los e acabam até se voltando contra essas normas", explica Ana Aragão, da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). 

A situação piora ainda mais se essas convenções se baseiam em permissões, proibições e castigos sem nenhum tipo de negociação. Se isso funcionasse, as escolas estariam todas em paz. Esse caminho - o mais comum - é tão claramente ineficaz que se tornou um dos principais motes das tirinhas de Calvin, o personagem questionador e cheio de personalidade criado pelo cartunista norte-americano Bill Watterson. Desde 1985, ele dá um baile na professora, mesmo sendo advertido constantemente. Nesta reportagem especial, você verá que as situações vividas por ele refletem uma concepção equivocada, por parte da escola, sobre as causas da indisciplina e as formas de lidar com ela.

Universal Press Syndicate
FALTA DE AUTORIDADE O que se espera da escola é conhecimento. É isso que faz o aluno respeitar o ambiente à sua volta. Se a aula está um tédio, ele vai procurar algo mais interessante para fazer. Universal Press Syndicate
=== PARTE 2 ====
=== PARTE 3 ====

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Eveline Rocha Aragao de Sousa - Postado em 29/12/2009 11:33:44

A reportagem sobre indisciplina e de muita veracidade, porem trabalho na educacao a 15 anos e percebo o quanto tem sido dificultado o trabalho do Educador, nao pelo despreparo do mesmo apenas, mas tambem pela ausencia da familia no processo educacional das criancas e adolescentes hoje. E muito comodo culpar o educador e falar de seu despreparo, enquanto que se tivessemos familias mais equilibradas, fazendo a sua parte em casa,dando exemplo de educacao, no sentido amplo da palavra, nao seria tao dificil para o educador, que hoje necessita ser psicologo, terapeuta, pai, mae, medico... Enfim, sinto muito por esse jargao colocado sobre o Educador de que ele e sempre despreparado profissionalmente. outro dia estava no carro com meu esposo em um posto de gasolina e ao nosso lado estava um outro carro muito bonito e eu olhava e comentava com meu esposo. O dono do carro ao perceber olhou para seu filho e disse: - chame-os de carnica, cahme-os de carnica. E a crianca de apenas dois ou tres anos olhou para nos e disse: - Canica! Meu DEus como um Educador consegue desfazer ou concertar em 4 horas diarias o que um PAI passa a vida inteira ensinando?!

Rozineide Maria dos Santos - Postado em 22/12/2009 23:52:01

em 2006 tive o privilégio de pegar uma turma do 4º ano do ensino fundamental bem "quente". Brigavam por tudo. Era uma coisa impressionante. Eu não conseguia concluir, ou adiantar nenhuma sequencia didática qeu eu planejasse,nem que fosse das mais simples,pois era interrompida a todo instante. Até que percebi que não adiantava insistir em dar continuidade a projeto ou sequencia didática nenhuma enquanto não resolvesse a questão da violência em sala de aula. Então decidi o seguinte: - cada vez que houvesse uma briga na sala eu iria parar o que estivesse fazendo para investigar a origem do conflito. por exemplo: o aluno A agrediu o aluno B, então eu perguntava ao A por que ele tinha agredido o colega e ele respondia mais ou menos assim: - eu dei nele por que ele mexeu na minha bolsa, então eu ia até B e perguntava porque ele tinha mexido na bolsa de A, e B respondia: - eu pedi um lápis a ele e ele não me deu. então eu falava do direito que A tinha de emprestar ounão seu lápis e depois voltava para A e falava que, nada justificava agressaõ fisica, que ele poderia ter resolvido o conflito através de uma conversa e assim ia. havia momentos que a investigação ia longe, mas a partir dessa medida eu consegui fazer com que eles próprios chegassem ao cerne da questão e analisassem se valia a pena ou não a violenica. o resultado é que, passei 2 anos com essa turma e, depois dos 4 primeiros meses de peleja o restante foi tranquilo. abraços!!!

Joel Farias - Postado em 19/12/2009 16:37:45

Infelizmente sou obrigado a concordar com a reportagem: a culpa é dos professores SIM! Todavia esta culpa se refere mais ao modelo institucional que aos professores propriamente ditos. Explicando melhor: são culpados os professores encarregados dos postos-chaves na direção da escolas e respectivas Secretarias de Educação. Certa vez, conversando com professores de uma escola que tinha graves problemas de disciplina, ouvi o seguinte comentário: "Não podemos expulsar um aluno: o ECA não permite". Confesso que fiquei atônito. Ao chegar em casa, baixei o texto completo da LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990, com as respectivas atualizações dadas pelas Leis: Nº 8.242, de 12.10.1991; Nº 10.764, de 12.11.2003; Nº 11.185, de 2005; Nº 11.259, de 2005 e outras. Não encontrei NADA, repito: NADA que impedisse um aluno de ser expulso da escola por indisciplina ou mau comportamento. Então o problema se resume na elaboração de um estatuto rígido a ser adotado pela escola e pela administração (estadual ou municipal). Algo bem simples que possa ser entendido pelos alunos e seus pais: 1ª Ocorrência ¿ Uma advertência verbal; 2ª Ocorrência ¿ É enviado um aviso aos pais que deve ser retornado à escola com a respectiva assinatura dos pais; 3ª Ocorrência (ou a falta do retorno da primeira) ¿ O aluno só entra na escola acompanhado por um dos pais (ou responsável) ¿ neste momento já deve ser envolvido o Conselho Tutelar do município ou algum órgão responsável pela administração da Infância e Adolescência, já que o aluno pode ficar sem ir à escola sem comunicar os pais. 4ª Ocorrência ¿ expulsão pura e simples da escola. Adicionalmente, é claro, o poder público pode, baseado num esquema rígido disciplinar implantado em todas as escolas sob sua jurisdição, impedir que este aluno se matricule em qualquer outra escola pública da rede (municipal ou estadual). Com isto poderíamos efetuar um limpeza generalizada na rede escolar mantendo apenas os estudantes que realmente querem estudar, uma espécie de profilaxia dos maus elementos. Estes alunos ¿ é claro ¿ seriam excluídos das estatísticas de matrículas para evitar índices indesejáveis de "evasão escolar" ou "repetência", para satisfazer aqueles que se preocupam com o IDH propagado pela ONU.



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